segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Dracarys! Por Favor, Matem o Presidente!





Eu não sei vocês, mas eu ando desanimado. A vida está difícil e até ficar bem informado vem me esgotando mentalmente. É quase um esforço diário permanecer lúcido em meio a tantas notícias desanimadoras, que parecem sugar as nossas energias. A vontade que eu tenho, sinceramente, é de invocar a Daenerys Targaryen e gritar: Dracarys! 

Eu nunca gostei muito de política. Sei que é necessária e até mesmo devemos exercê-la em nosso cotidiano. Mas parece que estamos nos afogando na lama. O mais triste, entretanto, é que os nossos representantes são exatamente isso, por mais doloroso que seja para nós admitirmos: um espelho da nossa população.

Seja em Brasília ou no governos dos estados ou dos nossos municípios, a situação é desesperadora. E eu posso dizer isso com propriedade: eu moro no Rio de Janeiro, uma cidade que está nas mãos de um prefeito acéfalo e extremista religioso, que vem fazendo da cidade um púlpito para seus cultos. Marcelo Crivella é tudo aquilo que abomino em uma pessoa, personificada na figura de um religioso. Porque sim, eu luto diariamente contra a minha evangelicofobia, mas não está sendo fácil, não mesmo. 

Em Brasília, esse governo ilegítimo e criminoso vai nos conduzindo ao fundo do poço. Nossos direitos vem sendo perdidos dia a dia, enquanto a atenção da grande massa é desviada para outros assuntos que nem deveriam estar em discussão. Estamos em 2017 e discutindo criminalização da Arte? Enquanto isso, nosso Congresso se organiza para mais uma vez (e outra e outra) fazer aquilo em que se especializou: manobras para que os poderosos mantenham-se no poder, custe o que custar.

É triste se dar conta de que estamos retrocedendo. Com a Moral e os Bons Costumes surgindo em conversas cotidianas, com comportamentos pudicos se enraizando em nosso dia a dia, com o Estado laico sendo trocado por uma teocracia. Eu tenho medo, de verdade, de estar presenciando a história sendo (re)feita, de a vida estar imitando a arte e de em um futuro não muito distante estarmos vivendo em uma sociedade a la The Handmaid's Tale. Me surpreenderia? Sinto dizer que não.

Na nossa atual situação, com um governo que é avaliado como ruim por 97% da população brasileira e com um presidente que se mantém no poder sabe-se lá porque, chega a ser quase uma piada termos de torcer para que uma doença vitime nosso líder o representante legal do país. Chega a ser irônico que em 2017 seja necessário que Gabriel, o Pensador tenha de revisitar um de seus maiores sucessos, atualizando e gravando a música Tô Feliz (Matei o Presidente) 2  e que cantá-la seja quase uma catarse coletiva para todos nós.

E as perspectivas? Eu não vejo nenhuma, infelizmente. Ano que vem já está logo ali, teremos eleições, mas, pergunto com sinceridade: você consegue vislumbrar um bom futuro?

Por mim, eu pegava Viserion, Rhaegal e Drogon e ia primeiro pra Brasilia e depois passeando em cada cidade, gritando Dracarys! e começando tudo de novo. E rezando (com trocadilho, por favor!) pra que, dessa vez, tudo desse certo.

Será que daria?



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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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