quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Não Odeie o Rico Dalasam





Tem dois anos da primeira vez que ouvi falar sobre Rico Dalasam. Era uma matéria sobre música e como o rap não tinha um representante (abertamente) gay além do próprio Rico. Lembro que ele comentava sobre isso na entrevista. Que acabava sendo um peixe fora d'água. Afinal, ele faz rap, mas não existia (e, infelizmente, dois anos depois ainda não continua existindo) um cenário onde suas letras, sobre aceitação sobre a própria sexualidade ou relação com outro cara possuem espaço.

O movimento queer rap existe fora do Brasil, mas aqui, caso exista, ainda não ganhou espaço. Mas Rico sim! O autor da música mais tocada no carnaval de 2017 já não é um estranho para grande massa. E isso, em partes, é muito bom.

Infelizmente, muitos estão fazendo uma associação nada saudável ao ouvirem o nome de Dalasam. Todos sabem da "treta" que envolve o rapper e a música de sucesso Todo Dia, que já não se encontra nem no YouTube e meios de streaming. A respeito desse assunto, já adianto que não quero opinar. Sei o que li dos dois lados e, particularmente, guardo pra mim a postura que deveria ter sido tomada sobre esse assunto.

Mas algo me incomodou bastante quando fui assistir ao clipe de Fogo em Mim, nova música de trabalho de Rico para o EP Balanga Raba. Nos comentários, muitos chamavam o cantor de invejoso e julgavam sua nova música dizendo que a anterior era melhor. Alguns até anunciavam o deslike no vídeo por conta do que de "ele fez" em retirar a outra música do ar...

Fiquei triste por ver que mais uma vez um artista estava tendo seu trabalho julgado erroneamente. Muitos já vinham com pedras nas mãos e prontos para não gostar em nenhuma hipótese do que iriam ver e ouvir. É como se, ao reivindicar por algo que ele alega ter direito, as outras pessoas estivessem prontas para darem o seu veredito real e oficial sobre toda e qualquer coisa que "venha" do artista que "tirou sua música favorita do cantor X do ar".

Rico Dalasam não merece receber todo esse hate. Seja como rapper, cantor pop. Ou seja lá como podemos "classificar seu novo trabalho". Dalasam, assim como outros artistas no atual mercado fonográfico, está quebrando barreiras e tabus! E todos nós (LGBTQ+) devemos apoiá-lo nessa quebra de paradigmas e parâmetros. Suas letras podem ser uma boa influência para uma galera que ainda está por vir. E terem na música alguém com quem se identificar. Deixem ele construir um legado para que no futuro o Brasil tenha um movimento queer rap de verdade! E que muita gente deixe de esconder o que realmente sente...

Antes de sair por aí odiando Rico Dalasam, dê o benefício da dúvida e escute sua música! Além de bom cantor você vai perceber o quanto ele é talentoso e não merece ser odiado, de maneira nenhuma!

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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