segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Roda Gigante




Eu costumo achar Woody Allen ou brilhante (como em Match Point ou Vicky Cristina Barcelona) ou tremendamente chato (como em Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos ou O Sonho de Cassandra). Acho que a sua produção intensiva ao longo das décadas, com pelo menos um filme por ano, o faça oscilar tanto em resultado, pelo menos em minha opinião. Mas, em seu novo trabalho, que chega aos cinemas brasileiros na próxima quinta, dia 28/12, ele não chega em nenhum dos dois extremos, fazendo de Roda Gigante (Wonder Wheel, no original) um filme ok, com qualidades e falhas.

Estrelado por Kate Winslet, o longa conta o drama de Ginny, a esposa de um operador de carrossel, Humpty (Jim Belushi), que trabalha em um parque na praia de Coney Island no início dos anos 50. Em um verão ela conhece Mickey (Justin Timberlake), um salva-vidas que também trabalha na praia, e acaba se apaixonando por ele, entrando em uma relação que, ela espera, salvará sua vida do marasmo. Quando uma filha de seu marido (Juno Temple) volta para casa, fugida do marido gângster, e também se apaixona por Mickey a roda dos desejos começa a girar.

Roda Gigante é um filme que apresenta uma fotografia deslumbrante e excelentes atuações (e falo mais sobre o desempenho dos atores a seguir), mas que peca pelo seu roteiro bobo, mal amarrado, de soluções fáceis e com um final sem grandes surpresas. Esperava mais da história e, com o que vi no final, me pareceu que ele acabou sendo escrito às pressas, apenas para finalizar o longa. 

Kate Winslet, vivendo Ginny, é realmente a alma do longa, em um desempenho magistral que está, inclusive, entre as possibilidades de premiação do ano que vem. Mas o que realmente me surpreendeu foi o trabalho de Justin Timberlake, muito bem no papel de Mickey, o aspirante a escritor que faz o bico de salva-vidas no verão e acaba conquistando as mocinhas do longa. Já Jim Belushi e Juno Temple entregam-se aos seus respectivos papeis, completando com o jovem Jack Gore, o filho de Ginny e personagem divertidíssimo da história, o elenco bem entrosado do longa.

Com seu final simples e que é um verdadeiro banho de água fria, Roda Gigante acaba se tornando um filme esquecível, e que não deve se tornar um dos grandes de Woody Allen. Entretanto, é uma boa diversão, daquelas que servem para nos tirar um pouco da realidade pelo menos durante o tempo de sua duração.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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