terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ontem Foi Ontem, Hoje É Hoje




E aí, como é que ceis tão? Eu fui num forró nesse domingo, acreditam? Eu, mais Rafael e nossa vizinha fomos pra um forró. Não movi um músculo pra nada, afinal, não sei dançar, né, mas até que me diverti bastante.

Agora... Tem umas coisas que sempre me irritaram na galera das antigas, sabe? Não na galera toda, claro, mas naquela fatia que não sabe viver sem citar algo do passado com aquela nostalgia sofrida e, claro, comparando com desgosto o antes e o depois. Por exemplo:

"Ai, porque na minha época eu não tinha Uber não, a gente ia é de ônibus mesmo. E demorava pra passar e, às vezes, nem era o caminho todo, a gente tinha que andar mais um pedaço. Hoje em dia tá tudo muito fácil, por isso que essa juventude tá assim.".

Tem também aquela:

"Não, porque na minha época não se sentava à mesa com celular na mão." (essa uma desconhecida falou pra mim) "Antigamente era tudo diferente.".

"Aaaah, mas eu não tive isso quando era criança. Tinha que trabalhar, arrumar casa, ajudar meus pais, e não sei mais o que, e não sei o que lá...".

"Antigamente é que era bom, só tinha música boa, não essas poucas vergonhas de hoje, aluno respeitava professor porque tinha palmatória, se cantava o hino nacional antes da aula, nhênhênhê nhônhônhô...".

Eu entendo, de verdade, a importância dessa época na vida de cada um, acreditem em mim. Meus pais me contavam cada causo que eu ficava de boca aberta ouvindo, imaginando como devia ser e essa coisa toda. Claro, a mãe também tinha essa mania incômoda de ficar comparando o ontem com o  hoje, mas só quando ela queria me fazer comer beterraba, ou inhame, ou jiló. Não dá, gente, eu não como, acho horrível! É que antigamente ela não tinha muuuuita escolha do que comer, mais pela cultura que rolava na família, e também nos empregos no Rio, onde os empregados comiam o que desse, o que pudesse, e quando dava, o que sobrasse, porque pra alguns patrões era inadmissível a "criadagem" comer o mesmo que os donos da casa. 

Então é por isso que eu entendo esse sentimento de valorização das coisas, mas gente, ontem foi ontem, poxa vida, estamos vivendo o hoje. Ontem se andava de carroça, ou a pé, ou a cavalo; hoje em dia temos moto, carro, ônibus, e sim, recursos como aplicativos de transporte. E temos celulares com diversas funções! Alguns travam? Sim, o meu, por exemplo, quando eu conseguir trocar de celular, vou tirar a capinha dele e jogá-lo contra a parede, tamanho é o ódio que ele me desperta.

Ontem as crianças não tinham acesso a certos luxos; hoje... bem, hoje muitas continuam não tendo, o que é trágico, falando bem sério agora, mas tipo, você julgar uma criança, ou adolescente, adulto, que seja, por ela ter certos privilégios ou determinada facilidade que você não teve no passado, justamente por você não ter tido? Não faz sentido, não me entra na cabeça. Que pena que você não teve, mas não é mais legal ficar feliz pela geração seguinte ter algo a mais? Não é interessante torcer pela evolução da humanidade? 

Tudo bem que mesmo com esses privilégios e facilidades a humanidade anda deixando bastante a desejar, mas olhando por esse lado do prisma, onde parte de uma geração alcançou determinado acesso a certas facilidades (coloquei parte por conta da fatia que ainda não tem esse acesso), é tão mais prazeroso fazer parte desse processo de evolução, ao invés de ficar se prendendo ao passado, a momentos que existiram por uma razão e que não vão mais voltar. 

Ao invés de se lamentar por essa época ter coisas que a sua não teve, que tal se empolgar, se interessar? O hoje só existe porque o ontem existiu, então é mais grandioso pensar que nós só existimos porque vocês chegaram aqui, olharam esse terreno todo cheio de mato e transformaram tudo isso na realidade que temos hoje. Nós não teríamos chegado até onde chegamos se ontem vocês não tivessem existido. E assim será com a próxima geração, e com a geração depois dela, e assim por diante.

E então, vamos mudar o discurso?

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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