quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Por Que Nos Falta Compreensão?





Nesse último fim de semana completou um mês de um dos momentos mais difíceis da minha vida. Não, não vim aqui falar do problema, mas sim do que se sucedeu. Num primeiro instante, encontrei muita empatia e compreensão em determinadas pessoas – algumas, até, me surpreenderam. Mas logo após choveram opiniões das mais diversas. E muitas delas, repletas de julgamentos e incompreensões.

“Você precisa se afastar de fulano”; “O que fulano fez não tem perdão”; “Fulano foi um fraco e cicrano foi um covarde chantagista, nunca mais tenha contato com eles”; “Você está dando mais valor a essa história do que ela merece”; “Ouvir isso de você não era o que eu esperava”; “Como você não tem raiva de fulano pelo que ele te fez?”... Entendo toda a preocupação que cercam os amigos quando veem alguém querido em apuros. Porém, em algum momento, será que vieram me perguntar o que eu de fato queria? Se eu acredito que haja perdão? Se eu, de fato, achava que o correto era se afastar por completo?

Vivemos em um mundo tão cheio de preconceitos e discriminações, e aqui incluo diversos grupos que, de uma forma ou de outra, sofrem isso na pele minimamente: mulheres, negros, LGBT, gordos, pessoas com deficiência... Será que não aprendemos nada a partir da incompreensão que recebemos diariamente? Por que precisamos refleti-la em vez de rebatê-la? Como LGBT, que já tive tantas vezes (e ainda tenho, inclusive por candidatos à presidência da república) o meu sentimento questionado, desmerecido e julgado; logo eu devo julgar e questionar o que o outro sente, sem me colocar no lugar dele?

Tenho ouvido muito recentemente na instituição religiosa da qual faço parte que o mundo não é feito de sãos, mas de doentes. Estamos aqui para nos conhecer e nos reconhecer uns nos outros. Mesmo aqueles que têm em suas missões de vida curar os outros também carregam as suas doenças. Creio que, para curar, é preciso, sim, se colocar na pele do doente. A dor é de cada um, não é nossa, e o que dói mais para mim pode ser perfeitamente contornável para o próximo. Assim como algo banal para mim pode ter uma importância gigantesca na vida do outro.

Os doentes estão aqui para serem curados e os arrependidos para serem perdoados. Nunca abandonados à própria sorte.

P.S.: Peço desculpas aos meus parcos leitores pela ausência na quarta-feira semana passada, a primeira após três anos de Barba Feita. Era feriado, estava lotado de compromissos que minaram a minha agenda e encontrei a compreensão do chefinho Leandro Faria para deixar aquele 15 de novembro em branco. Já estamos de volta à programação normal.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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