quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Fernanda Torres é Foda!





Ela é muito foda! Mais uma vez foi essa a sensação que tive ao finalizar um livro escrito por Fernanda Torres. Ela é foda! O ritmo ofegante de minha respiração quando terminei seu livro foi prova cabal disso. E olha que ainda não estou falando de Glória e Seu Cortejo de Horrores, seu trabalho mais recente e também lançado pela Companhia das Letras, sua editora parceira desde FIM, seu romance de estreia. Acontece que terminei agora a leitura de Sete Anos, livro de “crônicas”, lançado no, agora, longínquo ano de em 2014. Coloco uma aspa bem grande no crônicas porque durante as páginas do livro vamos nos deparando com ensaios, perfis e artigos destrinchados ao longo dos anos. Dos Sete Anos, por Fernanda. 

Acredito que foi logo no comecinho de março que iniciei sua leitura. Minha demora em finalizar não aconteceu por conta da escrita ou qualquer força do gênero, mas da qualidade do texto. Ao me deparar com Kuarup, um dos relatos mais íntimos e pessoais do livro, me vi completamente rendido. Querendo descobrir mais de sua escrita e seu olhar sobre o mundo.

Escrever semanalmente não é fácil, eu que o diga. Por vezes me peguei pensando o que ela, Fernanda Torres, escreveria em meu lugar. O que ela diria sobre “esse” ou “aquele” assunto? É uma dúvida pesada e que só fazem nossa incerteza crescer todo o tempo. Mas não podemos esquecer também que é um motivador. E assumo que foram raras vezes que me senti tão inspirado. As palavras fluíram ao imaginar o que sairia da boca de Fernandona, filha e não de sua mãe. Imaginar Fernanda me faria tentar entrar dentro daquele mundo tão próprio e que não possui brecha de livre acesso. 

O que é impressionante e fica latente durante toda leitura é a qualidade da linguagem usada por Fernanda Torres; ela não só quebra um pouco da ideia de uma crônica ser rápida demais, enxuta, e, por vezes, até informal ao tratar de determinado assunto. O livro em si e aquelas páginas são quase como um ouvido amigo em um tarde de café. Possui todo aquele descompromisso de ser sério demais quando tudo o que mais desejamos é ligar o foda-se e dizer o que pensamos sobre a vida e sobre o outro. 

Sete Anos reúne textos que tenho certeza que irei ler ao longo dos próximos anos. Sem pressa ou pressão por finalizar. São insights, conselhos e histórias em família que servem para qualquer pessoa para ler e refletir. Afinal, família, por mais que a gente pense que é só uma, suas particularidades acabam sendo bem comuns por aí. E em alguns momentos o que nos resta é isso: provar que não estamos sozinhos e que faz até certo sentido dividirmos um pouco de nossas dores e tormento.

Se João Ubaldo teve influência das mais positivas sobre Fernanda Torres, o mesmo posso dizer que aconteceu comigo. Só que nesse caso, Fernanda é o meu Yoda, mesmo que ela não saiba disso… AINDA.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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