quinta-feira, 31 de agosto de 2017

P!nk, o Grande Discurso do VMA 2017




Já tem uns anos que vejo o VMA mais como uma tradição do que algo realmente interessante. Vez ou outra existe uma performance que faz valer a pena o tempo de nossas vidas que gastamos ali, assistindo piadas sem graça e cantores que nem sabíamos que existiam.

No domingo, estava sem esperanças de algo me empolgar de verdade. Mas essa impressão foi deixada de lado após P!nk subir ao palco e mostrar porque é um ícone! O madley dos seus maiores sucessos foi de arrepiar! Mas não parou por aí. Em seu discurso de agradecimento ela citou uma conversa que teve com sua filha e isso me pegou de jeito!

Willow, que tem só seis anos, disse para a mãe que é a menina mais feia que conhece! Como assim? Como uma menina de seis anos pode vir a ter um pensamento como esse? Crianças são crianças. Preocupação com beleza já nessa idade? E nesse grau de se classificar como a mais feia? Tudo bem. Devemos pensar que isso é só coisa de criança. Seis anos, vai esquecer em dois segundos e ir brincar.

Só que P!nk não quis deixar isso pra lá. A cantora disse que fez uma apresentação em PowerPoint (fiquei alguns segundos imaginando ela por horas elaborando todos os detalhes desse "pequeno projeto") para mostrar para a filha artistas que vivem da sua verdade, por exemplo: Prince, Michael Jackson, George Michael, David Bowie...

P!nk, que sempre lutou contra os padrões "estabelecidos" pela indústria, fez com que sua filha não se prendesse ao que, desde cedo, vem recebendo da mídia e das outras pessoas, "exemplos" do que é bonito ou feio. Tudo é relativo e ser diferente do que é imposto ao nosso redor não pode influir em quem somos.

Após ouvir as palavras da artista, que estava mais uma vez sendo uma mãezona ao relatar tudo isso para o público que assistia a premiação, me senti comovido. Primeiro, por pensar o quanto não deve ter doido para P!nk saber o quanto sua filha já sofre com os efeitos da indústria da beleza. Outro fator foi pensar o quanto crianças não estão se sentido exatamente como ela, mas que deveriam ter outras preocupações, como curtir o momento com os amigos ou planejar brincadeiras.

Como as críticas que já me fiz e fiz ao meu corpo só me deixaram pra baixo e bem distante do que almejava para mim. Somos muito duros com nós mesmos quando deveríamos nos aceitar incondicionalmente.

O discurso da P!nk, no fundo no fundo foi para cada um de nós. Igual uma mãe que tenta ensinar algo aos seus filhos.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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