sexta-feira, 24 de novembro de 2017

É Fake Ou Não É?




Semana passada fui surpreendido com a notícia de uma obra que, num leilão da Christie's atingiu um valor astronômico. O quadro Salvator Mundi, do renascentista Leonardo da Vinci, foi arrematado por 450 milhões de dólares, ou quase 1 bilhão e meio de reais, em uma disputa acirradíssima entre dois compradores anônimos, que faziam ofertas por telefone. É a obra mais cara do mundo, que foi superado por um de Pablo Picasso, o sensacional Les femmes d´Alger.

O quadro de da Vinci, que tem cinco séculos, foi pintado na mesma época de sua obra mais conhecida mundialmente, a Monalisa. Pertenceu à família do rei Charles I da Inglaterra e desapareceu em 1736. Todos acharam que havia sido destruída e somente foi encontrado no fim do século 19, cem anos depois do sumiço. Como curiosidade, em 1958, foi negociado por apenas 45 libras e durante muito tempo a obra também foi cercada de polêmicas em torno à sua autenticidade. Somente em 2005, após diversas análises, a obra foi atribuída como um verdadeiro da Vinci.

Há uns anos atrás, exatamente em 2013, esse quadro supostamente esteve no Rio de Janeiro, no Museu Nacional de Belas Artes, durante a exposição A herança do sagrado: obras primas do Vaticano e de museus italianos.  Salvator Mundi era exatamente a obra que abria a mostra. Lembro que eu fiquei muito impactado com a obra que eu cheguei a me emocionar com os detalhes. E na época eu nem conhecia todos esses detalhes que permeavam o seu passado. Não sei se isso já chegou a acontecer com algum de vocês, mas quando eu vou a algum museu ou exposição de arte e me deparo com certas obras, eu choro mesmo. Na observação dos detalhes, tento me transpor para dentro da obra e de seu tempo e abro o berreiro.

Já chorei diante de um quadro de Van Gogh, de um Kandisnky e até de obras mais contemporâneas, como um Farnese de Andrade. É estranho admitir isso, mas eles parecem ter vida, alma, energia. Quadros e esculturas parecem nos observar. E, especificamente nesse quadro de Leonardo da Vinci, ele assombrosamente parecia respirar. Aquele globo de cristal na mão de um Jesus Cristo retratado como o salvador do mundo era tão intrigante que, na época, passei uns 15 minutos ali, observando cada detalhe, sem me importar se havia alguém para também ficar o contemplando. Quando me dei conta, eu estava chorando.

Recentemente, notei que havia uma diferença entre os quadros. O mostrado na exposição é bem diferente do que foi arrematado no leilão da Christie's. O globo, por exemplo, é totalmente diferente. Aí fiquei me questionando: como que um museu tão importante como o MNBA caiu numa pegadinha dessas? E aí veio outra dúvida: será que realmente todos os quadros famosos expostos nos museus são os originais? Será que a Monalisa exposta para milhões de turistas do mundo todo no Louvre é, de fato, a Gioconda pintada por Da Vinci, ou uma cópia? Será que a original está guardadinha dentro de um cofre?

Bem, se é ou não é... se é plágio ou não é... se é um da Vinci ou se não é, não importa muito. O importante é você sentir a atmosfera da obra. Se ela te toca e te emociona, já está valendo.

Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

Rodrigo Roddick disse...

Existe essa teoria de que os quadros em exposição são réplicas, mas os que estão em museus geralmente são os originais. Bem, não temos como comprovar isso né, só acreditar.
Mas o que mais me impressionou nesse suposto quadro de Jesus foi o modelo, o estilo da roupa e os traços femininos. Parece muito que quem tava sendo retratado era uma mulher, mas que Da Vinci adaptou paro um homem. É uma opção. Até porque se discute a verdadeira aparência de Jesus que, nascido na Ásia, não teria como apresentar tais características inconfundivelmente italianas. E ainda se fala sobre o modelo ser um dos amantes do pintor. E na época era comum os homens homossexuais se atrair por outros homens com características mais "delicadas".
Na réplica, pode-se notar claramente como ele ficou mais "masculinizado".
Enfatizo que tudo isso é apenas teoria. Não há provas nem de um lado, nem de outro.