terça-feira, 1 de agosto de 2017

Não, é Não, e Não Mata Ninguém





POIS BEM. Quando criança eu sempre ouvi da minha mãe que eu não tenho olhos nas pontas dos dedos. Também ouvia que, se não é meu, eu não tenho que mexer, a menos que me ofereçam. Caso contrário eu sigo com a minha vida e tudo ok.

Quando criança eu ouvia "não", "se você fizer isso vai ficar de castigo", "sem televisão por duas semanas", "limpa a casa", "lava a louça que você sujar", "ajude sua mãe", "ajude seu pai", enfim e enfim.

Quando criança eu tinha meus colegas da rua, e saía pra brincar com eles, mas tinha meu horário. E ai de mim se não obedecesse. "Sem televisão!". "Sem brincar na rua por uma semana!". Também tinha aquilo de não conseguir ter tudo o que eu queria na hora. Comida não era na hora. Televisão não era a hora que eu queria. Os brinquedos que eu queria, eu não tinha na hora e, às vezes, nem tinha, mas eram substituídos por outros (às vezes), e que eu tinha que esperar, sendo que quando não vinha nada, e eu me contentava com o que já tinha mesmo.

Bem... isso me matou? Aparentemente não. Isso, meus amigos, minhas amigas, se chama educar. Criar na criança um senso de responsabilidade, de que o mundo não gira em torno dela. O caso da mulher que ficou revoltada com a dona do boneco do Gavião Arqueiro, por ela não ter deixado o filho da visita brincar com ele, me incomodou bastante. Não, eu não tenho mágoa alguma das coisas que citei, muito pelo contrário. Eu dou graças a Deus pelo fato dos meus pais nunca terem me mimado, senão eu não seria a pessoa que sou hoje. Nunca tive nada na mão, assim como muita gente, e ver uma situação dessas choca pelo fato de ainda existirem pais que ainda tratam seus filhos como se eles fossem os próximos reis e rainhas do Universo. Mas eles não são!

Dia desses eu li no Twitter o caso de uma mãe que xingou a outra porque o filho dessa segunda estava tomando um suco de caixinha, e a outra criança queria. A mulher pediu pra mãe um golinho pra criança e a mãe negou, dizendo que era de seu filho. Pra que! A outra ficou revoltadíssima, dizendo que a criança ia aguar e que isso e aquilo. Porra, pensa bem, uma criança DESCONHECIDA, tomando um suco de caixinha com canudo. Você vai MESMO querer que outra criança divida do mesmo canudo? É questão de higiene, e também porque o suco era da criança, e a mãe não é obrigada a dar nada pra ninguém, cada um que cuide de sua cria, ora essa.

Por isso, minha gente, eu tenho um apelo: PAIS, EDUQUEM SEUS FILHOS! Mimar não é educar e, ao contrário do que pode parecer, não é agradar. Não tô dizendo aqui que você não pode dar coisas bacanas pros seus filhos, de modo algum. Se você tem condições, ótimo! Dar um presente pro seu filho, sem motivo aparente, é legal, é gratificante ver o sorriso no rosto da criança. Mas não crie um monstro em casa. Eu entendo, é seu filho, o amor da sua vida, mas você pode estragar não só a vida da criança, mas a sua também. Ensinar a cuidar da casa (válido para meninos e meninas) não é vergonha alguma, é utilidade, assim, quando crescer a criança não vai precisar de ninguém pra ajudar a lavar uma roupa, ou fazer comida, ou... sei lá, viver. 

Socar um tablet na criança pra ela ficar quieta atrapalha mais do que ajuda. Conversem com seus filhos, mostrem que existe um mundo além da Galinha Pintadinha. Façam eles aprenderem que NÃO é NÃO, e que SIM, existe a palavra NÃO. Ninguém merece uma criança mimada, que faz escândalo na fila do supermercado porque quer um Kinder Ovo, nem na lotérica, porque a criança quer a bolinha daquelas máquinas, afinal, é um real uma bolinha daquela, cara. Isso sim mata, não só os pais de vergonha, mas os outros ao redor de raiva, e de vergonha alheia.

Por tudo que é mais sagrado, cuidem dos seus filhos, porque de criança mimada o mundo já está cheio!

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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