quarta-feira, 30 de agosto de 2017

“Nunca Diga Nunca, Jamais!”





A primeira vez que ouvi essas quatro palavrinhas juntas foi em algum número musical quando eu era criança. Tentei puxar na memória se seria de um desenho, um programa, mas não adiantou; nem o Google ajudou. Mesmo sem saber a procedência, a mensagem ficou na memória e, volta e meia, faz sentido. Afinal, ser humano não é uma ciência exata e o que negávamos anos atrás pode ser a nossa nova realidade no futuro – mesmo que ainda não fira os nossos princípios.

Tantas coisas que para mim eram convicções hoje são dúvidas. E coisas que jamais pensaria experimentar eu vivencio intensamente. Talvez por preconceitos ou por conceitos mesmo. Desde as mais simples até patamares dos mais importantes. Um exemplo? Há poucas semanas, completei 10 anos na minha empresa, fazendo assessoria de imprensa. Quando optei pelo jornalismo, 15 anos atrás, imaginava que passaria a minha vida profissional dentro de uma redação. Tive quatro anos de experiência nesse sentido, o restante todo foi em assessoria. Logo eu, considerado pelos meus professores um dos alunos mais talentosos daquela geração de jornalistas; que já estagiava na área desde o segundo período da faculdade. Hoje sou grato a esse caminho ao qual a comunicação me apresentou.

Outra coisa curiosa: eu não era adepto de comida japonesa até o fim de 2015. Só de ver o peixe cru e imaginar sua textura, não rolava. Já tinha provado uma vez (também não gostava de ceviche, nada que tivesse o mesmo cheiro que eu encontrava nas peixarias) muitos anos atrás e tinha sido intragável. Até que num aniversário de namoro e casamento, eu provei logo um sashimi. E desde então, nunca mais parei. Acho que não tem semana que eu não coma pelo menos uma vez um japonês, parafraseando Arnaldo César Coelho.

Nunca quis que a minha primeira viagem internacional fosse para os Estados Unidos, mas acabei indo para Nova York. Não me imaginava tão adepto de musculação e muito menos que gostaria um dia de correr. Não cogitava que, depois de parar de comer ovo com quatro anos de idade, voltaria depois dos 30 anos. Jamais poderia pensar que após ser criado dentro do catolicismo e simpatizar com o espiritismo, seria hoje um sacerdote umbandista. E muito menos que teria um livro sobre sexo publicado, tendo em vista esse contexto.

Tantas concepções nossas caem por terra com o nosso amadurecimento. Quantas vezes não ouvi de amigos muito menos experientes em relacionamento as opiniões do que eu deveria fazer com o meu – e eu via que eu mesmo parecia muito mais com eles antes de viver o que eu tinha vivido do que onde eu me encontrava naquele momento. O que nos magoava no início de uma relação hoje pode ser um ponto forte. O que era tão valioso pode hoje não fazer sentido. Somos fluidos e versáteis como devemos ser.

A verdade é: nunca diga nunca, jamais. O destino pode nos surpreender e apresentar a coisas que nunca aventávamos, mas que podem trazer tantas coisas boas. O melhor é viver esse grande vaudeville que é a nossa vida.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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Um comentário:

Melony Fisher disse...


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