quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Pippin: Uma Metáfora do Palco Para a Vida




No último sábado, fui novamente ao teatro. Eu sei, ando muito cultural... Nas últimas semanas, já escrevi coluna sobre uma peça e sobre um filme aqui no Barba Feita. Mas Pippin, de Charles Möeller e Claudio Botelho, espetáculo que saboreei mais recentemente, não poderia ser ignorado. Foi uma das melhores surpresas que tive no teatro na vida – e não era porque a expectativa era baixa... 

Não conhecia a história de Pippin a fundo, havia apenas visto um trailer dele no Youtube enviado por meu companheiro. O musical reestreou na Broadway um ano depois de eu ter ido a Nova York e já saiu de cartaz por lá. No Brasil, a montagem está no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, Rio de Janeiro – um espaço que não é tão grande e fica até estranho um espetáculo tão grandioso num palco relativamente pequeno. E a produção encontrou soluções bastante eficientes para as limitações do espaço. 

terça-feira, 18 de setembro de 2018

O Imprescindível, Às Vezes, É Invisível aos Olhos...





Ontem foi mais um início de semana. Mais uma segunda-feira corrida como todas as outras nos últimos anos... Muito trabalho, reuniões e, depois dele, outros compromissos. A coluna de hoje, por exemplo, foi escrita aos 45 minutos do segundo tempo. Mas hoje teve algo diferente no ar. Talvez eu não saiba o que é, não sinta ou ainda não enxergue. Tenho as coisas mais simples do mundo e acho, que agora aos 38 anos, comecei uma nova fase no game da vida. É tão óbvio e me causa um conforto imenso e inexplicável. Valorizar (ou voltar a fazê-lo) as coisas e as pessoas que realmente importam. Acho que me perdi um pouco nos últimos anos (ou me deslumbrei, talvez?) sobre essa real necessidade.

Minha seta apontava em direções que não conseguia flechar e insistentemente eu - equivocadamente - insistia em mirar. Em pessoas, coisas e situações. Não eram minhas, não me pertenciam. Apenas faziam parte do meu cotidiano. Como os objetos (sem leviandade) belos que hoje decoram minha casa e que gosto de ter, mas não são imprescindíveis para que eu viva feliz. Taí! Imprescindibilidade! Busquei isso, e tenho que me policiar para que não saia do eixo, focando onde não preciso.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Cinco Produções Cult (Que Eu Odeio)




Ok, ok, ok, eu sei que vou ser apedrejado. Entretanto, a ideia para essa pequena lista surgiu quando em um belo dia, lendo notas sobre a expansão do universo de Star Wars em varias outras produções e a euforia causada por isso nos fãs, me peguei pensando: "como tem gente que gosta dessa porcaria obra!". Porque eu, é claro, acho os filmes, todos os lançados até o momento, um saco.

E assim me dei conta de como costumo não gostar de algumas produções adoradas por uma legião de fãs. Fui enumerando cada uma dessas produções e a dúvida era: será que estou sozinho? Por isso resolvi dar a cara à tapa e elaborar a listinha de hoje e aguardar. Vai que não sou o único em minha falta de (bom?) gosto por filmes considerados cult por uma grande maioria. Será?

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

As Cinzas e a Memória





Raramente vou até à varanda do meu apartamento, pois detesto sentir aquele frio na barriga e a vertigem provocada pelo medo da altura. Mas naquela noite do início de setembro, resolvi vislumbrar o clarão avermelhado que refletia no céu do Rio de Janeiro, como se fosse uma pintura viva. Naquele momento, o fogo já havia destruído dois séculos de história.

Tenho certeza que, mesmo distante alguns quilômetros, senti o cheiro das cinzas que circulavam pelo ar e aspirei profundamente o máximo que meus pulmões puderam aguentar. Era como se eu tivesse, de alguma forma, guardando dentro de mim, o passado. E o aroma das cinzas perdurou praticamente toda a madrugada. E, lentamente, eu ia inalando aquele cheiro para que essa lembrança ficasse guardada em meu córtex cerebral.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Beijos: Sem Tabus ou Preconceitos





Lembro da época em que a probabilidade de um beijo entre duas pessoas do mesmo sexo em horário nobre ser visto como o fim do mundo. O triste é que isso pode se enquadrar tanto em 2010 quanto 2018, já que algumas pessoas continuam tendo essa visão, infelizmente. Mas a diferença entre essas duas datas, separados por oito anos, é o fato de que o "temido" beijo já aconteceu em horário nobre e mais de uma vez. Não tantas quanto eu gostaria, mas ainda chegaremos lá. 

Acontece que, diferente do que rolou em Amor à Vida ( 2013 - 2014), quando a Rede Globo exibiu  o seu primeiro "beijo gay" - lembrando que, em 2011, Amor e Revolução, novela do SBT saiu na frente - e protestos foram feitas por toda internet, as tramas que se seguiram receberam meio que um "cartão verde" e incluiram em suas histórias ao menos um par de personagens gays. Em Família (2014), Babilônia (2015), Império (2014-2015), O Outro Lado do Paraíso (2017 - 2018), são alguns exemplos dessas novelas do horário nobre que exibiram ao menos um beijo. 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A Freira: Reze Para Não Ver...




Sabe um filme ruim? Ruim mesmo? Há muito tempo eu não via um... Pois quebrei essa marca no último sábado, quando foi assistir a A Freira, de Corin Hardy, no cinema. O que era pra ser um filme de muito terror da saga Invocação do Mal, simplesmente se tornou um desfile de clichês, com um roteiro mal amarrado e cenas que, às vezes, parecem de algum filme trash exibido no SBT. 

Fui ao cinema, na verdade, por acidente. Estava contundido, com uma dor muscular forte, e tudo o que eu queria era ficar em casa. Mas já havia me comprometido em ir ao teatro. Fomos lá até o Shopping da Gávea mas não conseguimos entrar no espetáculo – a lista amiga na qual supostamente estaríamos não rolou. Para não perder a viagem do outro lado do Túnel Rebouças – e o Uber que já tínhamos gasto – fomos até o Complexo Lagoon, onde vimos que ainda tinha uma sessão do esperado filme de terror. 

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Vivendo à Sombra de um Holocausto Tupiniquim





Apesar do contexto histórico ser completamente diferente, a verdade é que eu vejo elementos comuns entre o Holocausto da Segunda Guerra Mundial e os últimos dias que temos vivido no Brasil. Sempre fui aficionado por ler livros, matérias, artigos e assistir filmes que abordassem a temática nazista. Não por ser um simpatizante do assunto, mas para tentar entender (se é que isso se faz possível) como as pessoas foram enredadas a compactuar com tamanha crueldade contra a humanidade.

Primeiramente, discordo (quem sou eu no âmbito da história mundial?) do termo "holocausto", palavra de origem judaica tão disseminada para classificar um dos mais cruéis genocídios da história mundial, pois vejo que essa classificação dá a entender que esse tipo de crime só aconteceu contra os judeus. Porém, é sabido que neste “bolo” entraram os homossexuais, as pessoas com deficiência fisiológica, negros e todos aqueles que o ditador do movimento classificou como manchadores da “raça ariana”.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Conexões




Somos atualmente mais de 7 bilhões de pessoas vivendo na Terra. E, convenhamos, 7 bilhões é um número imenso, não é mesmo? Já falei aqui mesmo no Barba Feita sobre como essa quantidade absurda de pessoas é tão emblemática. E, em nossa passagem por esse planeta, esbarramos com muita gente, conhecemos alguns, nos tornamos íntimos de outros poucos. Em nossas relações cotidianas, procuramos afinidades e semelhanças;  linhas narrativas que, de preferência, convirjam com as nossas.

E já pararam para pensar no que faz que nos aproximemos de alguém ao passo que por outras pessoas não nutramos nenhuma simpatia? O que motiva uma conexão que, você não explica, apenas vive? Acho o assunto interessantíssimo e, eventualmente, o evoco em meus pensamentos. Afinal, conexões reais são raras e valiosas e, pensar nelas, nos motiva a valorizar o que de melhor produzimos ao nos relacionar com outras pessoas.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Terra à Vista!




Há uma canção do Titãs que pouca gente conhece mas eu adoro.  Ela está presente em um dos discos mais recentes da banda (o ótimo Nhengatu), se chama Terra à Vista e narra em versos tropicalistas e folclóricos toda a mistura no liquidificador da cultura brasileira.

“Terra à vista! / Tem palmeiras, sabiás, mulatas ainda não / tem pau-brasil a dar com o pau / como dizia Cabral / tem coqueiro que dá côco / tem mangueira que dá caju e tem Popó do Maculelê / tem caça, cabaça, cachaça, trapaça / mordaça, arruaça, vidraça / desgraça, raça, pirraça / caça, cabaça e cachaça / mordaça, arruaça, vidraça / desgraça, raça, pirraça / e índia cheia de graça”.

Aprendi na escola o que o governo ditatorial gostaria que eu aprendesse.  Me ensinaram a história romântica de Cabral se perdendo no meio do oceano e desembarcando em terras desconhecidas, com belas índias virgens dos lábios de mel.  Esconderam-me todo o lado podre dos interesses e corrupção que existe desde 1500 e que transformou esse Brasil em um país misógino e preconceituoso.  E esse outro lado só fui descobrir após ler Gilberto Freyre.  O tijolão Casa-Grande Senzala ocupou durante muito tempo minha cabeceira e minha autocrítica.   

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Crô em Família: Humor Leve Chega aos Cinemas





E vocês pensaram que Crô não voltaria? Bobinhos! Após cinco anos sem colocar sua carinha na tela grande, Crodoaldo Valério (Marcelo Serrado) faz o seu comeback nesta quinta-feira, 6 de setembro. Agora como dono de uma escola de finesse e etiqueta, meu amor! Mas é aquele ditado, se tudo vai bem nos negócios, a vida amorosa está um desastre completo. O queridon está se separando de Zarolho (Raphael Vianna) e se sente sozinho, perdido… Bem alone in the dark. Quem nunca?

E é nesse momento em que se sente completamente vulnerável e abandonado pelo amor de sua vida que o filme Crô em Família começa de verdade. Seis “estranhos” brotam na porta da mansão do ex-mordomo de madame de novela das nove e dizem ser sua... família, até então completamente inexistente. Marinalva (Arlete Salles), a mãe; Orlando (Tonico Pereira), o pai; Nando (João Baldasserini) é o irmão hetero normativo; Luane (Karina Marthin), a cunhada deslumbrada; e Fábio Júnior (João Bravo) e Liz (Mel Maia), são os sobrinhos fofos. Tudo muito colorido e solar, bem cara de novela das sete, diga-se de passagem, mas que faz soar um pouco fora do lugar no filme.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O Fogo, Esse Bem Maldito...





Existe coisa mais destruidora do que o fogo? Pensa bem... Quando você recebeu a notícia de que o Museu Nacional estava em meio a um incêndio e viu as primeiras imagens dele já completamente em chamas, não pensou que dificilmente algo se salvaria? Vamos imaginar que tivesse sido uma inundação, um tsunami (que ali não teria como, por ficar numa pequena colina); ou um terremoto ou furacão (que também não ocorreria ali, porque não temos dessas coisas no Brasil)... Algo teria sido tão devastador quanto o fogo? Certamente alguns deles danificariam (e muito) as estruturas, mas provavelmente não quase por completo o seu acervo.

Ok, vamos nos ater aqui apenas à destruição material. Apenas ao fato de que um incêndio ocorreu. Sem falar em descasos ou dilapidações culturais. Algo é tão destrutivo? O fogo foi uma coisa que a humanidade dominou após muito sacrifício (a maior conquista do ser humano na Pré-História) e que, até hoje, tão qual nossos instintos mais primitivos, quando perdemos o controle é capaz de nos aniquilar. E levar coisas muito além da matéria com ele...

terça-feira, 4 de setembro de 2018

O Fogo Que Consome a Cultura, a Educação, o Passado e o Futuro




Pouco tempo atrás, escrevi em minhas redes sociais que considerava o povo brasileiro sem cultura. E fui atacado (para variar) por algumas pessoas me esclarecendo que eu estava errado, puxando minhas orelhas com as descrições técnicas da minha expressão. Mas dentro desse contexto, e para que eu não sofra represálias - pelo menos nesse sentido - esclareço que, cultura, resumidamente falando, significa um complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro.

Mas, não sou estudioso, nem cientista sobre a maioria dos assuntos que escrevo. Sou um indivíduo que escreve sentimentos. Um cidadão. Um ser humano com vontades e percepções próprias. Que podem ser erradas ou equivocadas para uns, porém com um discurso objeto de identificação para outros. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Viver Vale a Pena: Opte Pela Vida





A vida não é fácil. Quase nunca é. Às vezes, em nossas ambições juvenis, fantasiamos em como seremos felizes e realizados no futuro. Só que, surpresa desagradável, a felicidade não é um estado permanente e, aprender a lidar com as frustrações é uma grande parte de ser efetivamente adulto. 

Mas são tantos os pesos que carregamos que, eventualmente, podemos dar pane, tilt, e nosso cérebro deixa de funcionar como efetivamente deveria. As doenças da mente são uma realidade e estão muito longe de ser frescura ou das pessoas estarem tentando chamar a atenção. Eu mesmo, e falo agora da minha experiência particular, tive um quadro de depressão algum tempo atrás. Mas, diagnostiquei que algo não estava legal, procurei ajuda e iniciei um tratamento. Depressão existe e, se você não sabe o que ela é, sinta-se um privilegiado. Mas não diminua a dor de quem pode estar ao seu lado e enfrentando essa batalha que, tantas vezes, a pessoa acha que não conseguirá vencer.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A Coisa





Tem gente que diz que não se pode escrever o nome dele nas redes sociais, pois dizem que o algoritmo do Facebook dá mais visibilidade a ele.   E também tem gente que, para evitar pronunciar o nome do diabo, o substitui por outros sinônimos como cramulhão, coisa ruim, chifrudo e cão. 

Em 1988, um filme de humor negro dirigido por Tim Burton e estrelado por Alec Baldwin, Geena Davis, Winona Ryder e Michael Keaton chamado Os Fantasmas Se Divertem revelava um monstro charlatão que surgia depois que pronunciavam o seu nome três vezes, assim como a velha história da invocação dos demônios nos filmes de terror.  Outro filme, Gremlins, de 1984, produzido por Steven Spielberg, mostrava monstrinhos endiabrados que se autoprocriavam se o dono do animalzinho aparentemente inofensivo não respeitasse certas regras.  A palavra Gremlin vem do inglês antigo grëmian, significa “irritar”, “criar confusão” ou “incomodar”.  Se eles fossem alimentados após a meia-noite ou caíssem dentro da água, se multiplicavam.  E com sua inteligência, sabotavam e aterrorizavam uma cidade inteira.  

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Moléstia: Uma Experiência Teatral Inquietante





Não vou tanto ao teatro quanto gostaria. Sei que é uma falha grave e, de tempos em tempos acabo "tentando" reparar com algum espetáculo que me tire da zona de conforto. O teatro, diferente da televisão e do cinema, possui esse poder supremo. Afinal, não tem como fugir de uma peça. Tá... existem aquelas pessoas que podem, simplesmente, levantar e ir embora. Mas essas considero covardes! No fim das contas, essa não é a função primordial da arte? Mexer com a gente, gerar um incomodo e até um questionamento? 

E foi isso que Moléstia, peça em cartaz no Reduto (Rua Visconde de Irajá, 90 - Botafogo), provocou em mim. A história, escrita por Herton Gustavo Gratto, foi feita para despertar uma semente de dúvida na gente. Mas a precisa direção de Marcéu Pierrotti, em que vamos acompanhando cada ponto de vista do "possível responsável" pela atitude horrenda, é o que permite o enredo fluir tão bem ao longo de uma hora. 

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

A Sofrida e Brilhante Isaura Garcia




Vocês conhecem Isaura Garcia? Pois bem, admito que não conhecia NADA sobre ela. E fui convidado para assistir a uma peça sobre a sua vida e carreira no teatro Oi Casa Grande na última sexta-feira. O espetáculo tem no elenco duas brilhantes e renomadas atrizes de musicais: Kiara Sasso e Soraya Ravenle; e outra atriz decana da TV brasileira, mas muito fadada a trabalhos coadjuvantes: Rosamaria Murtinho. As três dão vida à homenageada em fases diferentes da vida e, ainda assim, contracenam em alguns momentos – nos quais a “Isaurinha” mais madura dialoga com as suas versões mais jovens e aprendizes da vida. 

Para quem não conhecia a sua história, durante o musical fica evidente que Isaura Garcia era uma mulher à frente de seu tempo. Vinda de uma família humilde do Brás, ela falava palavrões como se fossem conjunções. Foi descoberta para a música em um programa de calouros da Rádio Record aos 14 anos e teve que enfrentar o pai violento e machista, que batia em sua boca para que ela não pudesse cantar. A “Personalíssima”, como era chamada, tornou-se uma das grandes divas do rádio, na transição da Era de Ouro para a chegada da Bossa Nova e da Jovem Guarda. Casou-se de fato com um homem quase dez anos mais novo, o organista Walter Wanderley – também violento e machista – que alcançou fama internacional na época da Bossa Nova. Aliás, violência e machismo foi algo que não faltou em sua vida.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

#BeeeeemBlogueirinho





E aí galerinha, tutupom?

Vocês sabiam que nesta sexta-feira, 31 de agosto, comemora-se o Dia do Blog? E que no dia 20 de março é comemorado o Dia do Blogueiro? E como as datas comemorativas são sempre fontes de inspiração para meus textos, eis que trouxe esse tema tão atual e tão controverso para nós, belê? Mas quem são os blogueirinhos? Onde habitam? O que comem? O que fazem?

Ultimamente (beeeem ultimamente mesmo), temos visto e ouvido com frequência legendas do tipo “Estou bem blogueirinho (a) hoje”. E você? Nunca foi chamado ou se intitulou blogueirinho pelos amigos por gostar de moda em geral e assuntos afins? Se não, atire a primeira pedra! 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Fé, Deus e Uma Grande Porção de Intolerância





Já tem algum tempo que eu planejo falar sobre o assunto, mas sempre paro e penso: será que vale a pena a polêmica? Porque, tipo, eu sei que posso ser polêmico e que isso faz parte da minha natureza. Mas, sério, ando com preguiça do mundo, principalmente de burrice. Entretanto, se a gente não fala e cala, dá margem para que alguns pensamentos se espalhem sem que todos reflitam sobre absurdos ditos a torto e a direito por aí. Por isso, apesar dos pesares, cheguei a uma simples conclusão: foda-se, isso é liberdade de expressão! Se eles tem, eu também! Dois beijos pra quem não gostar!

Por isso, vou falar pra vocês uma coisa muito séria e que realmente ocupa a minha mente: eu tento não ter preconceito com evangélico, porque, para mim, se todo mundo seguisse o que Cristo pregava, principalmente o amor ao próximo e a Deus sobre todas as coisas, o mundo seria um lugar bem melhor. Do que eu efetivamente tenho preconceito é com gente burra, que não pensa e se deixa guiar pelo que outras pessoas dizem, sem usar a massa que tem dentro da cabeça e que não serve somente para fazer peso. 

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Ainda Precisamos Romper Muitos Grilhões





Hoje eu queria fazer um pequeno desabafo com um certo pesar e queria deixar no ar um questionamento para todos vocês, meus leitores: afinal, até onde vai nosso preconceito? 

Vivi uma situação muito constrangedora essa semana e gostaria de compartilhar aqui com vocês. Por um acaso, encontrei um amigo que tenho muito carinho, em Botafogo. Há algum tempo não o via e o chamei para tomar um café e colocarmos o papo em dia. Eu tinha acabado de sair do trabalho e, mesmo cansado, conversamos bastante. Esse meu amigo é um daqueles jovens superdotados: tem um QI elevadíssimo, fala várias línguas, discute filosofia, história da arte, antropologia, é ator, superdescolado e com uma conversa agradabilíssima.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

A Vendedora de Livros: o Tipo de Literatura Que Não Sai da Sua Cabeça




Acabei de terminar A Vendedora de Livros, da autora estreante Cynthia Swanson. E me encontro naquele estado reflexivo de pós-leitura. Nesse caso especial, não consigo nem definir os meus sentimentos com essa obra e isso é angustiante. 

Posso afirmar que o enredo é envolvente, se liga só: uma mulher, Kitty Miller, possui sociedade em uma livraria com sua melhor amiga da época de colégio, Frieda. O ano é 1960 e a moça está na casa dos trinta e poucos anos, mas não é noiva e tão pouco pensa em se casar. Na verdade, teve um longo namoro com um término traumático, o que acabou não resultando em casamento e a moça optou por continuar assim... Só que algo estranho acontece certa noite. Ao ir dormir, Kitty acorda em outra casa e ao lado de um homem, que descobre ser seu marido. Indo direto ao espelho, ela percebe que é a mesma mulher, mas descobre que tem uma vida completamente diferente. Se chama Katharyn Andersson e possui três filhos! E agora, qual dessas duas vidas é a real? 

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

O Jogo dos Tronos: Fantasia e Realidade Cruel




Já expliquei aqui no Barba Feita que sou um retardatário quanto a séries. Tenho recuperado meu tempo perdido nas horinhas que me restam de lazer durante a semana – ainda assim tem uma infinidade de outras na fila para serem vistas. A mais recente a que assisti do início ao fim foi Game of Thrones. Fomos da primeira à sétima temporada em poucos meses, numa maratona dia após dia, que passou por muito amor, mas também muito ódio com a série. Ao menos da minha parte. Mas você pode ler tranquilo que aqui não tem spoilers, tá?

Demorei para engrenar em GoT: não sou fã de histórias com estilo medieval, muito menos com fantasia (uma das poucas sagas fantasiosas que eu gosto muito é Harry Potter e também demorei a me afeiçoar a Star Wars). A banalização da morte e o desprendimento com personagens com certo protagonismo, somados ao fato de que eu sabia de alguns spoilers que havia visto no Facebook à época em que as temporadas eram transmitidas, me causaram também certa rejeição. Mas perseverei e acabei sendo fisgado de vez – tudo bem que após o episódio mais chocante e quase ultrajante (ao fim da terceira temporada, no qual ocorreu o famigerado “Casamento Vermelho”), eu quase pensei em desistir... 

terça-feira, 21 de agosto de 2018

As Flores de Plástico Não Morrem. Mas Será Que São Felizes?





Na última semana que passou, vários conflitos permearam a minha cabeça sobre as escolhas que temos que fazer em nossas vidas. Seja abdicar de algo para mantermo-nos em um emprego bacana e consolidar a nossa carreira, seja para vivermos em harmonia numa sociedade que dita as regras do que é certo e errado para nós, ou simplesmente para vivermos felizes dentro das nossas convicções de crença e felicidade.

Esses temas fervilharam a minha cabeça e me trouxeram várias ideias de texto, que talvez no decorrer das próximas semanas eu desenvolva de forma diferente, mas abordando com o mesmo cerne.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Dez Produções Recentes (e Imperdíveis!) Com Temática LGBT





Eu sei que o termo mais atual para definir toda a ampla e diferente comunidade não heterossexual é LGBTQ+. Entretanto, eu sou mais como o Marcos Araújo, nosso colunista das sextas-feiras aqui do Barba Feita: para mim, será sempre LGBT, combinados? Se sim ou se não, tanto faz, segue o baile.

O legal, entretanto, é que com ou sem novos rótulos, essa população, que por tanto tempo foi marginalizada na vida real e nas obras da cultura pop, estão vindo à luz, mostrando-se ao mundo como efetivamente são, fugindo de estigmas e preconceitos. E um reflexo disso é que há muito que os personagens gays tem sido mais aprofundados, ganhando plots interessantes em produções para o grande público, como filmes, séries e novelas. Isso quando não são eles os protagonistas de boas tramas.

A coluna de hoje é um pequeno apanhado de produções mais recentes (a mais antiga teve início em 2009, mas continua no ar até hoje, com fôlego para muito mais tempo ainda) que tem a temática LGBT em sua gênese. São filmes, séries e dois realities que nos brindam com esse mundo vasto, dramático e colorido, sem apelar para fórmulas fáceis, resultando em obras interessantes e que merecem ser conhecidas e conferidas.

sábado, 18 de agosto de 2018

Madonna: Os 60 Anos do Ícone LGBT Que Quebrou Barreiras





Madonna, o maior ícone pop global da comunidade LGBT – e a cantora mais bem sucedida de todos os tempos – completou 60 anos dia 16 de agosto. Em seus 35 anos de carreira, foram muitos os momentos em que ela levou a cultura gay dos guetos para o mainstream, e deu voz às mulheres, aos gays e a outros que precisavam ser ouvidos. Basta alguns minutos no Google para verificar que ela foi a primeira artista pop do primeiro escalão a levantar a bandeira LGBT, e o fez numa época em que a simples menção da palavra gay era um enorme tabu. Nos anos 1980 e 1990, as pessoas LGBT eram diretamente associadas a AIDS, pecado, morte e promiscuidade pela maior parte da sociedade.

Mas desafiar o sistema e quebrar barreiras sociais sempre foi o hobby de Madonna. A artista botou sua conta em risco e abraçou a causa da nossa comunidade, da qual sempre foi genuinamente próxima, desde muito antes de ser uma estrela. E pagou um preço alto por isso. Nem sempre as polêmicas lhe garantiram sucesso comercial.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Ainda Dá Pra Ser Otimista?




Sempre fui um otimista de carteirinha.  Vivi aquelas tenebrosas épocas de hiperinflação totalmente fora do controle.  Lembro que naquele período a inflação chegou a ultrapassar 80% ao mês (é... não era ao ano não... era ao mês mesmo).  Nos supermercados, o que você comprava pela manhã tinha um valor reajustado à tarde, assim como as contas bancárias.  De um dia para o outro, o dinheiro dos brasileiros perdia o valor.  Inventaram o tal congelamento dos preços e o que se viu foi o caos.  Produtos desapareceram e havia racionamento de produtos básicos.  Mas sempre acreditei que as coisas melhorariam.

Minha mãe me acordava às seis da manhã e íamos para o mercadinho do bairro, com meus irmãos reclamando de sono, para comprar comida.  Lembro que ficávamos horas na fila para poder comprar leite, carne, arroz e feijão.  E isso não foi em nenhum período pós-guerra não!  Isso aconteceu nos anos 1980!  Época de transição política com o fim da ditadura e o retorno da democracia.  Os militares deixaram o país em um endividamento externo absurdo e o país afundava com a elevação dos juros e a desvalorização da moeda devido aos empréstimos realizados ao Fundo Monetário Internacional (o tão falado FMI).   A consequência foi um monte de planos de estabilização da economia (Cruzado, Bresser, Verão) e um período de moratória, manchando a imagem do Brasil internacionalmente.  Mas eu tinha a convicção que minha mãe deixaria de me acordar às seis da manhã e que, em algum determinado momento, tudo se resolveria.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Na Fila do Banco...




Outro dia, muito que por acaso, encontrei um amigo que não via há tempos. Sabe como é. A vida anda corrida, agitada mesmo! Como estávamos no banco não foi preciso marcar uma saída que nunca iria acontecer de fato. Coisa de carioca! 

A fila era grande e a senha que cada um tinha na mão parecia bem distante de ser anunciada no telão. Foi quando esse meu amigo decidiu puxar assunto e me perguntar como estava minha vida. Contei que não sabia o que era ter tempo livre desde dezembro do ano passado, mas não tive nem tempo de concluir meu raciocínio. Fui atropelado por informações de como esse meu amigo estava. Alias, nada bem. O casamento de três anos periga de terminar. Ele não anda tendo mais tesão no marido e o marido não anda querendo mais saber dele como antes. Um problemão. Ele ainda me confidenciou que não pretende abrir a relação e que isso é só uma desculpa que os gays criam para não demonstrarem que o casamento acabou e que precisam de "carne nova" para satisfazer o que não anda muito bem...

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Sobre Canhotos, Gays e Outras "Abominações"




Essa semana começou com uma celebração, no mínimo, curiosa: segunda-feira, dia 13 de agosto, além de ser o Dia do Desgosto é também o Dia Internacional do Canhoto. Entre tantas datas esdrúxulas para serem lembradas, essa teve o seu significado histórico: durante muitos séculos, os canhotos eram vistos como errados, como abominações, perseguidos inclusive de forma religiosa. Parece inacreditável, mas havia quem achasse que os que escreviam com a mão esquerda iriam para o inferno simplesmente por nascerem assim. A coisa é tão pesada que o sinônimo pra canhoto é "sinistro", enquanto destreza é analogia para quem é habilidoso. 

Cerca de 10% da população mundial é canhota. Os outros 90% estão divididos entre destros e ambidestros. Calcula-se que um grande percentual das pessoas possa ser ambidestro, mas acaba optando pela mão direita dominante simplesmente por ser algo convencional na sociedade. Passados tantos anos e após inúmeros estudos, ainda há intolerância e preconceito contra canhotos mundo afora, embora já tenha sido esclarecido que não há nada de errado e existam até vertentes que associam os tais “sinistros” à criatividade e à intelectualidade. 

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Mãe, Tá Tudo Bem! Feliz Dia dos Pais!




No último domingo, 12/08, comemoramos o Dia dos Pais. E resolvi escrever a coluna de hoje em forma de carta. E esta carta dedico à minha tia Nanci, irmã da minha mãe, minha madrinha. Aquela que me criou após o abandono do meu pai e falecimento da minha mãe aos 43 anos de idade, há 25 anos atrás. 
“Mãe…Você tem sido o alicerce da nossa família, onde se desdobra para não faltar nada nas nossas vidas, mesmo que para isso tenha que trabalhar horas a fio, sem direito a descansar. Por ser a filha caçula e solteira, carregou no ombro não somente a responsabilidade em cuidar de seus filhos, mas de mim – seu sobrinho, a quem sua irmã deixou tão cedo para estar ao lado do Pai, e também de zelar pelo meu avô até seus últimos dias de vida. Além de tudo isso, quantas vezes teve que socorrer outros membros da família nas horas incertas, com as suas mãos sempre estendidas. E, no final, você sempre fez com que ficasse tudo bem, né, mãe?

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Como é Cruel Viver Assim: Um Retrato da Mediocridade Que nos Rodeia





Já falei por aqui que a produção cinematográfica brasileira há muito vem se diversificando. Apesar das comédias ainda serem maioria entre as obras nacionais que chegam aos cinemas, aos poucos vamos ganhando um pouco mais de opções em diversos gêneros que vão sendo testados e produzidos. 

Como é Cruel Viver Assim, que chega ao grande circuito na próxima quinta-feira, dia 16/08/2018, é um desses exemplos de como o cinema nacional tenta se enveredar por outras áreas, atingindo resultados diferenciados de acordo com a execução de cada projeto. Dirigido por Júlia Rezende, o filme tem roteiro de Fernando Ceylão e conta a história de um grupo de quatro pessoas que, sem nenhuma perspectiva na vida, decide realizar um sequestro para mudar de condição. O problema é que todos são completamente inexperientes na vida de crimes e muito diferentes entre si. 

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Ninguém Entendeu Maquiavel




É hora de falar sobre política, pois nos dias de hoje, é necessário termos um canal aberto para dialogarmos sobre esse assunto.  Afinal, as eleições estão aí na nossa porta.  E depois não adianta chorar pelo leite derramado. 

Muitas vezes tenho a impressão de que política sempre foi um assunto desinteressante para a maioria das pessoas.  Quase todo mundo torce o nariz quando, em uma rodinha de amigos, o tema surge.  E aí começam as farpas, brigas e o esvaziamento do discurso.  E é nítido que mais da metade das pessoas sequer compreende um centésimo sobre o assunto.  Eu, particularmente, não sou e nunca serei um expert em política.  Afinal, também fui um daqueles jovens que não tiveram, em sua formação, uma discussão mais profunda sobre o tema, mas sempre me interessei em ler. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A Casa Dos Budas Ditosos e Um Convite à Uma Viagem de Luxúria





Se tem uma coisa que gosto de fazer é rever filmes e reler livros. Acho que isso sempre ajuda a perceber o quanto mudamos como pessoa. É claro que no meio disso tudo também existem os "favoritos da vida" - aquele tipo de livro e filme que vamos ter um carinho especial pra sempre, mas que no fundo são só um lembrete de determinada época que vivemos e não vai mais voltar. Não. Nesse caso falo de uma obra que me marcou e sempre tive certa curiosidade de reler, até para entender se continua tão espetacular quanto em minha primeira aventura por suas páginas.

Aos 14 anos, por exemplo, um livro mudou minha forma de encarar os desejos. Lembro até hoje o impacto que A Casa dos Budas Ditosos teve em mim, na forma com que já podava certas vontades que começavam a brotar em meu peito. A obra de João Ubaldo Ribeiro foi como um sopro de liberdade em minha mente e veio quando menos esperava e mais precisava. Esse tipo de encontro parece um capricho do destino para brincar com a gente...

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Oito do Oito





Hoje é 08/08/18. Com tantos números oito no mesmo dia, seria uma data especial? Cabalística? Kármica? Parei pra pensar um pouquinho no que esse numeral representa. O que traz para mim, pessoalmente ou mesmo na esfera do conhecimento. O oito nunca foi um dos meus números da sorte (sempre fui mais partidário da sua metade, o quatro); aliás, não me recordo de ver pessoas o destacarem como tal: geralmente ficam mais com o 3, o 7 ou o 13. 

Segundo o site Dicionário de Símbolos, o número 8 é, universalmente, considerado o símbolo do equilíbrio cósmico. É um número que possui um valor de mediação entre o círculo e o quadrado, entre a terra e o céu e, por isso, está relacionado com o mundo intermediário e um simbolismo de equilíbrio central e com a justiça. O mesmo portal ainda destaca que nas culturas orientais e africanas, o número oito carrega um poder simbólico equivalente, em alguma medida, ao do número 7 para a cultura ocidental. No Japão, o número 8 é um número sagrado. Nas crenças africanas, o oito possui um simbolismo totalizador. 

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Uma Questão de Fé



“Vamos saudar a liberdade cultural e religiosa, respeitando uns aos outros e percebermos que quando se há fé, para o bem, todos os caminhos levam a um único objetivo: o amor entre irmãos! ”

Com essa frase eu encerrava, há dois anos, a última cena do espetáculo Exu – Luz no Caminho, um dos meus maiores desafios na minha curta carreira teatral. Na época, eu, por ter uma criação católica, me recusara, em princípio, a interpretar uma entidade no teatro, por preconceito. Não tinha temor propriamente dito. Não gostava, simplesmente.

Exu me fez refletir sobre muitas coisas na minha caminhada, até então, pela fé. Não me tornei um discípulo da umbanda ou do candomblé. Mas passei (e muito) a respeitar as outras crenças.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Ciático





Eu completei 37 anos no último dia 22 de julho. E ainda acho incrível esse número. Trinta e sete. Porque parece que foi ontem e eu tinha 15 anos e esperava ansioso para fazer 18, ter a minha liberdade, a minha vida, a minha independência. Somos tão tolinhos e idiotas quando adolescentes, não?

Os 18, é claro, chegaram. Na verdade, o dobro dessa idade mais um ano, vividos intensamente e sem grandes arrependimentos. Com o passar do tempo veio realmente a independência, a liberdade, uma vida que, sendo bem sincero, eu nem imaginava possível pra mim quando era aquele adolescente bobo do interior do estado do Rio. Mas, com o tempo - e a idade! - vieram também as complicações.

Se com 15 anos eu achava que depois dos 20 eu estaria casado, com família constituída e vivendo um comercial de margarina, eu descobri que, aos 37, tive relacionamentos diversos e intensos, casei e separei, me permiti viver, amei e fui amado, mas bem longe do modelo de cartilha tradicional que eu julgava que seria seguido por mim. E com essas surpresas, me encontrei e abracei a felicidade de me permitir.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Quinze Anos




No dia seguinte à morte de minha mãe, imaginei que ela estava ao meu lado, me acordando para que eu não chegasse atrasado no trabalho. Eu já estava acostumado com essa rotina pois, anos a fio, ela repetiu isso... Cinco minutos antes do combinado, puxava devagar o lençol ou cobertor e afagava meus cabelos para que aos poucos eu pudesse despertar. Eu sempre caía no sono novamente e, ao final dos cinco minutos de lambuja, novamente chegava à beira de minha cama e avisava baixinho: “agora, chega de preguiça. Já está na hora de levantar mesmo!”

Mesmo após sua partida, todos os dias ainda sentia verdadeiramente a sua presença ao me despertar cinco minutos antes. Também cheguei a imaginar sua risada inconfundível ao telefone e sua mansidão, desejando um bom dia. Hoje eu tenho certeza de que ela sempre esteve por ali, para que não sentisse tanto sua falta. 

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Playlist do Sil: Mexendo a Raba com A...GOSTO!





Quinta-feira chuvosa no Rio de Janeiro, mas nem por isso podemos deixar de comemorar que Agosto, o mês do ---insira aqui sua opinião--- veio com tudo! E com música boa, todo dia, até mesmo os chuvosos, podem ficar mais alegres e sextar como um bom início de final de semana, não é mesmo?

E como já tem um tempo que não separo umas músicas viciantes para vocês, segura a raba que lá vem pancadão, em uma listinha de seis, só pra "sextar"! Vamo rebolar a bunda hoje!

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Dia dos Pais é Só Para Brancos?




Uma propaganda bem-humorada, com um homem mostrando a sua forma de olhar as relações com seus filhos, dizendo que “nasceu pra ser pai” para vender perfumes no Dia dos Pais. Seria um comercial como outro qualquer, ano após ano, não fosse por uma questão: a cabeça racista dos expectadores. A família representada é inteiramente composta por atores negros, como em diversas vezes já fora com atores brancos em inúmeras peças publicitárias. E somente isso foi o suficiente para começar uma campanha de “dislikes” no vídeo no Youtube. 

Quem me alertou desse movimento foi o Leandro Faria, nosso editor do Barba Feita. Nessas horas é bem difícil a gente lembrar que tem que fazer esforço contra horrores como esse do racismo, bem como do machismo, homofobia, discriminação social... E você pode até se perguntar: “como pode isso em pleno ano de 2018?”, mas isso é a maior prova de que nós vivemos em determinadas bolhas em um mundo e país ainda pouco avançado em relação a direitos humanos e empatia. 

terça-feira, 31 de julho de 2018

Reflexões De Mais Uma Primavera



Mais um aniversário. No último 29 de julho completei meus 38 anos de idade. E a partir de agora, um novo ciclo se apresenta com toda a sua imponência querendo que os próximos 365 dias sejam de muita força e fé. 

Este ano resolvi fazer diferente. Não produzi um tradicional videoclipe que publicava em minhas redes sociais, mas eis minha mensagem, aqui pelo Barba, retratada na imagem que ilustra a coluna de hoje. 

Então vamos lá! Primeiro olhem essa foto. Olharam? Agora olhem de novo! Ela foi tirada e produzida pelo badalado fotógrafo das estrelas Sérgio Santoian. Ela simboliza apenas mais um anônimo que sucumbiu à arte desse brilhante profissional. Para mim, ela representa os inúmeros gritos que dei, de inúmeras formas, nesses anos que se passaram. Foram sentimentos de alegria, tristeza, mágoas, decepções, realizações, “tapas com luva de pelica”, vingança, renascimento, introspecção, raiva, amor por mim e amor pela vitória dos meus. Sim, eu vivi tudo e acho que até mais um pouco nestes meus 38 anos de vida.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

A Incrível Arte da Falta de Noção Exemplificada em Cinco Situações





Que atire a primeira pedra quem nunca foi inconveniente nessa vida. É humano, faz parte, a gente ignora e finge que não aconteceu, correto? Mas como agir com aquele povo que parece que nasceu pra ser  e constranger as pessoas à sua volta?

E o pajubá é bem claro, se você não está familiarizado com o termo:
 = aquele ou aquela que faz questão de ser indelicado. Pessoa nonsense, que não percebe (ou percebe e ignora) o momento de calar a boca. Aquela prima, amigo ou fdp que você conhece e está pensando exatamente nesse momento.
Perguntas indiscretas, comentários maldosos, segredos (alheios) revelados. O mundo está cheio de gente fdp que tem prazer em mostrar que ser  é muito simples, basta querer. 

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Nosso Jeito Hipster de Ser




Quando eu era adolescente, não existia o termo nerd. Geralmente, aqueles moleques com óculos “fundo de garrafa”, aparelho nos dentes, cheios de espinhas e que só tiravam notas máximas nas matérias mais chatas do colégio eram chamados de CDFs (“crânios-de-ferro”) ou “cus-de-ferro” (que na época não tinha a menor noção que pudesse significar). Só depois entendi que o termo mais vulgar era pelo motivo do aluno nunca faltar à escola e precisar ter “cu-de-ferro” pra aguentar ficar sentado por tanto tempo na mesma posição assistindo aula. Obviamente, isso já era uma forma de bullying, mas pelo que me lembro, os CDFs até gostavam de ser chamados assim. Na minha turma existiam vários deles e que certamente se orgulhavam em ser superiores aos alunos medíocres, como eu.

Quase sempre, os CDFs eram péssimos nas aulas de educação física. Mas eram excelentes em química, física e matemática. E, por esse motivo, deixavam de ser as criaturas isoladas, passando a ser os queridinhos, já que tinham o talento nato para explicar aquelas equações aterradoras com uma didática compreensível.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Cinco Meses e 2018 Acabou!




Última quinta-feira de julho e minha ficha acaba de cair para algo muito importante: em cinco meses o ano acaba! Não preciso nem dar uma olhada na minha lista de metas para 2018, sei que não realizei nenhum item da lista. NADA! 

O que mais me assusta é que terei um tempo livre em breve. No último ano quase não parei. Emendei um trabalho após o outro, mas dessa vez, infelizmente, sinto que terei umas férias forçadas. Parte de mim fica feliz e já programa maratona de séries, filmes e livros para esse tempo. Mas outra metade já se preocupa com o lado financeiro da coisa toda: é preciso ganhar dinheiro para pagar a Netflix, internet e a conta de luz...

quarta-feira, 25 de julho de 2018

E Se Fosse Possível Voltar ao Passado?




Dia desses estava jogando em casa um teste via Facebook, no qual você responde a perguntas, tenta adivinhar as respostas dos outros e vê se os outros acertaram as suas. Numa das questões, uma curiosidade trivial: “Se você pudesse viajar no tempo, para onde você iria?”. Só havia duas respostas possíveis: “Passado” e “Futuro”. E eu demorei um tempinho até me decidir. Acabei optando pelo Passado, por achar que deve ser desesperador ir para o Futuro e acabar descobrindo que, em um intervalo de tempo, não teríamos um ente querido do nosso lado, ou estaríamos num desvio completo dos nossos planejamentos, ou passando alguma necessidade... sei lá.

Passei para as próximas perguntas, mas depois me questionei: “o que eu faria se, de fato, pudesse viajar para o passado?”. Claro, porque ir para tempos pretéritos só vale a pena se for para podermos mudar algo ou redefinir o que já foi escrito. Um professor meu de Ciências dizia que nós nunca poderíamos voltar para o passado pois, se pudéssemos, já teríamos nos deparado com viajantes do futuro entre nós. Faz sentido. Mas, e se...

terça-feira, 24 de julho de 2018

Toda Nude(s) Continua Sendo Castigada




Em Toda Nudez Será Castigada, peça escrita por Nelson Rodrigues em 1965, o autor, que eu particularmente sou mega fã, opta pela narrativa dos fatos sob a ótica de um de seus personagens (a prostituta Geni), do mesmo modo que utiliza esses recursos em textos como Vestido de Noiva e Bonitinha, Mas Ordinária. Isso equivale a dizer que o que vemos em cena (já assisti algumas montagens, inclusive) nunca será a verdade dos fatos, mas o ponto de vista de uma personagem de acordo com as circunstâncias em que se encontra no momento da narrativa.

Ora, mas porque esse preâmbulo? Porque hoje eu gostaria de falar de um tema que para uns soa polêmico, para outros natural, para outros proibido: as famosas nudes.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Testamos: Carteiras Chimp





Quando pensa em uma carteira, o que é mais importante para você? Tem quem valorize o design, outros o tamanho e o espaço interno, ou ainda o conforto. Eu, particularmente, sempre apreciei as carteiras mais discretas, que não ficassem marcando muito no bolso, mas que fossem práticas e que acomodassem meus cartões e documentos. Assim, foi um prazer descobrir as carteiras Chimp, que valorizam a simplicidade e a beleza, de forma prática para te acompanhar durante o seu dia a dia.

Na coluna Testamos, apresentamos a nossa opinião sobre produtos ou serviços, com honestidade e transparência. Nosso objetivo é compartilhar a nossa experiência, ajudando nossos leitores a optar ou não por realizar uma compra de produtos e serviços. E se você está procurando informações sobre uma carteira compacta e de qualidade, a coluna de hoje é feita sob medida para suas necessidades. Assim como as carteiras Chimp.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

O Verdadeiro Mal do Século





Mesmo depois de 35 anos, a AIDS ainda continua causando preconceito e hostilidade entre as pessoas. Fiquei pensando muito nisso quando, nesta semana, um amigo confidenciou-me ser soropositivo. E o que mais me surpreendeu em seu desabafo não foi o fato dele estar preocupado com o vírus em si, mas sim, em sua aflição pelo diagnóstico ter mudado sua identidade perante às pessoas ao seu redor.

Só conseguia pensar em A Metamorfose, clássico do escritor austro-húngaro Franz Kafka, escrito em 1912, que, de certa maneira, também poderia ser usado na atualidade como uma metáfora para a síndrome. Na obra, é contada a história do caixeiro-viajante Gregor Samsa que, um dia, acorda metamorfoseado em um enorme inseto. E o que mais o incomodava não era o fato de olhar no espelho e descobrir que tinha se transformado em uma barata, mas sim, pelo medo da rejeição que aquela criatura provocaria no seu ambiente de trabalho.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Decepcionado, Mas Sem Surpresa




Sou um cara otimista. Tento ver o lado bom das coisas, mesmo quando é muito difícil e a única frase possível seja: é, fudeu mesmo! Acho sinceramente que tudo acontece por um motivo. Quando mais novo, acreditava nisso um pouquinho mais, Makutb era quase que uma filosofia de vida. 

O que acontece é que o tempo passa e isso se torna menos crível. Pode ser o velho papo de amadurecer e possuir mais decepções na vida do que maridos da Gretchen, vai saber. Mas o fato é que ando me desencantando mais de acreditar que tudo vai dar certo. Óbvio que a gente quer que tudo aconteça da melhor maneira. Queremos conseguir o que desejamos. Queremos que nossos amigos consigam viajar, trocar de emprego ou até mesmo de crush. Mas tirando esse nosso simples desejo, será que o universo está realmente atento? Será que se vibrarmos positivamente o mundo vai nos retribuir o que tanto desejamos de volta? Hoje eu me sinto um pouco menos esperançoso quanto a isso.