terça-feira, 12 de setembro de 2017

Pais e Filhos, Filhos e Pais





Dia desses viralizou uma brincadeira feita pelos pais de Maysa, que se formou em Jornalismo, e foi surpreendida por eles, que levaram este cartaz:



HAHAHAHAHA! De novo, foi uma brincadeira, e eu dei bastante risada, mas fiquei pensando numa coisa: quantos pais não fazem isso de brincadeira? Teve uma novela da Globo que tinha o núcleo da mãe que nunca conseguiu ser bailarina, então projetou o sonho perdido na filha, o que foi um puta tormento pra criança, já que ela queria... bem, ser uma criança, mas a mãe a privava de muitas coisas por conta do sonho, e fazia da vida da menina um inferno.

Os pais da Maysa, apesar de apostarem em Direito para ela, apoiaram a decisão da filha, mas infelizmente essa não é a realidade de muita gente. O filho quer ser professor de Geografia, os pais querem que ele seja Engenheiro. A filha quer ser técnica em Segurança do Trabalho, os pais querem que ela faça Medicina. A filha quer ser professora de Música, os pais querem que ela seja Contadora. E assim começa uma perigosa batalha: Pais versus Filhos, Filhos versus Pais (que bíblico, não?).

O que acontece? Bem, muitas vezes são ditas coisas como: "Medicina é o que dá dinheiro! Vai ficar trabalhando com peão? Isso não é coisa pra mulher!", ou então: "Se eu fosse você, faria Contabilidade, tá vendo como que professor sofre nesse país, né, filha?", e também: "Ah é? Quer cursar Artes? Então você que se vire pra pagar esse curso, ou vai tentar Federal, porque do meu dinheiro você não usa, não enquanto estiver debaixo do nosso teto.".

Das duas uma: ou os pais transformam o(a) filho(a) numa pessoa mimada, do tipo "A bola é minha, só brinca quem eu quiser e quando eu quiser.", sabem? Aquela pessoa bem odiosa, que reclama de qualquer coisa, afinal, os pais eram assim, tudo tinha que ser de acordo com o que ELES quisessem, não havia espaço para discussão; ou perde a oportunidade de fazer parte desse momento, porque a pessoa sai de casa, vai morar com amigos, se vendo numa situação de ter que trabalhar com absolutamente qualquer coisa pra bancar os estudos e a vida. Tudo porque papai e mamãe não quiseram ajudar, afinal, foda-se a escolha da(o) filha(o), né? Dois cavalos velhos com mentalidade de 23/24 anos estão totalmente certos mesmo, tem que censurar, tem que tentar boicotar o próprio fruto matrimonial (falei bonito agora, não falei? É porque não quero ficar repetindo filho(a)).

Tem também o fato de que a pessoa, pra não ter que sair de casa, seja por não ter pra onde ir, ou por puro medo de se jogar às cegas numa aventura, acaba cedendo à ameaça dos pais e faz o que eles determinaram, ou porque o filho da vizinha cursou e conseguiu um emprego que ganha muito bem, ou porque é tradição familiar, enfim e enfim. Aí vai lá a criatura entrar em depressão após certo período naquele curso enfadonho de Arquitetura, quando, na verdade, ela sabe que deveria estar cursando História. Os dias vão passando, a vida vai se tornando frustrante, a pressão dentro de casa aumenta, afinal, todos querem ver o resultado do experimento, e como a cobaia vai se sair. E a "cobaia" fica deprimida, cheia de problemas, aí os pais reprimem dizendo que é frescura, coisa de más companhias, que isso não existe, e esse tipo de discurso miserável.

Lendo tudo isso, você aí do outro lado pode estar pensando que "Ah, isso é fantasia da sua cabeça, seu esquerdista!", mas infelizmente, não é. O objetivo desse texto é, simplesmente, dizer que Pais são Pais e Filhos são Filhos. Uns vão amar seguir a carreira Militar, outros vão se sentir orgulhosos em manter a tradição da família em cursar uma profissão que já existe há tempos, mas existe aquela parcela que não vai levar tão na boa assim, e ela PRECISA ser ouvida, precisa ser entendida, e mesmo que você não concorde com o rumo profissional que seus filhos desejam tomar, a missão de vocês é alertá-los e apoiá-los, afinal, é o sonho DELES, o desejo DELES, não os seus. 

Não adianta chegar com quatro, cinco, pedras na mão, dizendo "Ou faz ou tá na rua" porque não funciona assim. São jovens cheios de medos, anseios, opiniões, questões mal resolvidas, e a última coisa da qual eles precisam é de alguém tentando manipular o destino deles. Mostrar o caminho é muito melhor do que sequestrar a pessoa e jogar ela nele, sem saber como ela foi parar lá, o que tem que fazer e como faz pra sair dali.

Até a próxima terça!

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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