segunda-feira, 20 de novembro de 2017

(Des)Serviços





Fiquei dezessete dias sem gás em casa. Dezessete, tem noção? E isso por um problema sobre o qual eu não tinha controle, graças à excelência dos serviços e de atendimento ao cliente no Rio de Janeiro, essa cidade maravilhosa onde tudo é lindo, menos os serviços, que são uma merda.

Quando me mudei para o meu apartamento, foi feita uma vistoria e estava tudo bem, afinal, a vistoria é superficial, não identifica problemas estruturais. Quando a primeira conta da CEG chegou, o susto: quase R$ 300 de gás. Foi identificado um vazamento, a imobiliária foi acionada e, depois de umas duas semanas, o problema sanado. Mais ou menos. Mas bem mais ou menos.

A obra foi feita por uma empresa contratada diretamente pela proprietária do apartamento. Apesar da prestadora não ter sido uma das indicadas pela imobiliária, ela tinha a autonomia de escolher a empresa que melhor lhe atendesse. E que serviço porco! Conhecem a máxima de o barato sair caro, às vezes. Tenho certeza de que ela se arrependeu da decisão. Logo depois do serviço pronto, tive de receber o técnico da empresa por duas vezes na minha casa, porque apesar do gás religado, ele não chegava até meu apartamento e ele precisava desentupir os canos devido à quantidade de resina utilizada no processo; um saco. Até que, enfim, tudo parecia bem. Mas, ficou realmente bem pra você? Pra mim não.

Em uma vistoria padrão da CEG no meu condomínio tive, meses depois da troca da tubulação, meu gás fechado. Devido ao erro de alguém, meu registro de gás continha um lacre que informava vazamento, nunca tirado mesmo depois da obra solicitada. Aquele inconveniente chato de ligar pra CEG, mas ok, isso pode acontecer. Mas, quando a CEG veio, a constatação: um novo vazamento e eles não poderiam liberar o gás por questões de segurança.

E aí começou o meu calvário, pois o prestador - aquele escolhido pela proprietária, o gente boa, o do preço ótimo - insistia em dizer que não havia vazamento, sem nem mesmo fazer nenhum teste. Eu reclamando com a imobiliária, a imobiliária falando com a proprietária, o prestador dizendo que não havia problema e eu sem gás. Até que precisei fazer uma verdadeira acareação com o prestador e o técnico da CEG. E, confesso, foi lindo ver a cara de cu desentendido do prestador quando o técnico mostrou que sim, havia um novo vazamento e ainda perguntou se ele realmente havia feito algum teste, porque era simples e óbvio constatar isso. Cri cri cri

Só que nessa brincadeira, eu fiquei sem gás por 17 dias. Eu precisei falar por telefone com a imobiliária, com a CEG, com o prestador, com a proprietária do meu apartamento e eu ODEIO falar no telefone se eu posso resolver as coisas por mensagem ou email. Eu tive desgaste, eu tive desconforto, eu tive de mudar a minha rotina. Tudo por que? Porque um filhodaputa de um prestador de serviço não fez o que ele foi pago para fazer.

Sério, eu odeio incompetência. Mesmo. Mas acho que, pior que incompetência, eu odeio é caô. E quem presta serviço no Rio, em geral, é caozeiro até dizer chega. Infelizmente.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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