terça-feira, 31 de outubro de 2017

Os Silêncios Também Fazem Parte da Vida





Ai, ai, sabe? A vida é engraçada. Mas só às vezes.

E aí, como é que ceis tão? Por aqui tá tudo indo.

Há uns meses atrás estávamos trabalhando no programa Do Sagrado ao Profano, do coro que faço parte, e em uma das músicas (Bogoroditse Devo - Ave Maria em russo, composta por Sergei Rachmaninoff) as Contraltos tinham a melodia no final da primeira página, e nós, os outros naipes, ficávamos em segundo plano. Bem, pelo menos era o que devia ter acontecido, mas não foi assim de primeira, afinal, ninguém é perfeito. Foi então que nosso querido maestro Per Ekedahl, nos disse: 
"Vocês precisam ouvir a melodia das Contraltos. Se você não ouve a melodia, é porque está cantando alto demais."
Não preciso dizer que isso ficou na minha cabeça, certo? Pois é, ficou. Desde então venho refletindo sobre diversas coisas que estão acontecendo na minha vida, e o que eu devo fazer pra corrigir isso, o que estou deixando passar, qual é o propósito disso tudo. Aí, dia desses, fui conversar com uma colega do coro, pedir umas indicações de trabalhos, aulas, coros, essas coisas, e ela simplesmente completou tudo o que eu vinha pensando a respeito do meu propósito, e o melhor: sem querer! Eu nem mencionei nada pra ela, apenas comentei algo e ela me deu esse tapa nas costas, daqueles que quase deslocam a clavícula.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Dracarys! Por Favor, Matem o Presidente!





Eu não sei vocês, mas eu ando desanimado. A vida está difícil e até ficar bem informado vem me esgotando mentalmente. É quase um esforço diário permanecer lúcido em meio a tantas notícias desanimadoras, que parecem sugar as nossas energias. A vontade que eu tenho, sinceramente, é de invocar a Daenerys Targaryen e gritar: Dracarys! 

Eu nunca gostei muito de política. Sei que é necessária e até mesmo devemos exercê-la em nosso cotidiano. Mas parece que estamos nos afogando na lama. O mais triste, entretanto, é que os nossos representantes são exatamente isso, por mais doloroso que seja para nós admitirmos: um espelho da nossa população.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Tão Jovens e Tão Cruéis





Na última semana, mais uma vez o assunto bullying voltou aos noticiários com o caso do estudante de 13 anos que matou dois e deixou outros feridos em uma escola particular em Goiânia. O menino, que estudava no 8º ano da escola, decidiu se vingar pela suposta perseguição que sofria pelos amigos por problemas relacionados ao excesso de transpiração: pegou a arma do pai, que é coronel da PM, e abriu fogo contra os colegas de turma.

Desde que eu me entendo de gente, o bullying sempre existiu. Na minha época de colégio, ainda não tinha esse nome. Na verdade, o bullying nem tinha nome. Todos eram zoados e alguns, de forma bem cruel, inclusive. Por ser muito tímido, passei minha adolescência inteira sendo perseguido. Além da timidez, usava uns óculos horríveis, era um magro desajeitado, detestava educação física, meu cabelo era todo desgrenhado de tão encaracolado e meus dentes da frente eram muito separados. Me colocavam apelidos que iam desde “tempo vago” e “quatro-olho” até “cabelo de Bombril” e “olívia-palito”.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Anitta no Prêmio Multishow 2017: O Errado Que Deu Muito Certo!





Não adianta. Hoje é quinta-feira, mas o evento mais esperado do mês (ou podemos dizer da semana) era o Prêmio Multishow. E a responsável por isso tem um nome só: Anitta (que também podemos chamar de Anira ou Larissa, mas vocês entenderam o que quis dizer)!

Em 2016 não teve pra ninguém. Anitta pisou no palco do Prêmio Multishow e fez um medley com seus sucessos, ao menos os maiores, e entrou para história. Só que o que ela fez no ano passado não foi nada inédito na história da música pop mundial, mas na brasileira, e do modo como foi feito, meu amor, foi um divisor de águas. Tanto que se você parar para assistir a performance vai achar que aconteceu uns dois anos atrás. E não digo isso porque ficou datado ou algo do tipo, mas Anitta fez tanta coisa de outubro de 2016 até agora, outubro de 2017, que nem parece que só um ano se passou.

Mas quando você faz algo que ninguém espera e dá mega certo, sabe o que acontece? Cria expectativa e expectativa é, por si só, uma grande merda!

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Venha Ver o Arco-Íris





Havia quase dois anos que não se viam. A última visão que tivera de Vicente foi quando o mesmo partiu de sua casa, de malas cheias. Nunca esquecera aquela tarde e noite de longas súplicas, prantos que beiravam a histeria, humilhações como tentativa de manter o amado. Tudo em vão. Partira em sua camiseta regata branca e o cabelo meticulosamente penteado, como sempre. Ricardo, esgotado em suas possibilidades de argumentar com o amor de sua vida, no chão ficou, molhado, num misto de lágrimas dos dois e suor dele próprio.

- Quanto tempo, meu querido Vicente!

O outro abriu um sorriso entre a barba, sob o mesmo cabelo engenhosamente arrumado:

- Que bom te ver bem, Rick.

Abraçaram-se naquela alameda de paralelepípedos, cheia de ervas daninhas nas junções, de tão mal cuidada. O vento quente e as cinzentas nuvens mostravam que poderia vir uma chuva de verão daquelas a qualquer momento. O perfume ainda era o mesmo e trouxe, junto com ele, memórias afetivas e sexuais quase impronunciáveis.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Histórias de Bêbado!






Eu pensei em começar o texto com "Eu bebo sim e tô vivendo...", mas ia ficar óbvio demais, então OI, GENTE! Sim, no texto de hoje eu vou falar um pouco das minhas histórias de bebedeira, porque né, a gente nunca se expõe o suficiente na Internet.

Teve uma vez que eu quase apanhei numa balada hétero (era só o que eu tinha, afinal, não tinha nenhum gay na minha vida até então). Era noite de vodca liberada, e eu tava com a grana curta, então o que o bonitão aqui fez? Agiu como um autêntico russo e bebeu vodca pura, sem gelo, sem energético, sem absolutamente nada. Eu fui intercalando as doses com energético e sem até onde deu, quando, de repente... me lembro de surgir do lado de fora da boate, com uma lata de Coca-Cola na mão, perguntando: "Quem foi que me deu essa Coca?!". Acontece que me tiraram de lá porque eu puxei um cara pra junto de mim, e quando ele foi me bater, o pessoal que tava comigo (brigado, Rodrigo por me livrar de um olho roxo) interferiu! Voltei logo depois, e só lembro de tentar pegar um copo de vodca, mas me deram uma garrafinha de água, o que me frustrou, mas ok. Cheguei em casa sem saber como, acordei com tudo girando e prometendo que jamais faria aquilo de novo, que só beberia quando tivesse dinheiro pra beber de forma decente. E foi o que aconteceu, exatamente uma semana depois, quando me contaram o que aconteceu. E eu ouvindo, enquanto bebia o que? Sim, vodca, só que dessa vez, com energético, afinal, ninguém é de ferro, certo?

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A Comédia Divina do Sorriso Amarelo





Livremente baseado no conto A Igreja do Diabo, da obra de Machado de Assis, o novo longa nacional, A Comédia Divina, estrelado por Monica Iozzi e Murilo Rosa, chegou aos cinemas na última semana. Mantendo a tendência do cinema nacional de investir no filão das comédias, o filme tenta divertir e atrair o grande público ao contar uma história que brinca com a fé, Deus, o Diabo e a natureza humana. 

Na trama, temos um Diabo (Murilo Rosa) preocupado com a sua baixa popularidade. Tratado com desdém e pouco caso pela humanidade, além de sentindo-se eternamente renegado por Deus (Zezé Motta), ele decide abrir a sua própria igreja, onde a permissão e os pecados são bem vindos. Usando a televisão e os desejos humanos para angariar seguidores, o Diabo tenta ser bem sucedido na luta de popularidade contra Deus, usando o talento de Raquel (Monica Iozzi), uma ambiciosa jornalista que faz de tudo para o sucesso.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Frutas Estranhas





No meu primeiro livro há um pequeno conto chamado As horas, em que eu observo como as pessoas vão perdendo suas referências quando a velhice chega.  Há um determinado momento que vamos nos tornando sozinhos com a perda dos amigos e parentes que construíram nossa referência.  E assim, com nossa história e experiência, vamos nos tornando referências para outras pessoas e assim por diante, um eterno F5. 

Hoje vou escrever pouco.  Queria escrever um texto cheio de referências, mas tenho notado que a cada dia que passa, as tenho perdido.  E antes que você me chame de solitário, eu já digo que isso não é verdade.  Tenho muitos amigos.  E só estou triste hoje pois estou cansado...

Essa semana fiquei meio atordoado com aquele massacre na Somália.  E o que mais me deixou desnorteado foi perceber que a porra de um movimentozinho de merda, de um bandozinho de aspirantes a politiquinhos medíocres e tão incompetentes quanto os atuais, tem mais alcance nas redes com comentários histriônicos e hipócritas de uma população que se incomoda com um homem nu.  Um bando de gente imbecil que confunde uma propaganda de Polenguinho com uma referência ao disco The Dark Side Of The Moon, do Pink Floyd, com a bandeira LGBT!  Uma população que acha que o Sargento Pimenta é somente um bloco de carnaval! Dê à população pão e circo!  Panis et circenses!  Dêem a eles um mês de promoções no supermercados Guanabara, uma goleada do time do coração no campeonato carioca e um feriadão prolongado com sol.  A quem importa um massacre de centenas de negros, pobres, muçulmanos e africanos? 

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A IZA Chegou!





A música pop no Brasil está viva! E Iza, finalmente, chegou para abalar todas as estruturas. Conheci o som da moça em março do ano passado. A pessoa responsável por esse primeiro contato foi a Jout Jout. Sim, Iza e Jout Jout são amigas da época de faculdade e até criaram os seus respectivos canais na mesma época. Tudo isso, inclusive, tá explicado nesse mesmo vídeo que fizeram juntas e foi publicado no canal da própria Iza

Logo após conhecer um pouco da história e potência vocal de Iza, fui procurar os vídeos que ela já havia publicado, e me apaixonei instantaneamente. Que voz era aquela? Como alguém cantando daquela maneira não estava com contrato com uma gravadora e fazendo sucesso? Bem, na época eu acho que uma gravadora já estava de olho…

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A Felicidade





Felicidade é o maior ativo de um ser humano. Não há quem não tenha buscado ser feliz na vida, ainda que por um instante. Não à toa, vivemos também uma epidemia de depressão: nos cobramos cada vez mais de ser felizes a qualquer custo – e, quando vem a frustração, não sabemos nos reerguer e voltar a buscar a felicidade que antes procurávamos, ainda que em outras bandas.

Lembro-me de uma musiquinha infantil de quando eu era criança que dizia: “perguntei pro céu, perguntei pro mar, prum mágico chinês, mas parece que ninguém sabe aonde a felicidade resolveu de vez morar”. Enfim, onde mora a felicidade? No que ela de fato consiste?

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A Verdade Libertadora





Paulo estava tão ansioso quanto no primeiro encontro com Samantha. Mais, até! Andava de um lado para o outro na sala do apartamento, passando as mãos nos cabelos, olhando para as janelas dos apartamentos vizinhos da sacada da sala, roendo as unhas, respirando de forma acelerada. Torcia para que ainda desse tempo, para que Samantha não tivesse desistido.

Samantha se identificou para o porteiro, que já a conhecia. O homem careca deu um sorriso e apertou o botão para que ela entrasse. Atravessou o pátio cimentado, virando à esquerda em direção ao segundo bloco. Apertou as mãos nos bolsos do sobretudo preto, encolhendo os ombros quando atingida por uma brisa. Usou a cópia da chave para abrir a porta, e assim que o fez, respirou fundo e subiu.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Brotheragem e Sigilão





Sempre achei engraçada a expressão não-gay-hetero-fora-do-meio "no sigilo", mais popularmente conhecida como "sigilão". Porque sim, naquela época em que eu não sabia ou fingia não saber o que era, do que gostava, como me sentia, eu era do tipo discreto e fora do meio. E ali, no interior do Rio de Janeiro, vivendo na minha Smallville particular, o sigilo era fundamental. Pensem bem. Estou falando do início dos anos 2000, quando ainda não existiam os APPs de pegação e o bate-papo do UOL ainda era a principal fonte para se conhecer pessoas pela internet.

O tempo passou, a humanidade evoluiu mas as coisas continuam iguais. Eu assumi a minha própria hipocrisia e tenho tentado levar uma vida descomplicada, mas a realidade é que o sigilão continua aí à nossa volta, agora com a companhia de outra expressão que se popularizou nos últimos tempos, a "brotheragem". Nos perfis do Grindr e do Hornet, onde troncos e costas se oferecem para sexo rápido e sem compromisso, sempre no sigilo. E, claro, no bate-papo UOL, que ainda existe (eu juro, fiz um teste para escrever esse texto) e as salas estão lotadas de homens comprometidos que buscam alivio de suas necessidades sexuais, sempre no sigilo e escondidos de suas vidas e suas mulheres.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Urbana Legio Omnia Vincit - A Legião Urbana Vence Tudo




E lá se foram 21 anos da morte de Renato Russo, completados esta última semana.  Se estivesse vivo, seria quase um sessentão.  É estranho, mas de vez em quando fico me perguntando como estariam as pessoas que morreram cedo demais no nosso mundo atual.  Como agiriam Jim Morrisson, Jimmy Hendrix e Janis Joplin, mortos aos 27 anos num corpo de 75?  Será que Kurt Cobain continuaria destruindo guitarras e nossos tímpanos com 50 anos?  John Lennon, quase octagenário, estaria ainda promovendo a paz num mundo entre o ditador Kim Jong-Um e Donald Trump? E Michael Jackson, aos 60, ainda seria um vovô com o espírito de Peter Pan na sua Terra do Nunca?

É tão estranho / Os bons morrem jovens /  Assim parece ser / Quando me lembro de você...”  Esse é o trecho da canção Love in the Afternoon, composta por Renato Russo, presente no disco O Descobrimento do Brasil, da Legião Urbana.  Isso foi em 1993, três anos antes de sua morte.  Quando gravou esse sexto álbum de estúdio, Renato, que tinha iniciado um tratamento para se livrar da dependência química, certamente já sabia que estava doente.  Naquela época, ter o vírus da AIDS era a mesma coisa do que assinar a sentença de morte, que vinha antecipada.  Cazuza, outro talento que morreu devido às complicações da doença já tinha dito que havia visto “a cara da morte e ela estava viva”.  E nessa onda perdemos tantos e tantos talentos...

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Outubro e os Astros




Sabe essas coisas de astral? Signo, ascendente, Lua, Marte, Vênus... Então, eu acredito muito. Não que isso determine a sua personalidade, mas que direcione tendências. Talvez esse interesse tenha surgido quando acompanhava Cavaleiros do Zodíaco. Passei a entender um cadinho de constelações, signos e mitologia grega por causa do desenho. Acredite ou não na força dos astros, eu tenho convicção de que existem momentos no astral em que as coisas ficam mais ou menos propícias a algo.

Por exemplo, o tal inferno astral 30 dias antes do aniversário. Há estudiosos que dizem que isso não existe na literatura astrológica e que teria mais a ver com estarmos com a bateria fraca de boas energias, pois nosso último aniversário (quando recebemos felicitações, beijos, abraços, carinhos que nos abastecem a alma de boas vibrações) já foi há 11 meses. Volta e meia tenho o tal inferno astral fora de época, que chamo carinhosamente de Micareta Astral. Há pouco passei por um desses momentos. Quando menos se espera, ele acaba, sem grades sequelas.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A Verdade de Paulo





Paulo se pegou olhando pela janela. Era segunda-feira, dez da manhã, ele simplesmente não devia estar olhando para a paisagem. Seu escritório ficava no centro da cidade, num dos prédios mais altos. Claro, não tinha dinheiro pra bancar uma sala daquele tamanho num prédio caro como aquele, mas resolveu seguir os conselhos da mãe e cobrar um favor aqui, outro ali, e pronto, conseguiu a sala praticamente de graça. Da janela de seu escritório ele tinha vista para o parque central, viaduto, prefeitura, Sesc da cidade, e condomínios que, apesar de serem caros, precisavam muito de uma reforma, ou pelo menos, uma melhorada na fachada. 

O estagiário de Administração tirou a mente de Paulo de onde quer que ela estivesse, trazendo-a para o presente. Pediu para que assinasse alguns documentos e, enquanto datava os mesmos com vinte e dois de Julho, algo começou a formigar em sua mente. "É verdade...", pensou, "...nosso aniversário de namoro é hoje... caramba, oito anos juntos...". Terminou de datar e assinar, e assim que o estagiário saiu, voltou a olhar pela janela. Tinha se esquecido do aniversário de namoro? Será que era por isso que Samantha estava cabisbaixa naquela semana? Ele não havia dito nada a respeito, afinal, com tanta coisa acontecendo, a luta diária que o escritório enfrentava pra manter os clientes junto com a caça a novos clientes... Com o país enfrentando sua pior crise em mais de cem anos, tudo podia acontecer. O amanhã era incerto, o ontem era uma lembrança dolorosa e o presente tinha gosto de café velho. Desde 2015 que Paulo não sabia o que era ir a um jogo do Fluminense. A camiseta oficial estava parada lá no guarda-roupas. Ir ao Maracanã?! O que era isso? De comer? Não só ao Maracanã, mas em qualquer outro estádio. Paulo só conseguia assistir jogos pela televisão. Ir a um estádio ficava caro, e mesmo ele tendo uma vida confortável, preferia usar o dinheiro que sobrava para investir no próprio futuro. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Três Filmes Espanhóis Surpreendentes e Obrigatórios





Quando se fala em cinema, é natural pensarmos nas produções americanas, já que são elas que dominam o mercado mundial, atraindo multidões e ocupando as salas mundo afora. E, talvez exatamente por isso, muitas vezes deixamos de assistir obras de outros países que podem ser tão boas ou melhores que os filmes americanos. Os cinemas brasileiro, argentino e espanhol, por exemplo, possuem grandes obras que, tantas vezes, acabam não conhecidas do grande público.

Por isso, faço hoje uma coluna especial para recomendar alguns bons exemplos de filmes espanhóis, disponíveis na Netflix, e que servem para aguçar um pouco mais a nossa curiosidade sobre a obra cinematográfica da Espanha, que possui outros bons realizadores além de Pedro Almodóvar. 

Vamos conferir a minha listinha?

sábado, 7 de outubro de 2017

Troca-Troca: Isso Nunca Me Aconteceu Antes?





É difícil um homem admitir, mas provavelmente ele já brochou um dia. Assim como bolos solam, carros morrem e seleções perdem de 7 x 1, todo homem está suscetível a falhar na hora da ereção. Aliás, seria falhar a palavra correta? É tanta expectativa pela penetração que se esquece que sexo é muito além disso. Tanta virilidade, tanta masculinidade depositada em uma ou duas dezenas de centímetros, ao mesmo tempo bombardeados por estresses, cobranças de desempenho digno de filme pornô, ansiedade, instabilidade de humor... Aí não há cabeça que aguente e faça o corpo funcionar plenamente sempre. E a pipa nem precisa ser do vovô para não subir, como na marchinha do Sílvio Santos.

Poucos sabem, mas nas relações homossexuais masculinas é onde há menos satisfação com o próprio pênis e a própria ereção. Justamente porque há comparações com o desempenho do parceiro. Muitos acabam recorrendo aos comprimidinhos azuis como uma tábua de salvação e acabam tendo performances que não são naturais. Vale a pena? Ou melhor encarar com naturalidade o “isso nunca me aconteceu antes” e buscar se divertir de outra forma?

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O Ódio Virtual é a Nova Versão do Holocausto





Para quem ainda não sabia a minha idade, chegou a hora de desvendar.  Nasci em 1969.  E, para contextualizá-los, época da guerra do Vietnã em pleno andamento, e da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética.  O mundo via a corrida espacial com a chegada do americano Neil Armstrong pisando o solo lunar pela primeira vez, e a liberdade flower-power do lendário Woodstock, o maior festival de rock de todos os tempos. Por mais incrível que pareça, este ano também marcou o “nascimento” do que viria ser, décadas depois, a internet.  Em outubro, a primeira mensagem foi enviada por um sistema chamado Arpanet, um embrião da rede mundial de computadores. 

Caos, guerra, tecnologia e contracultura caminhavam juntos, embolados como um universo em expansão após o Big-Bang.  No Brasil, vivíamos o auge do período da ditadura militar com o General do Exército Emílio Médici na presidência.   Apesar da divulgação de que o país vivia um momento de “milagre” com o crescimento da economia e projetos de desenvolvimento com a construção da Transamazônica, a Usina Hidrelétrica de Itaipú e a Ponte Rio-Niterói, existia o lado obscuro da repressão, a tortura e o assassinato de civis que eram contrários ao sistema governamental ou que emitiam qualquer manifestação de opinião.  Eram os chamados “anos de chumbo”, com a completa mordaça nos meios de comunicação, artes e cultura em geral.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Hipócritas Desde 1500





Muito já se falou sobre a nudez na obra do artista Wagner Miranda, no MAM de São Paulo, e o seu contato com uma criança durante uma performance. A tradicional família brasileira atacou novamente e, com agressividade, já o taxou de pedófilo (se você procurar por “artista pedófilo” no Google, já aparecem notícias sobre o episódio) e nojento. Sequer sabem do que se trata pedofilia. Não é de se surpreender, já que há quem se ofenda com uma mulher amamentando uma criança ou com duas pessoas que se amam abraçadas só por serem do mesmo sexo.

O Brasil não está tendo mais vergonha de mostrar a sua face mais retrógrada, quadrada e chata. Enquanto debatemos isso aqui, recebo a mensagem de um amigo que está na Alemanha e foi para um complexo de piscinas e saunas naturistas com famílias, inclusive sua irmã grávida de sete meses, rodeado de crianças. Todos nus, interagindo e sem qualquer conotação sexual. No Brasil, o falso moralismo impera desde 1500, quando os portugueses aqui chegaram e consideraram selvagens os homens nus e pagãos que aqui habitavam. Antes tivesse sido como no poema de Oswald de Andrade:

“Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português”

terça-feira, 3 de outubro de 2017

A Verdade de Samantha






Samantha estava sentada no banco da praça do centro da cidade. O dia estava lindo, poucas nuvens, céu azul, pequenos insetos voadores pra lá e pra cá em busca de alimento, pessoas indo e vindo, apressadas, outras, despreocupadas. Era seu dia de folga e, ao invés de perdê-lo dentro de casa, dormindo (o que seria mais do que compreensível depois de um plantão pesado de vinte e quatro horas), ela resolveu descansar por algumas poucas horas e ir em busca de vitamina D, ar fresco e o que quer que a tirasse de dentro do quarto. Tudo bem que ela poderia fazer isso no segundo dia de folga, ou até no último dia de folga, mas resolveu ir de uma vez, pois sempre que protelava, acabava desistindo.

Tinha feito uma caminhada curta ao som de uma das muitas playlists fitness do Spotify, inspirando e expirando, sentindo o vento bagunçar os cabelos castanho-claros que iam até os ombros, e a luz do sol entrar por sua pele branca. Parou na banca de jornais da praça, comprou uma revistinha de palavras cruzadas e uma caneta, sentou-se e começou a exercitar a mente. Dado momento, ela começou a observar o lugar onde estava. Os insetos, o sol, o vento, o céu, as nuvens, os insetos, as pessoas. Seu olhar seguiu um casal de mulheres. Uma negra de cabelo afro, na casa dos trinta, com roupa de corrida, alta e esguia. A outra, ruiva, mais baixa e também vestida com roupa de corrida. As duas se olhavam com tanto carinho e afeto, os sorrisos iluminando os rostos uma da outra. Sem perceber, Samantha também estava sorrindo. Havia tanto amor ali, mas tanto, que transbordava e atingia as pessoas ao redor. Ao perceber que estava sorrindo, ela riu do fato e voltou para sua revista, mas não conseguiu se concentrar.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Os Esqueletos no Armário





Quem nunca guardou um segredo, uma informação só sua, seu maior orgulho ou maior medo? Querendo ou não, todos temos os nossos segredos. Eles podem ser inconfessáveis, cheios de culpa ou não, ou pequenas besteiras, mas que fazemos questão de manter apenas para nós mesmos.

Durante um pouco mais de duas décadas eu escondia até de mim mesmo que gostava de homens. O meu segredo mais bem guardado e oculto, até de mim mesmo. Principalmente porque não aceitava isso, não queria ser diferente de ninguém. Era o meu esqueleto do armário, aquele segredo que me assombrava, que me fazia ter pesadelos de aceitação. Confess, confess!, gritava a minha consciência dentro da minha cabeça tal qual a Septa fazia para Cersey em Game of Thrones. E tudo que eu pensava era Shame! Shame!.