sábado, 2 de setembro de 2017

Troca-Troca: Éramos Seis





É só isso. Não tem mais jeito. Acabou. Boa sorte. Parafraseando de forma meio piegas Vanessa da Matta e Ben Harper, a gente se despede, agradece e deseja os nossos melhores votos ao Esdras Bailone, companheiro de Barba Feita aos sábados desde a sua fundação, quase três anos atrás. Também piegas é o título do texto, a gente sabe. Mas não poderíamos perder a oportunidade de usar o trocadilho, porém com um alerta: éramos seis e não seremos mais.

Esdras não será substituído. Poderíamos aqui adotar um discurso de valorização do nosso colega, dizendo que ele é insubstituível. Na verdade, ele é ímpar e único, mas não é insubstituível. Outros dois colunistas originais do Barba Feita já nos deixaram e foram brilhantemente sucedidos (a gente puxa saco mesmo, tá?). Fato é que percebemos que, com um colunista cada dia, faltava um momento em que conseguíssemos amarrar o que cada um falava. Enxergar o Barba Feita como um time mesmo, e não como um bando de pensadores isolados.

Por esse motivo, nasce hoje a coluna Troca-Troca. Todo sábado, juntaremos os cinco colunistas remanescentes do Barba Feita para debater um tema livre, num literal cinco contra um (estamos adorando todos os trocadilhos que essa coluna permite!). Pode ser o assunto da semana ou uma ideia que nunca morre. O que importa é que, nessa coluna de nome sugestivo, você poderá acompanhar, brevemente, o que cada um pensa sobre um determinado tema. Sem o compromisso com a concordância ou a divergência, somente com a oportunidade de ouvir opiniões distintas e, ainda assim, todo mundo seguir civilizadamente amigo e de bem com o outro. Legal, né?

Pra começar, resolvemos falar justamente do que enxergamos após essa saída do Esdras, sobre o que é a nossa trajetória no Barba Feita e como chegamos até aqui.

Então, bora fazer um Troca-Troca gostoso?


Sou o dono dessa porra toda, devo confessar. Eu tive a ideia, eu chamei os meninos, eu que edito cada texto aqui publicado e me desespero com qualquer eventual problema, toda semana. Mas eu amo isso aqui. Porque escrever me faz bem, me acalma. E a obrigação de uma coluna semanal me desafia e me disciplina de uma forma que eu não imaginava possível. Fora que aqui sou normalmente eu, o Leandro de verdade, quase sem amarras. Porque sim, eu escrevo e, na maioria das vezes, coloco o texto no ar, mesmo com a insegurança que surge ao pensar: mas o que vão achar da minha opinião e postura sobre isso?

Em quase quatro anos de Barba Feita eu mudei bastante. Troquei o status de relacionamento, me tornei mais ansioso e impaciente, mas também mais prático e objetivo. E ser lido e ter o retorno depois de cada texto é muito gratificante. Conversar com um amigo de longa data e de quem eu estava afastado só porque ele me leu aqui e quis falar sobre um problema em comum; rir com os colegas de trabalho por uma história que contei e que a maioria deles acha que é ficção (e não é); ver um conto outrora guardado numa pasta ser lido e aqui compartilhado. Escrever faz bem. A mim, pelo menos. 
Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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Escrever para o Barba é um desafio semanal. Entre a correria da vida, trabalhos, prazos, noites mal dormidas, a gente ainda consegue tirar lá do fundo do âmago um tema pra cada dia da semana. Claro, nem sempre é O texto, mas a gente faz o melhor pra poder fazer valer a pena a sua visita diária. E se com seis já era um desafio gigante, imagina agora que somos cinco? Imagina agora que seremos cinco para sempre? Rolou um pânico? Alguém chorou? Uma velha peidou? Esdras foi ameaçado de morte? Talvez tenha acontecido tudo isso, talvez não, mas o que realmente importa é que a saída do Esdras criou um sentimento de unidade no grupo (assim mesmo, vem evangelicamente falando), e o melhor: vamos poder falar mal dele no grupo! Mentira, Esdras, a gente te ama! 

Não é fácil vir aqui e colocar um texto no ar sem aquele medo costumeiro: "As pessoas vão gostar do que está escrito? Falei bem? Falei merda?", mas aprendemos com o Barba que alguém vai sempre se identificar com o que dissermos. Sempre vai haver uma voz contando tudo de nós alguém do outro lado da tela que vai ler um texto no Barba e pensar: "Caramba, sou eu ali...", e é isso que nos dá ânimo suficiente pra continuar, pra chegar em casa depois de um dia de trabalho árduo, sentar a bunda na cadeira, na cama, ou onde quer que a sua imaginação prefira, e escrever, formatar, escolher uma foto de capa, compartilhar e seguir em frente.
Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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Paulo Henrique Brazão

Cheguei ao Barba Feita como um substituto, logo nos primeiros meses de existência do blog. Por esse motivo, sei que idas e vindas em um time são comuns. Ouvi dos demais colegas que depois da minha chegada, parecia que estávamos completos e unidos como grupo. Depois, tive a oportunidade de indicar o meu amigo pessoal Marcos Araújo para as sextas-feiras, também substituindo o Serginho Tavares. Acho que todas as formações desse grupo tiveram seu valor e sua história e agora optarmos por ter uma coluna para nós cinco é mais um avanço.

Creio que o que me faz estar até aqui hoje é justamente o que repeliu o nosso amigo Esdras: a obrigação de parar em algum momento da minha semana para pensar no que escrever. Sim, é suado e trabalhoso. Às vezes chega a ser sacrificante. Em uma rotina tão apertada quanto a nossa ter esse momento. Mas com tantos retornos positivos, pessoa que vêm comentar com você pessoalmente e que você nem imagina que seriam seus leitores assíduos, pessoas que externam que gostam da forma como você enxerga o mundo e traduz isso em palavras... Acho que tem que seguir aquela máxima de que escrita é muito mais transpiração que inspiração. E dessa forma, transformamos o prazer em ofício e vice-versa.

Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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Vim parar no Barba através do Leco. Já nos conhecíamos virtualmente e pessoalmente. Ele sabia do meu amor por séries, novelas, ursinhos de vodka e música pop. E quando o convite veio eu só pude dizer sim! Queria escrever toda semana um texto novo. Me sentir meio Fernanda Torres e Gregório Duvivier, que escrevem para suas colunas em jornais, revistas e eventuais livros.

A tarefa é complicada e desafiadora, mas eu amo! Tem vezes que a inspiração escolhe o tema e o texto flui que é uma beleza! Só que tem vezes que não temos nada. O mundo produz tanta pauta merda que, às vezes, é bom fingir que nem aconteceu. Pra que abordar um assunto que por vezes já é difícil de engolir, não é Donald Trump? Só que esse exercício de ter um texto novo toda semana me ajuda a ser um Silvestre melhor. Ler o que é produzido pelos outros meninos me inspira e algumas vezes me deixa com raiva, Ainda mais quando Leandro tem epifanias textuais, Glauco cria contos tão envolventes, PH analisa algo de uma forma tão certeira e pontual. Marcos então, um especialista em textos críticos musicais e vida. A especialidade de Esdras era focar em reflexões do nosso comportamento gay/humano. Serginho sempre trouxe suas doses de ferocidade em seus apontamentos. Ou seja, escrever aqui me ajuda a ser melhor por conta de cada um que faz esse espaço todos os dias. Não posso e não quero deixar de citar Nanda Prates, que fez os domingos mais especiais quando escreveu em suas participações!

O Barba é um espaço destinado pra isso! A gente falar e trocar com quem nós lê! E ter todos reunidos é uma forma de vocês se sentirem mais próximos, como se estivesses na Casa do Leandro, por exemplo. Com direito a bebidas, comidas, muitas risadas e assuntos polêmicos. Resumindo: isso aqui será bem divertido!

Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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Antes de fazer parte do time oficial dos “barbas”, como carinhosamente nos chamamos, participei como colunista convidado por três vezes. Quando veio o convite oficial do querido PH para substituir o Serginho, bateu aquele frio na barriga. Será que eu conseguiria toda semana ter a inspiração e criatividade para assinar a coluna? Antes de aceitar, conclamei por todos os santos literários. “Que São Neruda me auxilie nas idéias. Que Santa Lispector me permita ser intenso. Que o Arcanjo Guimarães Rosa me ilumine com muitos neologismos.” No primeiro texto que escrevi oficialmente para o Barba Feita, em junho de 2016, já revelei essa dicotomia da sensação amedrontadora: Pablo Neruda dizia que "escrever é fácil: você começa com maiúscula e termina com ponto. No meio, você coloca ideias". Clarice Lispector já dizia o contrário. Dizia que "não é fácil escrever, é duro como quebrar rochas, mas voam faíscas e lascas como aço espelhado".

E mesmo com todos os medos, acho que está dando certo. Desde então, foram já 65 colunas. E olhando para trás, é engraçado observar como, em muitas vezes, nossas opiniões convergem. Com o PH, então... Nem se fala! Fomos influenciados a entrar no universo literário, ainda crianças, mas em períodos diferentes, pelo mesmo conto assustador de Lygia Fagundes Telles! O Glauco (que ainda nem conheço pessoalmente) muitas e muitas vezes já me fez ficar emocionado com contos que poderiam ter sido escritos por mim! E como deixar de falar das risadas que já dei com as ironias do Silvestre e me surpreender com a fluência dos textos do Leandro? Definitivamente, é um senhor time! Um time que fez o meu medo se dissipar ao longo do tempo. Escrevemos o que dá na nossa telha e, com mais ou com menos inspiração, continuamos tentando roubar alguns minutos de seu tempo. Ainda temos muito o que dizer, podem ter certeza disso.
Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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