sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Assim Nascem os Rockstars




Eu sempre quis ter uma banda.  Quando pequeno, me via na icônica capa do Sgt. Peppers, dos Beatles, que anos mais tarde também vim saber que era uma banda imaginária criada pelo quarteto fantástico de Liverpool.   Aos sete ou oito anos, ficava fascinado por aquele contraste do amarelo e vermelho, do encarte multicolorido e da quantidade de personagens daquela capa sensacional na qual não conseguia identificar ninguém de imediato, mas imaginava que eram fãs reverenciando os seus ídolos, mas como se estivessem no mesmo palco, participando de uma grande celebração.

Sgt. Peppers foi, talvez, o meu primeiro encontro com a música.  Depois me apaixonei por Queen.  Queria ser Freddie Mercury e comandar a platéia.  Quis ser também Robert Smith e me esconder atrás dos cabelos desgrenhados, do delineador negro e da maquiagem borrada.  Aquele “disco do velho na capa” do The Cure tocava noite e dia.  E tal qual um campeão do programa Qual é a Música?, do Silvio Santos, conseguia identificar na primeira nota qualquer canção aleatória daquele álbum.

Quase que paralelamente, o jeitão gótico de Siouxsie me deixou apaixonado.  E aquele modo classudão de Ian McCulloch, do Echo and the Bunnymen, cantar segurando no pedestal, com os lábios tocando no microfone, completamente coberto pela névoa de seu Marlboro e de olhos fechados, me arrebatou.  Um dia eu montaria uma banda só para cantar que nem ele, que já tinha sido inspirado por Lou Reed, do Velvet Underground, Jim Morrisson, do The Doors e, obviamente, pelo mestre dos mestres, David Bowie.

Ver uma banda em cima de um palco era, para mim, uma sensação de estar vislumbrando um deus mitológico.  Era como se fossem seres inanimados que, por algum milagre, eram projetados ali na minha frente.  Quando vi os Bunnymen pela primeira vez, chorei.  Quando vi pela oitava, chorei da mesma forma.  Chorei quando vi Ramones, chorei quando vi Kraftwerk, chorei quando vi Prince, chorei quando vi REM, chorei quando vi The Cure, quando vi Radiohead...

Mas, mesmo com todos aqueles deuses do Olimpo que se apresentavam de forma quase holográfica, foi vendo os cariocas do Second Come em um showzinho simples no DCE na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, que definitivamente eu afirmei para mim mesmo que um dia montaria uma banda.  Por causa do Second Come e dos Bunnymen nasceu o Soft & Mirabels.  E para mostrar para essa garotada que os anos 90 foram tão foda quanto os 80´s, também nasceu o OverEnd.  Duas bandas que me divirto muito em poder estar cantando, despretensiosamente, mas com aquele mix de McCulloch, Bowie, Freddie, Lou, Jim, Robert, Sioux, Morrissey, Astbury, Stipe, Yorke, Kraus e Leopoldino.

Ah, hoje vai ter Arcade Fire à noite.  E vou chorar um litro.  Os canadenses são uma banda contemporânea que fazem parte daquele meu imaginário mitológico.  Tenho certeza que, quando eles invadirem o palco enfumaçado e repleto de luzes, meus olhos vão brilhar e lágrimas vão rolar.  E, como combustível, neste sábado vai rolar o primeiro pocket show (na verdade um ensaio aberto), da OverEnd.  Só que dessa vez, esperando que alguém da platéia se emocione e siga o caminho de querer montar uma banda também.

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

JULIO CESAR BRITO disse...

Por tudo mais, dessa uma década que nos conhecemos, e de todas as coisas boas que você me apresentou e me ensinou, logo eu, um "axezeiro", me render (e até gostar) de algumas (só algumas!!!!) bandas de rock underground, incluo na lista de agradecimentos os Bunnyman e agora o Arcade Fire. Ah, entende agora porque "colo" o microfone na boca quando vou ao karaokê? Kkkkkk influência pura do Yan!!!! Beijos carregados de ohhh yeahhh