segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O Lado Bom das Merdas




Eu ando meio Pollyanna. Não, nada de transição de gênero em que eu vá virar uma menina-moça, como no segundo livro da personagem icônica. Ok, piadinha infame. Mas sim, ando fazendo o Jogo do Contente, imortalizado na literatura pela criação da autora Eleanor H. Porter, no clássico de 1913.

Para quem não está familiarizado com a trama (o que é um absurdo, devo dizer), Pollyanna era uma menina de 11 anos que, após a morte de seu pai, um missionário pobre, se muda para a cidade para morar com uma tia rica e severa, que ela nunca conheceu. No novo lar, passa a ensinar às pessoas o Jogo do Contente, que havia aprendido com seu pai. O jogo consiste em procurar extrair algo de bom e positivo de tudo, mesmo nas coisas aparentemente mais desagradáveis.

E foi numa conversa matinal via WhatsApp com meu amigo querido César Araújo que o jogo me veio à memória. Falando da vida e matando as saudades (já que apesar de morarmos perto, temos toda uma logística chata envolvendo Rio-Niterói e nossos afazeres cotidianos), ele me perguntou como anda meu trabalho formal e eu fui honesto:
"Ah, a mesma coisa. Paga as contas, então vamos que vamos. O lado bom das merdas."
E nascia assim a ideia da coluna de hoje, em uma inspiração improvável vinda de uma conversa casual em uma segunda-feira de céu azul. 

Porque não, a vida não tá fácil. Assistir aos noticiários desanima; a minha conta bancária não motiva; o trabalho anda sendo um fardo. Mas, se encararmos tudo pelo prisma apenas negativo, o que nos resta? Então, vamos vivendo e fazendo o Jogo do Contente.

Se o dia está bonito, vamos apreciá-lo. Se o trabalho não motiva, existe sempre o fim do dia e os fins de semana para agradecermos pelo que as oito horas de martírio servem. E há os amigos, e os risos, e as horas felizes para compensar a parte chata da vida.

Afinal, toda merda tem que ter um lado bom. Ou alguma coisa para nos motivar a encarar a vida de coração aberto e com mais otimismo. Mesmo que isso seja apenas uma grande filosofia de botequim e uma espécie de auto-ajuda de geração automática em um site aleatório na internet.

Mas, pense, se formos levar tudo a ferro e fogo, vamos viver a base de antidepressivos, envoltos por tristezas e agonias sem fim. É impossível controlar o incontrolável e sim, as merdas acontecerão, você querendo ou não. Como eu brinco, infelizmente querer não é poder, porque se fosse eu seria um X-Men e faria tudo do jeito mais certo do mundo, o meu.

Então, vai ter a gente bancando a Pollyanna sim. E fingindo que tá tudo bem. Ou que vai ficar. E assim, uma hora, quem sabe as coisas realmente não hão de ficar? Oremos!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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