quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O Amanhã





“Como será o amanhã?”, perguntava de forma cantada a União da Ilha no carnaval de 1978. Eu nem era nascido ainda, mas o samba virou um hino passadas diversas gerações. A questão é que a pergunta era uma preocupação puramente individual: a letra queria saber o que iria acontecer ao “eu” lírico e falava de seu destino. Àquela época, poucas eram as preocupações com o coletivo.

Pois bem, no último domingo fui eu pela primeira vez (e finalmente) ao Museu do Amanhã. O nome do espaço já parece um paradoxo: em geral, museu é criado para contar uma história passada, e não algo futuro, como o amanhã. Mas de cara, o tatuizão da Praça Mauá que virou o mais novo cartão postal do Rio mostra a que veio: para mostrar como a trajetória humana na Terra nos trouxe até aqui e pensar no que faremos daqui por diante. 

O primeiro passo na viagem a qual o museu nos leva é pensar que estamos todos ligados: cosmos, planeta, homem e pensamento. Embora sejamos uma ínfima parte do Universo, somos aqueles que mais impactamos em nosso mundo hoje em dia. E as nossas intenções impactam, sim, no infinito universal do qual fazemos parte.

Uma das coisas que mais me impressionaram durante a exposição principal foi quando um dos vídeos, de um físico, destacou a famosa frase de Iuri Gagarin, cosmonauta soviético. Conforme contam os livros de História, a primeira pessoa a ir ao espaço sideral e dizer que a Terra era azul. Foi a primeira vez que um ser humano conseguiu se afastar e ver o nosso planeta como algo único. Como um corpo só. 

Aqui em nosso plano, as distâncias são tão vastas e a realidade antropocêntrica é tão grande que muitas das vezes não enxergamos o terremoto no Sudeste Asiático, a fome na África, os refugiados do Oriente Médio, o terrorismo na Europa ou mesmo a destruição do Rio Doce como problemas nossos. Se até hoje é difícil, quando a consciência com o mundo e a ecologia e a circulação de informações é muito maior, imagine no início da década de 1960?

Sim, pensar no amanhã é necessário. O Museu, num local que faz parte da História do Rio e se encontrava degradado por décadas, é um acerto. Vale a visita e vale a reflexão, para que o que hoje pensamos que é o amanhã não seja apenas uma peça de museu na História da Terra.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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