terça-feira, 5 de setembro de 2017

Como Eu Tinha Me Esquecido Disso???





Ai, ai, gente... Alguém aí tem a mania de ficar viajando quando outra pessoa está falando? Dia desses eu tava ouvindo um amigo falar sobre um monte de coisa, e quando dei por mim, estava pensando num dos episódios de Ultimate Spider-Man, e tive que fazer um esforço gigantesco pra voltar pro assunto. Sorte que tenho umas palavras automáticas que me salvam de possíveis constrangimentos. E porque Rafael estava comigo, então ficou mais fácil.

Mas e aí, tudo legal? Comigo tá tudo legal também, e se com você não está tudo legal, não se preocupe, uma hora fica.

O texto de hoje ia ser sobre outra coisa totalmente diferente, mas como eu perdi o fio da meada nele, resolvi deixá-lo pra semana que vem, afinal, não quero vir trazendo qualquer coisa, certo? Certo.

Dia desses eu tava conversando com Rafael e começamos a falar de nossas infâncias. Eu sei que só despejei aqui dor e sofrimento (e algumas memórias bonitinhas sobre minha mãe) a respeito da minha infância, mas conversando com ele eu comecei a lembrar de um monte de coisa e então eu me lembrei de que tive uma infância massa pra caramba!

Quando eu não estava naquela organização religiosa tendo minha sexualidade e minha habilidade musical questionadas, eu estava com meus vizinhos. Em frente à nossa casa morava a Kátia, com seu marido e seus três filhos, duas meninas e um menino. Ao lado da nossa casa morava a Ineida com suas duas filhas, Natália e Caroline. Na rua do lado morava a Patrícia, que estudava comigo.

Nas noites de verão, nós todos ficávamos até altas horas brincando na rua. Pega-Pega, Esconde-Esconde, Queimada, Bete, entre outras coisas. Também ficávamos conversando, contando besteiras engraçadas junto com minha mãe. Naquela época eu não tinha computador (eu fui ter o meu primeiro bem grandinho já), então eu me matava de brincar, deitava e dormia profundamente.

Sábado ou Domingo era o dia todo na rua, e vocês já podem imaginar como meus pés ficavam, né? Mas eu nem ligava, tomava banho gelado, voltara pra rua, suava, me sujava, tomava outro banho, e assim ia. Na outra ponta da rua (nós morávamos numa das pontas) tinha uma moça que vendia geladinho, ou chupe-chupe, ou sacolé, não sei como é aí na cidade de vocês. Tinham os de fruta e os cremosos, e a gente fazia vaquinha e ia lá comprar uma bolsa quase cheia disso pra ficar chupando e conversando, sentados no chão, na calçada, bebendo refrigerante, água, se abanando, e nem ligando pra isso. Rolava também o famoso banho de mangueira, já ia me esquecendo!

Na ponta dos geladinhos/chupe-chupe/sacolé moravam outras crianças. Eles ainda vivem lá, a propósito. Às vezes, jogávamos video-game, ou juntávamos a turma pra lanchar, ver filme, jogar vôlei, futebol (não queiram me ver jogando, é um desastre...). Fazíamos também guerra de coquinhos, sabem? Aquelas árvores que dão uns frutos tipo uns cocos? Não? Enfim, a gente fazia guerra disso, até o dia em que uma criança aleatória que não fazia parte do grupo foi atingida no olho. Tentei argumentar dizendo que guerra é guerra, mas me olharam torto, o que não entendo, mas ok, vida que segue.

Voltando pra ponta onde eu morava, em frente a rua lateral onde morava Patrícia, havia um terreno baldio bem grande, de solo arenoso, com uma subida cheia de fendas onde a gente usava pra se esconder quando brincava de Esconde-Esconde (eu nunca cheguei perto à noite, morro de medo de aparecer um bicho ou algo parecido). Jogávamos bola, a galera soltava pipa, quando chovia a gente ouvia os sapos coaxando no mato que cercava o terreno. Mesmo no inverno a gente saía pra brincar, pra fazer farra, porque era muito gostoso estar com eles.

Teve também a vez que meu pai fez a minha carteirinha do SESC e eu podia ir pra piscina todo sábado, e sozinho, o que eu achei o máximo. Mas aí eu fiquei tão cansado que cochilei durante o culto e quase deixei o violão cair. Aí minha mãe pediu pra minha irmã ir comigo só pra eu não abusar tanto. Mas foi divertido igual, me entrosava com as crianças, fiz amigos que não fazia ideia de quem eram, mas naquelas poucas horas nos divertíamos pra caramba.

E eu fiquei me perguntando como eu pude me esquecer disso? Por que raios e caralhos eu deixei tanta tristeza e rancor dominarem a minha vida? O que aconteceu no caminho? 

É com um sorriso de satisfação que eu escrevo o texto de hoje. Satisfação misturada com saudade, de um tempo em que eu era mais leve, mais brincalhão, e que só chorava pra ir pra casa, ou quando eu chutei o chão jogando futebol. Foi ótimo ter me lembrado disso, eu quase consigo sentir o cheiro da terra molhada, a pele torrando no sol, a emoção de procurar um abrigo pra não levar um coquinho na fuça... Bem lá dentro, essa parte de mim ainda tá viva, e eu aposto que ela tá se perguntando por que foi esquecida por tanto tempo assim. Eu só espero que não seja tarde demais para ir ao resgate dessa versão de mim!

E você? Tem alguma lembrança bacana da sua infância?

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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