quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O Menino-Autor, a Bienal e Cinco Anos



Nessa quinta-feira, 14 de setembro, completam cinco anos de um dos dias mais importantes da minha vida: o lançamento do meu livro Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades. Foi a primeira vez que os meus textos, escritos ao longo de dois anos e guardados por outros oito, foram reunidos e tornados públicos de uma só vez. O primeiro livro é um marco na vida de qualquer autor; para uns, pode ser filho único. Para mim, não foi. E espero lançar outros ainda.

O que poucos sabem é que, na Bienal do Livro do Rio de 2009, eu já participei de uma coletânea de contos, junto a outros autores. Chamava-se Contos de Todos Nós, lançado pela Hama Editora, num projeto ambicioso de tentar demonstrar a possibilidade de o meio editorial ser mais ágil. A editora recebeu mais de 700 contos no primeiro fim de semana da Bienal, selecionou 20 ao longo da semana, diagramou, rodou e publicou o livro no segundo fim de semana.

Foi depois de ler sobre a iniciativa no blog do Ancelmo Góis, uma nota do jornalista Aydano André Motta (quem eu admirava desde os tempos de Bonequinho do Globo e com quem trocava umas figurinhas de vez em quando) que resolvi ir lá. Foi uma emoção tão grande saber que logo o meu conto mais antigo ainda guardado, Dominação, havia sido escolhido entre as centenas de materiais. E a certeza de que aquela poderia ser a porta para publicar, finalmente, uma coletânea somente minha.

Mas levaram mais de dois anos para eu ter coragem de enviar o material completo para outra editora, agora a Faces, da Bia Willcox (que acabou virando amiga e assina a orelha do meu mais recente livro, Perversão). Foi por meio do meu ex-aspira Breno Barreto (hoje mestre no meio editorial) que fui parar lá com o Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades. Lembro-me da euforia de receber a notícia, por e-mail, de que haviam gostado do meu livro e que queriam publicar. E Bia ainda foi, de cara, entusiasta do Perversão, que estava sendo gestado.

A Faces encerrou suas atividades e, anos depois, com o Perversão pronto, foi a Autografia Editora que me abriu as portas. Havia conhecido seu dono, Marcelo Pinho, num trabalho de assessoria de comunicação. Ele sempre dizia que queria publicá-lo. Lá fomos nós. E ainda fez a segunda edição do Desilusões....

Esse ano, no fim de semana passado, pude retornar à Bienal. Foi a segunda vez como autor (a primeira fora em 2009, no lançamento do Contos de Todos Nós), mas a primeira com dois livros de minha inteira autoria. Chegar ao estande da Autografia, ao lado de grandes editoras como Rocco e Companhia das Letras, e encontrar os dois “filhos” em destaque em uma das prateleiras foi outro momento daqueles que a gente não esquece. Bienal que acompanho desde 1997 e quando comprei meu primeiro livro por lá, O Xangô de Baker Street, de Jô Soares, não poderia imaginar que teria concretizado anos depois alguns sonhos de menino-escritor.

Cinco anos atrás, eu era um autor enlouquecido, autografando dezenas de livros, orgulhoso e feliz. Via a felicidade também nos rostos dos presentes, gente que fez questão de prestigiar a noite, alguns que vieram até de Brasília e saíram de mãos abanando porque a tiragem esgotou rapidamente. Passei por isso novamente em 2016. E sei que passarei quantas vezes publicar, pois é como o nascimento de um filho mesmo: por mais que tenhamos passado por um antes, cada um é único e tem o seu valor.

Ser um escritor é a reafirmação de eu ser quem sou.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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