sábado, 7 de outubro de 2017

Troca-Troca: Isso Nunca Me Aconteceu Antes?





É difícil um homem admitir, mas provavelmente ele já brochou um dia. Assim como bolos solam, carros morrem e seleções perdem de 7 x 1, todo homem está suscetível a falhar na hora da ereção. Aliás, seria falhar a palavra correta? É tanta expectativa pela penetração que se esquece que sexo é muito além disso. Tanta virilidade, tanta masculinidade depositada em uma ou duas dezenas de centímetros, ao mesmo tempo bombardeados por estresses, cobranças de desempenho digno de filme pornô, ansiedade, instabilidade de humor... Aí não há cabeça que aguente e faça o corpo funcionar plenamente sempre. E a pipa nem precisa ser do vovô para não subir, como na marchinha do Sílvio Santos.

Poucos sabem, mas nas relações homossexuais masculinas é onde há menos satisfação com o próprio pênis e a própria ereção. Justamente porque há comparações com o desempenho do parceiro. Muitos acabam recorrendo aos comprimidinhos azuis como uma tábua de salvação e acabam tendo performances que não são naturais. Vale a pena? Ou melhor encarar com naturalidade o “isso nunca me aconteceu antes” e buscar se divertir de outra forma?

Como no nosso Troca-Troca o bicho não precisa estar de pé para rolar, vamos falar justamente sobre ela: a temida brochada. Quem nunca?

Leandro Faria: Tem coisa mais difícil do que admitir a própria broxada? Mas, encarar a realidade é necessário e o tio aqui vai ajudar todos vocês. Vamos fazer um exercício simples? É mais ou menos assim, basta repetir: eu broxo, tu broxas, ele broxa. E se não broxou, broxará um dia. E, sério, se isso for ocasional, não deveria ser um problema.

O sexo, que deveria ser uma prática divertida e relaxante, muitas vezes é cercada de tantas expectativas que, da teoria à pratica, algo acontece. Ou, na verdade, não acontece. E o amiguinho fica lá, morocoxô, olhando pra baixo como se nada daquilo tivesse a ver com ele.

Mas, verdade seja dita, nem sempre as coisas rolam como deveriam rolar. Seja por cansaço, por não estar no clima ou vontade ou, simplesmente, porque você quis tanto aquilo que é difícil corresponder. E não há nenhum mal em broxar. Porque não, não somos robôs.

Lembro de quando broxei a primeira vez. Era uma situação em que eu não estava confortável, meio me obrigando e, com o amiguinho lá olhando pra baixo, eu me senti mal, muito mal. Eu era novinho e, inocente, achava que não, nunca deveria dizer não à uma foda. Tolinho, não? Ainda bem que a gente aprende e, com isso, evolui. 

Paulo Henrique Brazão: Lembro-me de um comercial que tinha antigamente com o Pelé falando sobre problemas de ereção. Acho que foi o primeiro que vi na TV a respeito. Ele terminava dizendo “Fale com seu médico. Eu falaria”. Aquele verbo no futuro do pretérito era uma clara necessidade de contar para o mundo: “olha, estou fazendo essa propaganda pelo dinheiro e porque eu sou um exemplo para vocês homens. Eu não sou brocha não, não preciso de médico como você precisa”. Ainda mais ele, jogador de futebol, viril, ídolo de homens no mundo inteiro, pai de vários filhos, pegador de mulher, o lendário “negão dotado”. Nunca poderia admitir algo nesse sentido.

Também me lembro de ter recebido parabéns de um amigo, mais de 10 anos atrás, do tipo “Saúde, paz e bicho de pé. Se tiver tudo isso e o bicho estiver de pé, a felicidade é consequência”. Somos criados desde o início para acreditar que a felicidade, a realização e o prazer passam pelo sexo. E, mais do que isso, passam pelo pênis. É difícil para o homem se desvencilhar disso. Essa relação meio de companheiro, meio de espadachim, meio de matador que temos estimulada com o nosso falo desde muito novos nos faz querê-lo sempre em riste, pronto para a luta na hora em que for acionado.

Admitir que brochou não é fácil... E, confesso, isso já me ocorreu mais de uma vez. Desde o meu primeiro relacionamento sexual, no qual sequer havia penetração (mas preliminares, sim), sentia uma pressão absurda para corresponder. Tive um excelente companheiro para me ensinar diversas coisas no sexo, mas a lidar com a brochada, não. Sentia-me cobrado. E ele ainda repetia: “se não subir, o povo vai achar que você não gosta que mexam no seu”. Os anos passaram e a gente precisa entender que não somos máquinas. Nem sempre estaremos no melhor dia, como também há vezes em que somos surpreendidos por uma ereção fora de contexto. O importante é estar à vontade e entender: não somos obrigados. Com isso, tudo fica mais leve.

Marcos Araújo: Tenham a certeza disso: quase nenhum homem vai admitir que “falha” ou já falhou na hora H. Apesar de ser algo comum, não adianta... ninguém assume. "Broxar", na cabeça dos homens é muito mais do que um sinônimo de fracassar: é como se perdesse a dignidade e total ameaça da masculinidade. E o pior disso tudo é quando vem acompanhada daquela frase-clichê "isso nunca aconteceu comigo..." ou quando o parceiro ou parceira cria aquela velha neurose: "será que o problema foi comigo?"

Falhar na hora da transa não significa que rolou um desinteresse sexual. Muitas vezes, nas preliminares, o negócio está super quente e na hora do "vamos ver" o amiguinho não sobe nem por um decreto. A ansiedade (principalmente quando não há um envolvimento emocional) é o principal fator, que também pode estar relacionada a inúmeros outros motivos como problemas pessoais, estresse no trabalho ou até mesmo quando há aquele arrependimento pela "escapulida de cerca".

Tem gente que perde a ereção na hora de pôr camisinha. Outros, depois que exageraram um pouquinho no álcool. E alguns até por estarem sem fazer sexo há muito tempo: sim... é verdade... até quando se vai com muita sede ao pote existe o grande risco em perder o foco. E ainda tem uma grande parcela de homens que se cobra tanto em ter 100% de aproveitamento na cama que nem guindaste levanta o "bicho".

O mais importante quando isso acontece, é relaxar. Tem dias que o brinquedinho de montar não encaixa na peça! Ficar envergonhado e se culpar por isso só vai piorar as coisas. Nessas horas, o ideal é o parceiro levar na esportiva, ligar a tevê, assistir uma boa série na Netflix acompanhado de um compreensivo carinho deitadinho no colo. Quem sabe já não é um ingrediente essencial para uma perfeita noite de sexo?

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