quarta-feira, 1 de novembro de 2017

“Oi, Tudo Bem?” “Não”




Geralmente, uma conversa começa com um “Oi, tudo bem?”. A pergunta é quase retórica: esperamos ouvir um “tudo bem” de volta, no máximo um “e você?” junto. Uma vez li que o maior chato é aquele que responde ao “tudo bem?” de outra forma. Mas e quando, realmente, não está tudo bem? Quando alguém acostumado a sempre enxergar a vida positivamente precisa de atenção e ajuda?

Às vezes é necessário, sim, dizer que não está tudo bem. Claro, não é sair por aí gritando para o mundo, mas com as pessoas certas. Aquelas que podemos contar, que de fato se preocupam conosco. Admitir que precisamos de ajuda ou algum tipo de apoio em momentos da nossa vida é crucial para a nossa saúde, tanto a mental quanto a física, pois o corpo reflete boa parte do que se passa na nossa cabeça. Tensões musculares, perda de apetite, queda de imunidade... Tudo vem a reboque em um momento traumático ou ruim. E, evidentemente, não pode estar tudo bem. Mesmo que retoricamente. 

Somos cobrados de sermos sempre fortalezas. Alguns nasceram com esse perfil mais do que outros (eu mesmo me considero um desses). Mas até mesmo esses desmoronam em alguns momentos da vida. Talvez para quem se cobra tanto de ser forte seja pior: não estar acostumado a lidar com fraquezas, insucessos e infelicidades pode ser ainda mais cruel. Olha que curioso: duas semanas atrás eu falava de felicidade aqui no Barba Feita. Hoje venho aqui tratar, justamente, do oposto. Assim é a vida...

Tem vezes em que é necessário, ao menos, desabafar. Pode parecer piegas, mas faz toda a diferença ter amigos e família realmente compreensivos e presentes. E quando somente eles não bastarem, é preciso buscar ajuda profissional. Existe um certo preconceito contra aqueles que fazem terapia com psicólogo ou mesmo tratamento com psiquiatra. Mas muitas das vezes é esse o caminho. Há momentos em que a questão nem é psicológica apenas, é química – e há remédios que podem resolver isso. Ou mesmo uma boa conversa pode também ser o remédio certo. Cada caso é um caso. 

O primeiro passo é admitir quando não está tudo bem.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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