terça-feira, 26 de setembro de 2017

Não Há Nada Errado Em Querer Ficar Nos Bastidores





Eu tenho vários traumas. "Nossa, Glauco, só você, né? Pobrezinho...". Eu sei que é isso que alguns de vocês pensaram, sem nem me deixar continuar. Mas sim, eu tenho vários traumas, e apesar de ter superado muitos deles, alguns permaneceram e vez ou outra eu me vejo entrando em pânico. 

Tudo começou, adivinhem só, naquela instituição religiosa. Com o tanto de responsabilidade que me foi dada, tipo cantar, tocar, reger, organizar, coordenar, etc, eu acabei ganhando certa evidência. Não que eu tivesse pedido, por mim só tocar, cantar e reger tava bom demais, mas enfim. Junto com essa evidência veio uma exposição horrível. Meu nome era citado. Dedos eram apontados pra mim, em público. O público me tinha sob sua mira constantemente por causa disso. Ser bom no que eu fazia me custou muita coisa, inclusive desgaste psicológico. Eu era bom, muito bom, mas muita gente se incomodava com aquilo, e quanto mais incomodados, mais exposto eu era. 

Minha vida tinha se tornado um livro aberto, e eu fazia de tudo pra esconder meus gostos musicais, meus hobbies e, claro, minha sexualidade. Quando mais eu me escondia, mais exposto eu ficava, afinal, por que eu estaria evitando sair com o pessoal? Por que eu estava quieto sentado no refeitório, sozinho? Por que gostava de ir pra casa logo que o culto acabava? Quanto mais eu fugia, mais exposto eu ficava, e eu aprendi que ser exposto era ruim. Ser bom, ser competente era ruim. Mas eu queria ajudar, queria continuar fazendo o que eu gostava de fazer, havia tomado gosto pelo que fazia. 

Então, o que fazer? Simples, usar os bastidores. Eu agia por vários lados, dando ideias, dando sugestões, opiniões, mas sempre ajudando quem estava no comando e deixando os louros das vitórias para eles. Eu me sentia bem fazendo isso. Finalmente tinha conseguido o que queria: tocar, cantar e reger. Só. Até que eu saí de lá, e isso vocês já sabem. 

Acontece que isso permaneceu. Desde então eu tomei gosto pelos bastidores da vida. Eu gosto de ajudar, independente do que for, seja com Música ou com outra coisa, eu gosto de me sentir útil, de fazer algo acontecer. Não ficando em evidência, eu faço tudo muito bem. Por isso mesmo que eu me amarro nos backing vocals das bandas, e prefiro estar no meio de um coral a ser o regente dele. Eu estou ajudando, fazendo a minha parte, e ninguém precisa saber disso. Desde que me paguem bem (afinal, Capricórnio, né?), eu faço com o maior prazer (menos programa, não tenho vocação para tal). 

E eu comecei a me questionar sobre isso esses dias. Oras, eu amo Olivia Pope, acho ela uma personagem maravilhosa e queria muito ser como ela, tirando a parte do sequestro, do caso com o Presidente (afinal, Michel Temer). Mas ser Olivia Pope é estar no centro das atenções, e eu prefiro ser Abby ou Marcus ou Quinn, que fazem o trabalho, recebem por isso e tá tudo bem. 

Não tem problema algum com isso. Se é o que me faz feliz, se assim eu vou conseguir colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilamente, que mal tem? 

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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