quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O Fim do Mundo é Logo Ali...





Já sobrevivi alguns finais de mundo. Sei lá, acho que desde 1999 escuto o papo que o mundo vai acabar. Particularmente falando, o meu só acabou quando minha avó faleceu. Acho que quando perdi meu pai também foi um final de mundo, mas tinha dois anos e não lembro direito como era a vida antes, só tenho registro mental do pós. Depois do final... Mas quando o mundo acaba a gente sobrevive. 

Mas, de todas as vezes em que chegou aos meus ouvidos que o fim estava próximo, pela primeira vez começo a acreditar que isso irá acontecer. É tragédia por todos os lados. Furacão, terremoto, ameaça de guerra... Doenças que há muito já estavam extintas retornando e... A aparente "cura" para quem não está doente. Não como outros humanos desejariam que estivéssemos. 

O nosso atentado mais recente havia sido do ano passado, com os mortos da boate Pulse, nos EUA. Aquilo me tocou de uma maneira que não consigo encontrar palavras para descrever. Mas me vi ali, encurralado em um banheiro, me despedindo de minha mãe e sabendo que iria morrer. Esse atentado aconteceu em um local que todos se sentiam seguros, mas não estávamos. Não estamos. 

O Brasil é preconceituoso pra caramba, mas ao mesmo tempo é o país que aceita o caricato. O que é engraçado. Porque ser deboche pode, mas ser sério não. Ser sério é pegar pesado demais. É ser real demais. É lidar com problemas internos de quem não está preparado pra isso. Aqui, se você não for o mesmo que a massa, está lascado. E todos nós estamos, infelizmente.

Sempre disse para os meus amigos que Bolsonaro no poder era o fim de todos nós. Iremos para um Jogos Vorazes onde não existirá saída, só o fim. Onde a hipocrisia brasileira fará questão de ver cada um de nós morrer. E a culpa de que somos doentes será a que mais vai ecoar por aí. Nosso fim já é entretenimento. Já atrai audiência e faz plataforma política. E muitos dizem que "militar" por nossos direitos é bobagem. Mas bobagem é ver que o nosso fim se aproxima e não fazer nada para mudar isso. 

Uns dizem que o mundo acaba sábado, dia 23, mas eu sinto que já vem acabando faz um tempo. E, perigo mesmo é que não acabe e a gente precise viver mais com tudo isso acontecendo e piorando.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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