sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O Inimigo Oculto de Waack





Eu tenho um ranço por algumas pessoas. Aquela coisa do “santo que não bate” é algo bem comum nas minhas relações sociais. Obviamente, como a primeira impressão é a que fica, com um pouco de força de vontade a gente vai até modificando alguns conceitos e, com o tempo, passa a enxergar outras coisas que por algum motivo não foram tão transparentes.

Mas, como um bom sagitariano que sou, dificilmente me engano com as pessoas. Quando não gosto de cara, dificilmente a relação de empatia vai se transformar em algo positivo no futuro. Isso já me custou algumas indisposições com amigos, pois eu não conseguia estar no mesmo ambiente do que outras pessoas: “tudo bem que ele seja seu amigo, mas não é meu e nunca será”, já cansei de dizer. E meus amigos ficavam me olhando com cara de espanto pensando algo do tipo “mas o que essa criatura fez a ele para ser tão detestável?”. Na grande maioria das vezes, nunca tinham me feito nada. Só meu anjo da guarda não cruzava com o dele. Com o passar do tempo, muitas vezes aparecia alguma merda e os meus amigos vinham com aquela carinha borocoxô dizendo “puxa, lembra aquele amigo que você não ia com a cara? Pois então... me sacaneou bonito...”. Eu, com um sorrisinho no canto da boca repetia, em um mantra “eu aviseeeeeei”.

Essa semana com o episódio do suposto comentário racista do William Waack, um amigo me ligou dando uma sonora gargalhada ao telefone. “Pooorra, Marcos, você sempre disse que detestava aquele cara e não é que ele é um escroto mesmo?”. Eu só respondi “eu aviseeeeei”. Nunca vi Waack pessoalmente, mas desde que me entendo de gente, tenho completa aversão a esse cara. 

Sempre detestei aquele horrendo vampiro de Dusseldorf com todas as forças. Sempre detestei a sua maneira tendenciosa de noticiar, o que é uma vergonha para o jornalismo. Sua versão racista, então, é mais horripilante do que qualquer sombra de um filme expressionista de Murnau. 

Waack nunca teve um bom relacionamento com os demais colegas da emissora. Com fama de arrogante e prepotente, já teve inúmeros inimigos. A jornalista Cristiane Pelajo não suportou dividir a bancada do telejornal com aquele Nosferatu. Na transmissão da Olimpíada, era nítido o descontentamento de Cristiane Dias e as constantes alfinetadas que um dava no outro ao vivo (um deles, inclusive, viralizou com as hilárias patadas da jornalista). O comentarista econômico Carlos Alberto Sardenberg então... Coitado, gente! Eu morria de pena com as grosserias que aquele Caligari inexpressivo preparava.

Mas o que mais me impressionou foi o calculismo de quem preparou a cilada para Waack. Esse infeliz comentário racista que ele proferiu foi gravado no ano passado, durante a cobertura da eleição presidencial dos Estados Unidos entre Hillary Clinton e e Donald Trump. E como as imagens não editadas só ficam “guardadas” por seis meses, não existe a possibilidade de rastrear quem foi o responsável por selecionar esse vídeo, “liberado” exatamente um ano depois para o conhecimento de todos.

O responsável ficou um ano arquitetando a hora certa de divulgar o vídeo! E, como a lista de desafetos é imensa, a história fica até parecendo enredo de novela. Afinal, quem derrubou Waack, o Terrível?

Diz o velho ditado que a “vingança é um prato que se come frio”. Nesse caso, tenho que discordar, pois o banquete foi servido em ebulição de lava vulcânica. Mas não fui eu, hein, galera (mas gostaria de ter sido)...

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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