segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Os Esqueletos no Armário





Quem nunca guardou um segredo, uma informação só sua, seu maior orgulho ou maior medo? Querendo ou não, todos temos os nossos segredos. Eles podem ser inconfessáveis, cheios de culpa ou não, ou pequenas besteiras, mas que fazemos questão de manter apenas para nós mesmos.

Durante um pouco mais de duas décadas eu escondia até de mim mesmo que gostava de homens. O meu segredo mais bem guardado e oculto, até de mim mesmo. Principalmente porque não aceitava isso, não queria ser diferente de ninguém. Era o meu esqueleto do armário, aquele segredo que me assombrava, que me fazia ter pesadelos de aceitação. Confess, confess!, gritava a minha consciência dentro da minha cabeça tal qual a Septa fazia para Cersey em Game of Thrones. E tudo que eu pensava era Shame! Shame!.

Hoje, olhando em retrospecto, vejo como era bobo, inocente, equivocado. Eu nasci assim, eu sou assim, eu sou feliz assim. Pelo menos, para mim, não há mais segredo algum. Eu sou gay. Ponto. E sou completo, feliz, sadio, sem necessidade de cura ou tratamento, como podem insinuar alguns. 

Mas, isso nem sempre foi assim. Mesmo com a minha própria aceitação, quando ela veio, foi apenas para mim. Para os outros,  foi outra história. Não era um segredo guardado à sete chaves, mas não era um assunto que eu abordasse com naturalidade. Dizia respeito a mim, somente a mim e a mais ninguém. Porque mesmo me aceitando, eu ainda tinha vergonha. Ainda bem que esse tempo já passou.

E falo isso porque cada um tem o seu esqueleto dentro do armário, o seu segredo inconfessável. Aquela traição num momento de tesão descontrolado; o filho ilegítimo que nem desconfiam que não seja do pai; a verdadeira cor castanho por baixo dos cabelos loiros; o fato de já ter pesado 200 kgs antes da redução de estômago. Segredos seus, que interessam a você. Mas que todo mundo morre de vontade de descobrir. Confess, confess!

Mas, para mim, esqueletos são para serem deixados onde seus donos acharem necessários. Se seu lugar é dentro do armário, que fiquem por lá! O problema é quando alguém descobre a chave que abre a porta desse armário e o pobre esqueleto é exposto, com o dono do esqueleto ali, vulnerável, perdido.

Portanto, se você tem um esqueleto no armário, um segredo inconfessável com o qual não sabe lidar, avalie bem onde deixará as chaves da sua vida. Pois, como bem dizia minha avó, segredo de duas pessoas não é mais segredo!

Leia Também:
Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
FacebookTwitter


Nenhum comentário: