sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O Ano do "Ranço"




Todo ano eu falo a mesma coisa... Quando assisto aquela Retrospectiva na TV, com o centenário Sérgio Chapellin, tenho a impressão que passei seis meses da minha vida morando em... Marte! “Como seria possível eu não saber que tal fato aconteceu, ainda mais eu sendo um profissional de comunicação????”“Como assim fulano morreu????”

O lance é que nossa rotina está cada vez tão mais atribulada que acabamos não prestando muita atenção em mais nada ao nosso redor.  Como já dizia o sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman (que infelizmente nos deixou em 2017), “a vida é líquida”

Junto com Bauman, dois-mil-e-dezessete foi um ano de grandes perdas.  Partiram dessa para melhor a inigualável Rogéria, os diretores de cinema Tobe Hooper (de O Massacre da Serra Elétrica e Poltergeist, o Fenômeno), George Romero (A Noite dos Mortos-Vivos) e Johathan Demme (O Silêncio dos Inocentes e Filadélfia); os atores David Cassidy (o eterno ídolo da Família Dó-Ré-Mi), o primeiro Batman - Adam West, Roger Moore (que por sete vezes interpretou o agente secreto britânico James Bond, o 007), Bill Paxton (Titanic, Aliens e Twister), Mary Tyler Moore, o inigualável Jerry Lewis, a ícone do cinema francês Jeanne Moreau e os brasileiros Nelson Xavier, Eva Todor e Marcia Cabrita; o escritor William Petter Blatty (o autor de O Exorcista); o estilista Ocimar Versolato; os cantores Belchior, Wilson das Neves, Luiz Melodia, Jerry Adriani, Kid Vinil, Chester Bennington (Linkin Park), Chris Cornell (Audioslave / Soundgarden), Fats Domino, Tom Petty, Al Jarreau, Malcolm Young (guitarrista fundador do AC/DC), Chuck Mosley (o primeiro vocalista do Faith no More) e o lendário Chuck Berry.

Foi um ano de tragédias, ataques terroristas, massacres em presídios, violência extrema, assaltos, saúde pública totalmente em colapso, prefeito e governador sem dar as caras no Rio; EUA e Coreia do Norte já antevendo o iminente “vai dar merda nuclear”; o ano dos memes da Gretchen, do funk e da bunda com celulite da Anitta; do sucesso de Pabllo Vittar em meio a tanta hipocrisia; da repugnância constante à cultura Bolsonaro; da corrupção, corrupção, corrupção, corrupção e mais um pouco de corrupção.

Foi um ano de mais “Fora Temer!” já perdendo as forças.  Um ano de reformas políticas, previdenciárias e trabalhistas absurdas com o silêncio das panelas que outrora sabiam batucar tão bem.  Foi um ano onde o Alladin da Mocidade Independente de Padre Miguel voou alto em um carnaval trágico, trazendo o brilho necessário para resgatar e dividir, aos 45 do segundo tempo, o troféu que já havia sido levantado pela Portela.

Foi um ano de Moonlight e La La Land.  Também foi um ano onde The Who, Aerosmith, Nile Rodgers & Chic e Alice Cooper, ou seja, a galera roquenroll oldschool tocou que nem adolescente em mais uma edição do Rock in Rio e lavou a alma.  Foi o ano em que mais uma vez esquecemos quem ganhou o BBB e quem ganhou o The Voice.  Foi um ano em que ficamos até 1 da manhã assistindo MasterChef.  Foi um ano em que Tatá Werneck e Pedro Bial brilharam com seus respectivos Lady Night e Conversa com Bial; o novelão A Força do Querer, de Glória Perez, resgatou a audiência perdida do horário nobre da TV aberta e personagens inesquecíveis como a Bibi Perigosa, de Juliana Paes, a trans Ivana / Ivan, da estreante Carol Duarte, e as experientes e sempre maravilhosas Lilia Cabral e Elizângela.   

Foi um ano em que acabamos com todas as nossas unhas assistindo a segunda temporada de Stranger Things e querendo adotar para nossa vida aquelas crianças fofas.  Foi um ano que vimos a ira de alguns setores da sociedade com a exposição QueerMuseu em Porto Alegre, que viu pedofilia onde não existia.  Curiosamente, a mesma sociedade que assiste escondida no calar da noite vídeos que fariam o Marquês de Sade morrer de vergonha.

Dois-mil-e-dezessete foi o ano do “pisa menos”, do “sapão”, do “homão e do mulherão da porra”, do “nunca nem vi”, do “seje menas”, do “Deus me defenderay”, do “atenta”, do “yukê?” e do “você quer?”, do “sai hétero!”, do “vem de zap” e do “embuste”.  Mas se pudéssemos resumir, dois-mil-e-dezessete foi definitivamente, o ano do “ranço”.

Preparados para 2018?  Que venha!  A gente mata no peito e chuta pro gol!  Até ano que vem, meus lindos!

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

Unknown disse...

Queermuseu não havia pedofilia, mas tb não havia faixa etária indicativa, o que não deixa de ser uma violência para com nossas crianças!