segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A Comédia Divina do Sorriso Amarelo





Livremente baseado no conto A Igreja do Diabo, da obra de Machado de Assis, o novo longa nacional, A Comédia Divina, estrelado por Monica Iozzi e Murilo Rosa, chegou aos cinemas na última semana. Mantendo a tendência do cinema nacional de investir no filão das comédias, o filme tenta divertir e atrair o grande público ao contar uma história que brinca com a fé, Deus, o Diabo e a natureza humana. 

Na trama, temos um Diabo (Murilo Rosa) preocupado com a sua baixa popularidade. Tratado com desdém e pouco caso pela humanidade, além de sentindo-se eternamente renegado por Deus (Zezé Motta), ele decide abrir a sua própria igreja, onde a permissão e os pecados são bem vindos. Usando a televisão e os desejos humanos para angariar seguidores, o Diabo tenta ser bem sucedido na luta de popularidade contra Deus, usando o talento de Raquel (Monica Iozzi), uma ambiciosa jornalista que faz de tudo para o sucesso.

Com algumas boas piadas, o longa é rápido em expor a sua trama e a mergulhar o público em sua história. Não existem personagens bidimensionais e é tudo muito claro e mastigado para o expectador. Mas, com a ideia de trazer o riso fácil, o filme muitas vezes descamba para as piadas sem graça e, apesar de curto, confesso, consultei meu relógio algumas vezes, desejando que o tempo passasse mais rápido e aquela história se encerrasse.

Boa atriz, Monica Iozzi está bem à vontade fazendo novamente um papel em que contracena com o Diabo, como o que fez na série Vade-Retro. A diferença aqui é que todos sabemos desde o início que Murilo Rosa é realmente o Diabo em pessoa, que veio à Terra resgatar a sua popularidade. Os atores dão conta do recado, mas o casal formado por Iozzi e Thiago Mendonça é um erro absurdo; Thiago não convence num personagem hetero, por mais que ele tente, fora que o Lucas, apaixonado por Raquel desde a faculdade, é absurdamente chato e nos dá sono em cada aparição na tela grande. 

Dirigido por Toni Venturi, A Comédia Divina desperdiça um plot interessante, cometendo um erro grave a toda comédia que se preze: ele não é um filme suficientemente engraçado. É uma comédia esquecível, que lembra um especial de televisão visto na tela grande. Arranca, no máximo e com muita boa vontade, um sorriso amarelo. E olhe lá.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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