sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O Nordeste Fervilha no Rock e na Queer Music




Na semana passada, o assunto da polêmica envolvendo os cantores Johnny Hooker e Ney Matogrosso acabou rendendo. E fiquei pensando nessa nova geração queer e percebi o quanto tem coisa legal rolando por aí e que ainda pouca gente conhece. Na coluna, citei algumas bem legais como Liniker, Rico Dalasam, Jaloo, As Bahias e a Cozinha Mineira, Banda Uó e Linn da Quebrada.

Vários amigos me mandaram mensagens dizendo que nunca tinham ouvido falar de dois deles citados no texto como os grandes precursores da cena gay underground, que foi o Montage (dupla de electropunk formada em Fortaleza pelo DJ Leco Jucá e o performático Daniel Peixoto – que, já em carreira solo, chegou a abrir um show do Prodigy em 2009) e os pernambucanos do Textículos de Mary, que, com seu glam punk rock teatral escrachado, aliado a uma postura totalmente gay, chocou muita gente ao mostrar um lado escatológico e agressivo, com simulações de sexo nos palcos, causando infinitas polêmicas.  O grupo chegou a gravar o ótimo álbum Cheque Girls, em 2002.

Atualmente, vale ressaltar que duas das bandas mais legais do cenário queer, vem de Fortaleza – o Verónica Decide Morrer e o Jonnata Doll e os Garotos Solventes.  O Verónica Decide Morrer, que faz um punk rock bem dinâmico e é formado por travestis, lançou pérolas como Testemunho de Trava e Bicha Invejosa e, recentemente gravou um belíssimo clipe da canção Feito Haikai, onde o ator Jesuíta Barbosa dirigiu a produção. Jonnata Doll, já com um olhar mais suburbano e influências da literatura beat, participou de alguns shows da comemoração pelos 30 anos da Legião Urbana e segue na estrada com a divulgação de seu segundo disco, o surpreendente Crocodilo.

E tem uma banda, vinda lá de Natal (RN), que mesmo não sendo queer, mas que possui um visual “modernoso” está prontinha para explodir não só no Brasil, mas no mundo, como foi o Sepultura... Eles se chamam Far From Alaska.  “Nascida” somente há cinco anos, a banda (que canta em inglês) tem um currículo bem bacana com participações em festivais importantes como o Planeta Terra e Lollapalooza, e já foi super elogiada por Shirley Manson, do Garbage. Depois de um EP e um álbum gravado pela Deckdisk e o hit Dino vs. Dino, que gerou um maravilhoso clipe gravado nas Dunas do Rosado, a faixa Relentless Game ter sido incluída na trilha sonora da novela Rock Story e terem participado da edição francesa do Download Festival, ao lado de bandas como System of a Down e Slayer, o Far From Alaska está com disquinho na boca do forno, gerado através de uma campanha de financiamento coletivo.  O álbum Unlikely, produzido pela poderosa Sylvia Massy, que já colocou a mão no som de artistas como Red Hot Chilli Peppers, Prince, Tool, Alanis Morrissete, Johnny Cash, System of a Down e Aerosmith, entre outros, já tem um clipe sensacional rolando pela rede, lançado em junho: Cobra.

Mesmo com o país passando por situações escabrosas que eu nem quero falar aqui para não quebrar o clima, dá orgulho em ver que, pelo menos nas artes, brasileiro é bom pra caramba!  Parabéns a esta galera sensacional que está despontando com lançamentos tão criativos e vindos de Estados nordestinos, onde infelizmente o preconceito ainda impera.  Taí algumas provas de que o Nordeste é tipo exportação.

Veja aqui, clicando sobre os nomes das bandas, os clipes e canções dessa galerinha arretada!
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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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