segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Tijuca Mirim e Pico da Tijuca: Uma Aventura Moderada Para Trilheiros





Há três meses, uma amiga me disse que iria fazer a trilha da Pedra Bonita com outras duas amigas. E eu, sempre avesso a esse tipo de aventura, disse que iria também. A surpreendi, mas eu realmente queria fazer o passeio. Na verdade, estou numa fase de desconstrução, tentando viver outras experiências e tirando proveito de coisas novas e que eu normalmente não faria. A trilha pra Pedra Bonita foi maravilhosa e rendeu até um post aqui, em que eu descrevia e indicava o passeio.

E foi nesse dia que decidimos tornar as trilhas uma rotina mensal em nossas vidas, escolhendo um destino para ser desbravado a cada mês, com o mesmo grupo ou até mesmo com pessoas novas que quisessem se juntar a nós. Depois da Pedra Bonita, resolvemos fazer outra trilha fácil, a do Morro da Urca, que encaramos em julho (no dia seguinte ao meu aniversário e que eu fiz "virado" depois de uma noite de muitas comemorações e muito álcool - e foi ótimo mesmo assim!). E nosso último destino foi o Pico da Tijuca, que visitamos no último sábado.

O Pico da Tijuca, perto das nossas duas trilhas anteriores, foi o mais "difícil" comparativamente. Enquanto as duas outras trilhas foram perfeitamente concluídas em apenas 30 minutos pra subir, o Pico da Tijuca demorou quase 1 hora e 30. Foi também a trilha mais íngreme que encaramos e, pelo horário que escolhemos subir, a mais vazia (sério, as trilhas da Pedra Bonita e do Morro da Urca pareciam até shopping center em véspera de feriado de tanta gente subindo e descendo que encontramos pelo caminho). Mas, ele continua no nosso nível básico de delícia e prazer de encarar o desafio e se encantar com o visual do Rio visto lá de cima.

Localizado dentro da Floresta da Tijuca, a trilha tem início no Largo do Bom Retiro, que fica dentro do Parque da Tijuca. Para se chegar nele, temos que seguir até a Praça Afonso Vizeu, na Estrada do Alto da Boa Vista. Da praça até o Largo são mais quatro quilômetros que podem ser encarados de caminhada ou de carro, já que o transporte público não chega até lá. Nós fomos de carro e tivemos uma surpresa: não é cobrado o estacionamento e fomos atendidos por funcionários muitíssimos simpáticos, que nos receberam com sorrisos no rosto e prontos para nos indicarem o caminho para a trilha. Foi realmente surpreendente.

No mesmo ponto de partida é possível ir para cinco destinos: Pico da Tijuca, Tijuca Mirim, Bico do Papagaio, Morro do Archer e Morro da Cocanha. As trilhas são bem sinalizadas e de fácil localização. Seguimos a indicação para o Pico da Tijuca e começamos a nossa caminhada.

Protegidos pelas sombras das árvores, fomos conversando bobagens aleatórias, rindo e nos divertindo, subindo e subindo. Como é uma trilha bem fechada, só começamos a avistar a cidade lá embaixo quando já estamos bem no alto e foi quase lá em cima que tive a primeira surpresa: em uma bifurcação é possível ir ate o Tijuca Mirim, que nos dá uma visão maravilhosa de toda a Zona Norte do Rio, que é deslumbrante lá de cima. E esse desvio não te custa nem 5 minutos da trilha principal, que vale muito a pena. Para mim, que tinha registrado que ia ao Pico da Tijuca, conhecer o Tijuca Mirim foi como um bônus.

Depois de muitas fotos e de muito frio (estava ventando muito lá em cima, com rajadas congelantes), voltamos à trilha principal para chegarmos até o topo do Pico da Tijuca. E quando chegamos à base do topo é que vem a surpresa, já que o caminho final até lá é feito por uma escadaria feita na pedra, que é linda por si só, mas que oferece também um visual arrebatador enquanto subimos. É indescritível.

Quando finalmente chegamos ao topo, somos brindados com uma vista do Rio de Janeiro em 360 graus, dando para ver toda a extensão da orla da cidade, além de cartões postais como o Cristo Redentor, o Maracanã, a ponte Rio-Niterói e a Lagoa Rodrigo de Freitas. Foi com esse cenário que nos acomodamos e fizemos um lanche delicioso, para repor as energias e encarar a descida de volta. 

O legal dessas trilhas mensais é que eu já estou começando a ansiar por elas. O preguiçoso-mór aqui agora já faz planos, quer saber da próxima, se empolga e espera ansioso por esses momentos junto aos amigos. E a sensação boa de estar em contato com a natureza, sentindo aquele cheirinho gostoso de mato e de liberdade é indescritível.

Por isso, acho maravilhoso que nosso pequeno grupo de trilhas vingou e que já tenhamos cumprido três belas missões, com resultados maravilhosos. E que venham mais e mais trilhas junto com eles!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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