quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Dica do Sil: 5 Músicas Para Esquentar o Seu Feriadão (e 2019 Que Se Aproxima)




Se Brasileiro nasceu com um dom, meu querido, com toda certeza foi o de aproveitar enquanto pode.

E, antes que 2018 acabe, vamos usar esse feriadão como um grande presente dos deuses e curtir pra valer. Enquanto a gente puder. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Super Drags: Vale a Pena Assistir?




Vocês já pararam para assistir Super Drags, na Netflix? Se você vive em outro mundo: trata-se da animação brasileira com apenas cinco episódios (curtinhos de menos de meia hora) em que três drag queens heroínas salvam o mundo em seu dia-a-dia. Recheado de "humor gay", o desenho (voltado para maiores de 16 anos, como reiterado por diversas vezes) tem muitos pontos fracos, mas demonstra um valor enorme no quesito representatividade.

Patrick, Donizete e Ralph são amigos que trabalham em uma loja de departamentos mas que, quando o mundo entra em perigo, acionam a "Hora de Montar" e se tornam Lemon, Scarlet e Safira, que vêm para dar "o close certo". Comandadas por Vedete Champagne (dublada pela famosa drag Silvetty Montilla) à distância (estilo As Panteras), elas tem em Goldiva (voz de Pabllo Vittar) seu ícone drag máximo. 

terça-feira, 13 de novembro de 2018

"Toque, Toque!" Abra Aí, Que Novembro Chegou!




Preconceito, falta de informação, ideias equivocadas… Estas são algumas das características do comportamento masculino quando o assunto é saúde, sobretudo quando envolve a próstata. 

O assunto é delicado, todos sabemos. Então, assim como no mês passado, resolvi trazer aqui alguns pontos importantes que norteiam a campanha de conscientização do famoso e temido Novembro Azul. Vamos, dessa vez, fazer em tópicos objetivos que facilitem a dinâmica da leitura e que tragam aos barbados de plantão (vale para os não barbados também, desde que tenham pinto!) a preocupação em cuidar de sua própria saúde, já que uma das características deste mal, assim como de outros cânceres, é justamente o alastre silencioso, e quando descoberto tardiamente, não há “fio-terra” que reverta. Então, vamos lá meninos!

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Entrevista Com Deus: Uma Mensagem Cristã em Embalagem Pop






Como escrever sobre uma história de fé sendo uma pessoa sem... fé? Esse foi o meu maior questionamento quando recebi o convite da Imagem Filmes para a cabine de imprensa do longa Entrevista Com Deus, que chega aos cinemas de todo o Brasil na próxima quinta-feira, dia 15/11. Pensei comigo: "como eu, que não acredito em muita coisa, encararei um filme que, obviamente, fala de crenças e fé?". Mas, com a mente aberta e uma grande dose de boa vontade resolvi encarar o desafio. 

No longa dirigido por Perry Lang, o jornalista Paul Asher, vivido por Brenton Thwaites, retorna aos EUA depois de cobrir a guerra do Afeganistão. Escrevendo sobre religiões para o jornal americano The Herald, enquanto passa por uma crise em seu casamento e tenta lidar com os traumas que presenciou na guerra, Paul recebe um convite estranho e curioso: Deus, vivido pelo ator David Strathairn, oferece uma entrevista para Paul, a ser concedida em três partes, durante três dias consecutivos. Intrigado e descrente, Paul aceita o convite, mas quando finalmente se vê cara a cara com o homem que diz ser Deus, ele acaba mergulhando em uma série de dúvidas sobre si e sobre a humanidade em geral. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

"A Arte Existe Porque a Vida Não Basta"





A frase do título da coluna de hoje foi dita por Ferreira Gullar, um dos maiores poetas vivos da atualidade. Gullar foi autor de Poema Sujo, uma das obras mais ousadas da língua portuguesa, escrito em 1976, quando estava exilado em Buenos Aires por motivos políticos. Na época, o Brasil estava sob o regime militar desde o golpe de 1964 e o governo tinha autorização para entrar no país hermano para capturar presos políticos.

Poema Sujo foi concebido ao longo de seis meses, como uma espécie de testemunho final, pois o poeta temia pelo seu futuro devido à repressão que sofria. E é, antes de tudo, um desabafo. Gullar disse certa vez que “o poema era sujo como o povo brasileiro, como a vida do povo brasileiro”.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Shakespeare? Nunca Nem Li...




Nunca li Shakespeare! Ufa... Admitir isso foi bem mais fácil do que pensei. Pode parecer estranho para vocês, mas há dois dias estava martelando em minha cabeça essa minha falta com o dramaturgo inglês.

Vejam bem. O fato de nunca ter lido Shakespeare não significa que não conheço parte substancial de sua obra. A gente acaba aprendendo por osmose sobre uma das maiores “tragédias” de amor já escritas. Romeu e Julieta possui inúmeras adaptações, incluindo a versão teatral com músicas de Marisa Monte, que recomendo muito! Já no cinema, Claire Danes e Leonardo DiCaprio ocupam o posto de Julieta e Romeu da minha adaptação favorita, dirigida por Baz Luhrman e lançada em 1996.

Mas nem só de Montéquios e Capuletos viveu o famoso autor. Em sua lista de personagens icônicos e histórias memoráveis nós temos: Hamlet, Otelo, Macbeth, A Megera Domada, Ricardo III e por aí vai. Por conta de seu vasto trabalho, William contribuiu diretamente (indiretamente também) para o surgimento de incontáveis obras que foram, de alguma maneira, derivadas de seu trabalho original.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

O Pior do Brasil é o Brasileiro




Por anos, ouvimos falar que o “melhor do Brasil é o brasileiro”. Não, nobre leitor. Lamento informar, mas o brasileiro é o que de pior temos em nosso país. Sei que posso estar generalizando, mas nesse momento não tenho como não pensar diferente. Tivemos uma eleição surreal há poucos dias e, o que vimos na sequência, foi ainda mais surreal. Somos uma nação que não se olha no espelho e, por isso, se odeia a si mesma.

Aliás, deixe-me apresentar: não sou titular de nenhum dos dias do Barba Feita. Pedi licença para estar aqui hoje, por enxergar um espaço de defesa da Democracia e dos Direitos Humanos, acima de tudo. Acompanho as diferenças que cada um dos colunistas tem no seu pensamento, mas noto que todos têm a preocupação com o ser humano em primeiro lugar. Diferentemente de muitos brasileiros...

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Outubros...




“...Menino, acorda e vem olhar
O sol não tarda em levantar...
Outros outubros tu verás
E outubros guardam histórias...”

Esse fragmento da música Círios, de Vital Lima, traduz em quatro estrofes 38 outubros da minha vida. Apesar de idolatrar julho, o mês em que nasci (sou muuuuito leonino!), cheguei à conclusão na última semana que os fatos que mais marcaram a minha vida, e divisores de muitas águas, ocorreram nos meses de outubro. Resolvi, então, nesta primeira terça-feira de novembro, fazer um breve retrospecto dessa trajetória.

Era 29 de outubro de 1993, quando, aos meus 13 anos, acordei para viver o pior dia da minha vida. Minha mãe (genitora) acordara por volta das 5 da manhã para passar roupas para o meu irmão mais velho trabalhar quando, sem esperar, começou a sentir fortíssimas dores na cabeça. Em questão de minutos ela estava caída no chão com a língua enrolada, principiando um derrame cerebral. Amigos auxiliaram a levá-la ao hospital, em uma cena que não sai da minha cabeça até hoje. Cerca de 2 horas depois, lembro do vizinho que a levou entrar no quintal da minha antiga casa com um semblante pesado de tristeza. Era o anúncio de sua morte. Minha mãe tinha apenas 43 anos. Vivia uma relação instável com meu pai e por essa razão ela era a provedora de seus quatro filhos. Meu irmão mais novo tinha 6 anos. Resumindo, meu pai desapareceu de vez no dia de sua missa de sétimo dia, e eu e meu irmão passamos pouco mais de uma semana abandonados, inclusive sem comida. Nos últimos dois dias de abandono, nosso jantar era uma “farofa doce”, onde os ingredientes eram os últimos que existiam em nosso armário: óleo velho de frituras anteriores, farinha de mandioca e um resto de açúcar. Dias depois, fui resgatado por minha madrinha, irmã da minha mãe, e hoje a maior referência, para mim, de ser humano.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Kit-Gay: Cinco Livros Imperdíveis Com Histórias Homoafetivas




"Toda vez que dois garotos se beijam, o mundo se abre um pouco mais. Seu mundo. O mundo que deixamos. O mundo que deixamos para vocês. Esse é o poder de um beijo: ele não tem o poder de te matar; mas tem o poder de te trazer à vida." David Levithan, em Dois Garotos Se Beijando
Enquanto imbecis (ainda!!!) falam em kit-gay e baboseiras similares, a gente vai tentando resistir, autodidata como sempre foi. Mas isso não significa que a literatura não tenha nos presenteado com belas histórias em que relacionamentos homoafetivos estão no centro de suas narrativas.

Assim, buscando incentivar e indicar boas leituras, trago hoje uma listinha especial, com livros que tem em suas tramas principais histórias protagonizadas por adolescentes gays se descobrindo e/ou vivendo romances homoafetivos. Afinal, a gente aprendeu desde muito cedo de que pra ser gay não é necessário nenhuma cartilha ou doutrinação (a menos que a sua heterossexualidade seja altamente questionável) e tudo que sempre queremos é nos vermos representados como somos na TV, no cinema e na literatura.

Eis o meu kit-gay para vocês. Inclusive para quem não é gay, nem um completo idiota, mas que aprecia boas histórias universais.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Pizza do Fim-do-Mundo






Ingredientes para a massa:
6 xícaras (chá) de farinha de trigo (cerca de 740 g)
50 gramas de fermento biológico seco (não é o de tabletes. É o fermento que vende em qualquer padaria)
2 colheres de chá de sal
2 ½ xícaras (chá) de leite
1/4 xícara (chá) de azeite

Ingredientes para recheio:
½ kg de muçarela (de preferência já ralada)
Para o molho é tomate, pimentão, cebola e um pouco de molho de tomate

Depois de descascar tudo, misture bem e leve até ao forno para refogar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Brigadeiro de Panela





Sou chocólatra assumido! E nada melhor do que um belo brigadeiro de panela para ser companhia em uma maratona de séries. Olha só essa receita imperdível para vocês.

Ingredientes:

1 Colher de sopa de manteiga ou margarina
1 Lata de leite condensado
4 Colheres de sopa de chocolate em pó
1 Pacote de chocolate granulado

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Sopa Cremosa de Alho-Poró com Cottage





Aqui uma excelente opção prática, de baixa caloria, que dá uma boa saciedade:

Ingredientes (8):

2 alhos-porós
1 unidade de cebola picada
2 dentes de alho amassados
2 colheres (sopa) de azeite de oliva
1 xícara (chá) de queijo cottage
1 xícara (chá) de caldo de legumes sem gordura
1 xícara (chá) de leite desnatado
sal a gosto

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Panqueca de Frango do Julico





Aprendi a fazer panqueca aos 16 anos, quando minha mãe-madrinha ficava dias de plantão, pulando de um hospital para outro, e essa era a forma de fazer ela se sentir confortável e acarinhada ao voltar para casa. Em tempos que precisamos de amor, segue minha receita que lembra todo esse sentimento para mim. Essas medidas servem até 10 porções:

Ingredientes

Massa:

3 ovos
2 xícaras de chá de farinha de trigo
2 xícaras de chá de leite
2 colheres de sopa de manteiga
1 colher de chá de sal

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Fricassé de Frango







Ingredientes:
500 gramas de peito de frango
1 caixinha de creme de leite
1 copo de requeijão
1 lata de milho verde
1/2 limão
200 gramas de muçarela
Batata Palha
Alho e cebola 
Pimenta do reino
Sal a gosto

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Quem Ainda Aguenta Falar de Kit-Gay?





Estou falando sério... Não aguento mais observar nas redes sociais essa palhaçada de que o suposto “kit gay” foi distribuído nas escolas públicas e que fazia parte do material didático. Já ouvi milhares de versões da mesma história: tem gente que afirma que algumas professoras, no maior estilo Sociedade dos Poetas Mortos levavam escondidas as crianças para uma caverna e lá ensinavam o que está descrito no livro. Outros ainda juram que folhearam o material e se chocaram com as cenas de sexo explícito contidas nele.

Espero que, pela última vez, tenha que esclarecer aos idiotas de plantão do que se trata o tal “kit-gay”.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Que a Força Esteja Com Você




Passei os últimos dois dias pensando no que iria escrever por aqui. Já tem umas duas ou três séries que preciso recomendar e ao menos um livro imperdível que precisa ser comentado com vocês. Ah! Falando em livro, ontem foi o lançamento de Liberdade Para os Lactobacilos Vivos!, do dono e proprietário das sextas-feiras aqui do Barba, o Marcos Araújo. Orgulho é pouco! Sinto uma admiração enorme pelo autor e sua recente obra que são reflexões tão pungentes e instigantes.

Posso dizer que na tarde de ontem até me aventurei em desenhar o que poderia ser o texto de hoje. Retomei meus estudos de roteiro e voltei a estudar um pouco da jornada do herói. Ainda quero falar sobre isso aqui, mas esse ainda não é o momento. Apesar de ter começado a construir toda uma trajetória do personagem em questão... isso não é para agora. Fica para depois.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Ser Humano: Locução Verbal





Semana passada extraí, após algum adiamento, três sisos. Eu já nasci com um a menos, mesmo - sinal da evolução, dizem. Sabemos que os sisos são, realmente, herança da nossa seleção natural, desde a época em que éramos macacos, assim como o cóccix, que é um resquício do nosso rabo, e as dores na lombar, que foram o preço por nos tornarmos bípedes. Aliás, há outros órgãos vestigiais no nosso corpo, explicados somente após Darwin, como o próprio apêndice (do qual também me livrei anos atrás).

Por isso, depois de passar por dois procedimentos dolorosos como esse dos sisos e da apendicite, não dá para não parar e perguntar: "Pô, Deus, eu não poderia já ter nascido sem essas tranqueiras?". Se somos humanos, evoluídos, e já não precisamos mais disso, por que aí da sofrer por eles? Mas o que, enfim, nos define como humanos e evoluídos?

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Homens De Peito: O Lado Azul Do Outubro Rosa





Vocês sabiam que, tradicionalmente, o mês de outubro passou a ser o mês “rosa”, em função do nome dado para uma campanha internacional para sensibilização da população para o problema do câncer de mama? Pois é, essa modinha, que depois tornou-se um movimento sério, teve a sua origem nos Estados Unidos, depois do Congresso Americano ter determinado o mês de outubro como o mês da prevenção desta doença. O símbolo do evento no calendário mundial é um laço de fita rosa, algo que começou graças à G. Komen Breast Cancer Foundation, que os distribuiu numa corrida de sensibilização do câncer de mama, organizada em 1991 na cidade de Nova Iorque.

Esse movimento tomou proporção tão grande que, a partir disso, outros males que acometem de forma significativa a saúde do ser humano passaram a ter calendário específico e com cores que fazem alusão às doenças, trazendo à tona discussões sobre os temas. Os mais conhecidos, depois do outubro, atualmente, são: setembro amarelo (suicídio), novembro azul (câncer de próstata) e dezembro vermelho (HIV). 

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Eles Simplemente Não Gostam De Quem Verdadeiramente Somos





Em meio ao mar de lama que navegamos, tenho me sentido, muitas vezes, como participante de um reality show de convivência, daqueles bem bizarros, que em determinado momento as pessoas já não conseguem mais segurar o personagem e as máscaras caem. O problema é que não se trata de um reality e que o colega de trabalho, o vizinho, o porteiro, além dos tios e primos (e, às vezes, pais, mães e irmãos) que não conseguem mais viver o personagem não estão interessados em nenhum prêmio milionário. Não, não é isso; os fascistinhas que nos rodeiam querem apenas que você perca o que já conquistou. 

Dei a sorte de crescer em um país livre que, apesar dos seus pesares, vinha experimentando uma onda de abertura e de conquistas que nos embalava. A festa, tão característica do nosso povo, era completa graças à nossa pluralidade e, com o avanço dos direitos de minorias conquistados, sendo estendida a todos. Com o crasso politicamente incorreto sendo banido, nos vimos iludidos de que as pessoas aceitavam as diferenças, afinal, era feio ser racista ou homofóbico e, quando alguém tentava ultrapassar essa barreira era imediatamente enquadrado pela sociedade e opinião pública. O que ninguém percebeu, entretanto, é que sob a superfície cordial de uma nação, era aquecido, em banho maria, um ódio absurdo pela felicidade alheia à volta de todos.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Liberdade Para os Lactobacilos Vivos!





Na quarta-feira que vem é dia de novamente sentir as “borboletas no estômago” ou aquele friozinho na barriga... Finalmente, meu segundo livro, Liberdade para os lactobacilos vivos!, será lançado. Há dois anos, praticamente nesta mesma época, nascia o primogênito Troco a bituca por duas jujubas, inspirado em um encontro casual que tive com meu maior ídolo da música, David Bowie.

O primeiro trazia muito do universo pueril / despretensioso e a trilha sonora dos anos oitenta como cenário para as crônicas do livro. Já o segundo vai mostrar um cenário mais nebuloso. A grande maioria das crônicas revela o Brasil redemocratizado e afetado pela drástica mudança tecnológica carregando o reflexo da neurose e insegurança social.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Um Dia de Cada Vez




Não vou mentir para vocês. Às vezes, eu acho que cruzamos algum vortex temporal e estamos vivendo em uma realidade paralela bem da ruim. Ou estamos experimentando alguma falha da Matrix. Em breve, tenho fé, tudo será solucionado.

É meio estranho pensar que é Donald Trump quem governa os Estados Unidos. Até 2004, o cara era uma celebridade de reality show que ninguém levava muito a sério. Tem noção da distopia que já é isso?! Muito louco, né?

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Ainda Somos os Mesmos?




O Dia das Crianças passou e, com ele, vieram à tona aquelas lembranças de fotos de infância. Recuperei algumas com parte dos meus primos, de quando éramos bem pequenos, no máximo quatro anos de idade. Além da graça de fazer a comparação, trinta anos depois, com as nossas feições e até com as novas gerações – os meus sobrinhos e as filhas da minha prima – uma coisa me chamou muito a atenção: ver que valores nós carregamos ao longo dessas décadas e como nos tornamos mais parecidos do que o laço sanguíneo poderia sugerir. 

Hoje em dia, aquelas cinco crianças da foto temos posições muito parecidas a respeito de política, direitos humanos e até mesmo religiosidade. Minha irmã Natalia é uma intransigente defensora das mulheres, negros e população LGBT. Assim como minha prima Marcela, duas das maiores feministas que eu conheço no dia-a-dia – Marcela ainda tem um papel mega importante: também combate diariamente a gordofobia. Ambas são mães de meninas e olham com preocupação o mundo que elas vão enfrentar, algo que as gerações anteriores não se preocupavam muito – afinal, era comum apenas repetir o padrão subserviente feminino. 

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Vamos Falar Sobre PrEP?




Há algum tempo, a profilaxia pré-exposição (PrEP) tomou conta dos noticiários de saúde, causando alegria e consternação em partes iguais. Existe um rumor de que a Organização Mundial de Saúde recomendou que todos os homens que fazem sexo com homens tomassem um comprimido por dia do antirretroviral Truvada, como forma de impedir que o vírus HIV se alojasse no corpo de quem toma o remédio em caso de sexo sem preservativo. 

Houve todo um leque de reações, onde a felicidade do surgimento de uma nova maneira de se prevenir contra a contaminação pelo vírus HIV entrou em choque com a descrença resultante de 30 anos de condicionamento sobre a população LGBT, que passou décadas ouvindo que o preservativo era a única maneira de se prevenir a infecção. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Balas Juquinha





Depois de nove anos exercendo a mesma função na empresa que trabalho, recebi um convite recentemente e faz três meses que mudei de área. Deixei de fazer algo que eu dominava bem (também, nove anos fazendo a mesma coisa) para encarar um novo desafio, ficando lisonjeado pelo convite, que veio em um momento que tudo que eu queria era mudar e sair de onde eu estava, já que vivia desmotivado e trabalhar estava sendo uma tortura. Com a mudança, as novidades. Um novo andar, novas responsabilidades (incluindo gerenciamento de pessoas, o que me apavorou à primeira vista), novos relacionamentos. E, pelo menos nesses três meses, venho sentindo um frescor e uma alegria que há muito eu não experimentava em minha vida profissional.

Na minha nova gerência, reencontrei algumas pessoas que já trabalharam comigo e que, com essas mudanças corporativas, acabaram buscando novas possibilidades, como eu fiz mais recentemente. E, na equipe de uma grande amiga, há um senhorzinho bastante simpático e que me inspirou a escrever esse texto. Já aposentado há algum tempo, ele continua batendo cartão diariamente, sendo quase que uma figura decorativa do ambiente. Ele é um querido, mas está lá porque foi onde conseguiram alocá-lo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Os Invasores de Corpos




No domingo passado, depois dos resultados desanimadores das urnas, divagava, quase chegando em minha casa, como o dia havia sido cansativo. Minha zona eleitoral é longe de casa e adio, a cada eleição, a transferência do título para mais perto. Estava completamente distraído e nem percebi quando aquele rapaz se aproximou de mim e anunciou o assalto.

Já fui pego de surpresa outras vezes. Já reagi (o que recomendo não fazê-lo em hipótese alguma) e já fiquei completamente aparvalhado. Mas naquela fração de segundo, não encontrei nenhuma espécie de sentimento em mim... Não me assustei e não quis enfrentá-lo, até encontrar o seu olhar, que me apavorou. Sabe aqueles momentos em que você parece que chega ao fim e pensa “pronto, acabou”? Pois é. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Uma Rápida Reflexão Sobre Envelhecer





Eu nasci no dia 11 de outubro de 1985. É até louco imaginar que isso foi há trinta e três anos. Quando eu era pequeno tinha certeza que quem tinha trinta anos era muito velho. Agora estou eu aqui sendo "muito velho", quase um idoso, mas me sentindo bem jovem.

Tudo bem. Minhas costas doem e meu joelho já não é mais o mesmo, isso é fato! Só que em alguns aspectos, não sinto ter amadurecido tanto. Imaginava que quando estivesse com essa idade de trinta e três anos, já teria feito todos os meus planos e realizado todos os meus sonhos. Ao menos era essa ilusão que me vendiam na infância. Tirando a parte que não ganho milhões, ainda não escrevo minhas séries e continuo morando no Rio de Janeiro, nada do que esperava aconteceu.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Dementadores do Mundo Real: Pessoas Más Estão Entre Nós




Existem pessoas que são, realmente, más. E elas estão entre nós e, não necessariamente, tem a carinha da bruxa com verruga na ponta do nariz dos contos de fadas. Às vezes, a vida faz questão de te mostrar que tem gente que gosta verdadeiramente de espezinhar, de diminuir e de infernizar a vida do outro – e isso é, de alguma forma, um alimento para elas. Pessoas pequenas de espírito. 

No debate eleitoral nas redes sociais, vimos muito disso, de todos os lados. Opiniões extremadas, pessoas sem empatia alguma, falando inclusive na morte de outros como algo banal. Ver os lados mais cruéis da humanidade (não tenho dúvida de que são muitos) representados na política é algo difícil, mas não passa de um aviso pra gente de “ei, você vive em uma bolha que não reflete a realidade”

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Candidatos Animais e as Eleições Por Protesto: O Que Há em Comum Entre as Histórias da Rinoceronte Cacareco, do Macaco Tião e de Jair Bolsonaro





Há tempos eleições no Brasil dão o que falar. A instabilidade da pátria em função da péssima prestação do serviço público por aqueles que elegemos para nos representar e nos cuidar, tem cada vez mais nos proporcionado a sensação de estarmos perdidos. Em 1959, um rinoceronte atraiu cerca de 100 mil votos para sua candidatura como vereador na cidade de São Paulo, quando o segundo colocado teve apenas 10 mil. Três décadas depois, era a vez de Macaco Tião, o chimpanzé-celebridade do zoológico do Rio de Janeiro, se tornar um dos candidatos a prefeito mais queridos da população carioca. Agora, vemos um caso clássico, só que numa esfera de poder muito maior e que nos traz maior preocupação: o posto de Presidente da República. Protesto que é piada, ou piada que é protesto?

Olhando de longe, o Brasil, em 1988, vivia um período de relativa euforia política. Decorriam quatro anos do movimento Diretas Já, que culminara, após duas décadas de ditadura, na eleição do primeiro civil à presidência. Decorriam também três anos desde que os prefeitos, antes nomeados pelo estado, voltavam a ser eleitos pelo voto popular. E por fim, o país ganhara uma nova constituição.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Os Dursley ao Nosso Redor




Lembro de quando li Harry Potter pela primeira vez. Eu já era adulto, é claro. Na verdade, estava no início de uma nova fase na minha vida. Era 2002 e eu tinha acabado de ser chamado para trabalhar na empresa pública para a qual havia prestado concurso, estava durante o curso de três meses oferecido por essa empresa, pela primeira vez efetivamente longe da casa dos meus pais e passando esse tempo no Rio de Janeiro, onde o curso era ministrado. Ali, em meio a novos colegas e passando o tempo entre um dia e outro, eu desvendava os títulos da biblioteca da empresa. Foi quando uma dessas novas colegas (e veja como o mundo muda, essa pessoa que já me foi tão próxima hoje nem me cumprimenta) me perguntou: você já leu Harry Potter? E, por causa dessa pergunta, eu peguei emprestado o primeiro livro na biblioteca da empresa.

Em Harry Potter e a Pedra Filosofal fui apresentado àquele mundo bruxo e a todas aquelas possibilidades. Naquele livro, ainda bastante infantil e um pouco distante do tom mais pesado que a obra ganharia títulos depois, era apresentada uma sociedade paralela à dos humanos normais - chamados de trouxas no mundo criado pela autora - e que vivia uma onda de paz depois de um passado obscuro. Mesmo assim, entretanto, o medo de que aquilo voltasse a incomodar a paz reinante permanecia. Mas não foi Voldemort e toda a história que veio depois que me vieram à mente quando pensei nesse texto. Não, não foi o maior vilão da obra, já que sua vilania era inquestionável. O que me motivou a escrever a coluna de hoje foram os Dursley, a família que criou Harry até ele ser enviado a Hogwarts para viver a sua vida como bruxo e iniciar a jornada que todos acompanhamos nos livros e nos filmes. Você se lembra deles?

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A Intolerância é o Prelúdio da Guerra





Já esgotei todas as minhas possibilidades de tentar fazer as pessoas entenderem um tiquinho sobre a conjuntura política atual do país. Provavelmente, muitos dos leitores já deixem de ler o que tenho pra dizer nesta coluna a partir de agora, pois estarão de saco cheio de tanto blá-blá-blá; outros, com a ojeriza que se faz presente na rotina, já me entitularão de forma pejorativa. Se você não é a favor do candidato B, você só pode ser H. “Mas... esperem aí... existem quase uma dezena de outros candidatos...” “Foda-se! Se não está conosco é contra nós!”

Isso, além de me entristecer, me desanima. Joguei a toalha, confesso. É muito difícil, em um país tão carente no quesito sócio-educacional, fazer com que elas compreendam análise de discurso. Ninguém sabe o que são dispositivos teóricos e analíticos na fala. Ninguém sabe que elementos devemos estar atentos no interdiscurso e na enunciação. Sequer sabem como elaborar um mapa de produção de sentidos.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Continuamos Sendo Resistência!




Em uma semana estarei na casa dos 33. É estranho pensar que essa é a "idade de Cristo" (antes que alguém pense em fazer alguma interpretação equivocada, deixo claro que passei minha vida inteira ouvindo que quando alguém chegava aos trinta e três anos, estava alcançando a idade de Cristo. Então é só isso que quero dizer, sem maiores interpretações. Ok? Então ok!). 

E me vejo sem saber o que essa próxima idade irá encontrar. Não sei que tipo de distopia irei enfrentar pela frente. Que todos nós iremos. É muito estranho pensar que o buraco que meu país está metido tende a piorar bastante e que não posso fazer nada para impedir. Não sei nem se poderei, de fato, fazer algo em breve. Não sei mais se continuar declarando o que penso sobre a vida, sobre o mundo, sobre o meu cotidiano ainda será aceito. Se não será considerado um comportamento subversivo... 

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O Que Deveria Ser Apenas Ficção





Marta era uma mulher como milhares de outras, talvez milhões. Tinha uma vida de dona de casa, com algum conforto garantido pelo marido, Nicanor, que era dono de uma rede de açougues. Morava em Vila Isabel, bairro de classe média do Rio, com ele e os dois filhos, um casal. Do ponto de vista do dinheiro para o dia-a-dia e até mesmo alguns caprichos, nada lhe faltava: tinha comida à mesa, roupa com certa fartura e de vez em quando ainda conseguia viajar em família. Mas Marta percebeu que não tinha uma coisa e isso começou a lhe incomodar: faltava-lhe a independência. 

Qual não foi a surpresa de Nicanor quando, um dia, a mulher o recebeu em casa com a novidade:

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Soneto da Resistência de um Reino Oprimido





A poderosa rainha não se pronunciou
E a ira de seus súditos despertou

Outras rainhas não gostaram do posicionamento
E resolveram provocar os súditos abandonados com o ferido empoderamento

Atitudes se tornaram emergenciais
E de uma forma elegante, nas redes sociais,
A Rainha da Ladeira do Curuzu
Mandou a monarca de moral baixa tomar no cu

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Papillon: Uma Nova Versão Baseada em Uma História Real





Estreia da próxima quinta-feira, 04/10/2018, dos cinemas brasileiros, Papillon é a nova versão de um sucesso baseado no best seller de mesmo nome de Henri Charrière, e que chega com um certo atraso aos cinemas brasileiros, já que foi lançado em meados de 2017 no resto do mundo.

Para os cinéfilos é impossível não comparar o novo longa com outro filme, de 1969, e estrelado por Steve McQueen e Dustin Hoffman, o que não é o meu caso, já que não vi o filme, apesar de conhecer a fama. O que posso dizer, do que vi no novo filme, é que essa versão atual, dirigida por Michael Noer e estrelada por Charlie Hunnam e Rami Malek, nos mostra uma boa história, apresentada ao grande público em uma embalagem muito bem produzida, com ótima direção e um elenco que dá muitíssimo bem conta do seu recado.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Mais Um Desabafo




Falta pouco menos de dez dias para as eleições que decidirão como o Brasil vai ser governado pelos próximos 4 anos. E nem precisa dizer o quanto estou tenso por esse “evento”. O país está totalmente polarizado e cada dia que passa, o céu está mais e mais nublado. 

O tal “centrão” não funcionou. Marina começou bem mas morreu na praia. Boulos era uma promessa e não deslanchou. Não se ouviu o chamado para o Meirelles e por isso, ele nem saiu do lugar. Daciolo foi o bobo da corte para alegrar os debates. Ciro chegou botando banca mas falou demais, apesar de achar que ele seria um nome bem mais interessante para disputar o segundo turno e tentar apaziguar os ânimos. Alckmin deu uma crescida, mas sua apatia cresceu mais ainda. O tucano deveria ser substituído nos emoticons do WhatsApp que simbolizam aquela cara de tédio; ele é aquela hiena dos desenhos animados que repete o mantra “oh dia, oh azar!”.  Até FHC já se cansou da cara dele!

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

A Bandeira Que Anitta Não Quis Carregar





Primeiramente, #EleNão

E sim, meu assunto na coluna de hoje é sobre Anitta e o lado que ela teve medo de dizer que apoia. Para você ter uma idéia de como tudo está tão louco no nosso país, se me perguntassem na segunda-feira passada, 17/09, o que eu sentia por Anitta, sem dúvida nenhuma abriria automaticamente um sorriso e faria uma lista com inúmeros elogios e vários adjetivos, muitos exaltando escolhas feitas por ela ao longo de sua carreira meteórica... Mas, se você me fizesse na quinta-feira, exatamente uma semana atrás, no dia 19/9, a mesmíssima pergunta, minha resposta seria uma só: raiva! Ou talvez completa frustração. 

Passei os últimos dias travando uma batalha interna e externa escrevendo inúmeros textos para tentar entender de alguma maneira o que estava acontecendo. Muito provavelmente toda essa confusão interna que estava sentindo se deve ao fato de ter acompanhado desde 2013 a ascensão musical de uma cantora que vinha quebrando paradigmas. Afinal, aos poucos, aquela menina que muitos diziam que seria dona de um hit só que era de Honório Gurgel, só marcava gols rumo ao sucesso… Marcava.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Tudo Sobre Meu Olhar - E o Que Mudou Nele




O ano era 1999 e eu dava os primeiros passos como cinéfilo, num hobby que havia se tornado mais frequente dois anos antes e teve seu ápice em 2004, quando fui 90 vezes ao cinema em um ano. Eu e meu melhor amigo de infância, Felipe, íamos ao extinto Art Plaza, no maior shopping de Niterói, como havíamos ido tantas outras vezes para assistirmos a algum sucesso de Hollywood. Mas o programa era diferente dessa vez: o filme era assinado por Pedro Almodóvar. 

O título era Tudo Sobre Minha Mãe e mudou completamente o meu olhar sobre cinema. Nota: eu já havia assistido a Carne Trêmula antes, ainda adolescente, e não entendi muito do filme, embora não tivesse desgostado. Tudo Sobre Minha Mãe é até hoje o meu favorito de Almodóvar (sorry, Fale com Ela) e um dos meus filmes favoritos da vida. Por conta dele, passei a conhecer mais de Pedro Almodóvar (um dos meus cineastas preferidos, do qual tenho quase todas as obras em casa), do cinema espanhol (também um dos que mais gosto entre todos no mundo) e dos filmes mais artísticos e menos comerciais. Isso acabou me rendendo profundos mergulhos no Festival do Rio e outras mostras e nas salas do Grupo Estação, em especial as que ficavam em Botafogo (principalmente o antigo “Espaço Unibanco”). 

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Os “Berries” e Essa Salada de Frutas Pós-moderna





Faz tempo que queria escrever sobre esses alimentos que caíram no gosto popular pós-moderno e que fazem a cabeça da galerinha descolada sempre pronta a aderir ao modismo da vez. Um dia, conversando com uma amiga do trabalho, eis que ela me surge com essa ideia ao voltarmos do almoço: 
- Julico, por que você não escreve sobre os “berries” da vida? 
Parei para pensar e constatei que, de fato, os “dieiteiros” de plantão estão sempre comendo uns alimentos com nomes estranhos e que há pelo menos uns 15 anos atrás eu nunca tinha ouvido falar. Não sei se pela minha pobreza e consequente limitação de acesso, ou por não existirem mesmo. Não tem como negar que hoje em dia é supercharmoso você postar uma fotinha comendo um muffin de blueberry, ou um smoothie de blackberry. Veja que até o bolinho e o suco agora tomaram formas e nomes mais pomposos, não é?

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Issues





Todos temos nossos traumas. Problemas familiares, profissionais ou de relacionamentos. Somos moldados, desde sempre, baseados nas experiências que vivemos. E são normalmente as más experiências aquelas que mais nos marcam. 

Um relacionamento abusivo, uma quebra de confiança, uma infância que não foi nem de longe como as dos comerciais de margarina. É clichê, e eu adoro clichês, mas cada um é que sabe onde aperta o sapato. 

O problema é quando uma experiência ruim nos marca tanto que não conseguimos mais sair daquela espiral e de achar que o mundo inteiro, a partir daquele momento, está contra nós. Se fomos traídos em uma relação, achamos que qualquer nova pessoa também nos trairá. Se fomos magoados, construímos muros intransponíveis e vivemos isolados em um castelo seguro, mas solitários. No fim das contas, somos nós mesmos quem assentamos os tijolos que formam os muros das nossas prisões.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

O Ovo da Serpente





Hoje eu queria ser curto e grosso. Em um pedido quase agonizante, gostaria muito que lessem esse texto até o final, torcendo para que possa ter conseguido deixar uma pequena pausa para reflexão. Infelizmente, poucas pessoas leem “textões” nas redes sociais, pois os “tempos líquidos” do filósofo Bauman definitivamente já se instalaram em nossas vidas. Não temos tempo para mais nada. Chronos nos consome. As reuniões com os amigos se tornam mais raras e vivemos a “celebração de nossa desunião”, como já dizia o mestre Renato Russo.

Estamos mergulhados em uma grande crise existencial. E não estou falando somente de nós, brasileiros. O mundo está assim, imerso em uma grande crise social agravada pelo declínio do poder político. A humanidade segue, autômata e solitária, sem muita perspectiva para o futuro. E isso é muito assustador, pois gera em cada um de nós uma angústia abissal. Temos medo da fome, da violência e de uma neurose que nos persegue dia e noite. Assim como naqueles joguinhos de vídeo-game, passamos de fase assim que chegamos sãos e salvos no aconchego de nossas casas para novamente recarregar nossa vida e dar o restart ao jogo para o dia seguinte. É como se vivêssemos em um grande looping, encapsulados dentro de nossas próprias inquietudes.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O Convite: Uma Imperdível História de Tensão Crescente




Sou fã de filmes que constroem toda sua narrativa em cima do diálogo. Infelizmente, o que é bem raro de encontrar nos dias de hoje. Creio que diálogos bem elaborados são um belo presente para bons atores. Permite que cada cena vá apresentando um pouco da história daquelas pessoas e também ajuda a estabelecer o crescente clima de tensão de um filme. Sim, normalmente as películas que se permitem dialogar à vontade são os thrillers e suspenses. Em alguns casos, os dramas familiares também se aplicam. 

Hardy Candy ( que no Brasil ganhou o nome de Menina Má.Com) é um excelente exemplo de filme construído no diálogo entre dois personagens. Praticamente, o filme inteiro possui só dois atores em cena. Helen Paige, que construiu uma incrível Hayley Stark, e Patrick Wilson, que fez inúmeras camadas para o seu Jeff Kohlver. Esse é um tipo de filme que merece ser assistido e recomendado inúmeras vezes. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Pippin: Uma Metáfora do Palco Para a Vida




No último sábado, fui novamente ao teatro. Eu sei, ando muito cultural... Nas últimas semanas, já escrevi coluna sobre uma peça e sobre um filme aqui no Barba Feita. Mas Pippin, de Charles Möeller e Claudio Botelho, espetáculo que saboreei mais recentemente, não poderia ser ignorado. Foi uma das melhores surpresas que tive no teatro na vida – e não era porque a expectativa era baixa... 

Não conhecia a história de Pippin a fundo, havia apenas visto um trailer dele no Youtube enviado por meu companheiro. O musical reestreou na Broadway um ano depois de eu ter ido a Nova York e já saiu de cartaz por lá. No Brasil, a montagem está no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, Rio de Janeiro – um espaço que não é tão grande e fica até estranho um espetáculo tão grandioso num palco relativamente pequeno. E a produção encontrou soluções bastante eficientes para as limitações do espaço. 

terça-feira, 18 de setembro de 2018

O Imprescindível, Às Vezes, É Invisível aos Olhos...





Ontem foi mais um início de semana. Mais uma segunda-feira corrida como todas as outras nos últimos anos... Muito trabalho, reuniões e, depois dele, outros compromissos. A coluna de hoje, por exemplo, foi escrita aos 45 minutos do segundo tempo. Mas hoje teve algo diferente no ar. Talvez eu não saiba o que é, não sinta ou ainda não enxergue. Tenho as coisas mais simples do mundo e acho, que agora aos 38 anos, comecei uma nova fase no game da vida. É tão óbvio e me causa um conforto imenso e inexplicável. Valorizar (ou voltar a fazê-lo) as coisas e as pessoas que realmente importam. Acho que me perdi um pouco nos últimos anos (ou me deslumbrei, talvez?) sobre essa real necessidade.

Minha seta apontava em direções que não conseguia flechar e insistentemente eu - equivocadamente - insistia em mirar. Em pessoas, coisas e situações. Não eram minhas, não me pertenciam. Apenas faziam parte do meu cotidiano. Como os objetos (sem leviandade) belos que hoje decoram minha casa e que gosto de ter, mas não são imprescindíveis para que eu viva feliz. Taí! Imprescindibilidade! Busquei isso, e tenho que me policiar para que não saia do eixo, focando onde não preciso.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Cinco Produções Cult (Que Eu Odeio)




Ok, ok, ok, eu sei que vou ser apedrejado. Entretanto, a ideia para essa pequena lista surgiu quando em um belo dia, lendo notas sobre a expansão do universo de Star Wars em varias outras produções e a euforia causada por isso nos fãs, me peguei pensando: "como tem gente que gosta dessa porcaria obra!". Porque eu, é claro, acho os filmes, todos os lançados até o momento, um saco.

E assim me dei conta de como costumo não gostar de algumas produções adoradas por uma legião de fãs. Fui enumerando cada uma dessas produções e a dúvida era: será que estou sozinho? Por isso resolvi dar a cara à tapa e elaborar a listinha de hoje e aguardar. Vai que não sou o único em minha falta de (bom?) gosto por filmes considerados cult por uma grande maioria. Será?

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

As Cinzas e a Memória





Raramente vou até à varanda do meu apartamento, pois detesto sentir aquele frio na barriga e a vertigem provocada pelo medo da altura. Mas naquela noite do início de setembro, resolvi vislumbrar o clarão avermelhado que refletia no céu do Rio de Janeiro, como se fosse uma pintura viva. Naquele momento, o fogo já havia destruído dois séculos de história.

Tenho certeza que, mesmo distante alguns quilômetros, senti o cheiro das cinzas que circulavam pelo ar e aspirei profundamente o máximo que meus pulmões puderam aguentar. Era como se eu tivesse, de alguma forma, guardando dentro de mim, o passado. E o aroma das cinzas perdurou praticamente toda a madrugada. E, lentamente, eu ia inalando aquele cheiro para que essa lembrança ficasse guardada em meu córtex cerebral.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Beijos: Sem Tabus ou Preconceitos





Lembro da época em que a probabilidade de um beijo entre duas pessoas do mesmo sexo em horário nobre ser visto como o fim do mundo. O triste é que isso pode se enquadrar tanto em 2010 quanto 2018, já que algumas pessoas continuam tendo essa visão, infelizmente. Mas a diferença entre essas duas datas, separados por oito anos, é o fato de que o "temido" beijo já aconteceu em horário nobre e mais de uma vez. Não tantas quanto eu gostaria, mas ainda chegaremos lá. 

Acontece que, diferente do que rolou em Amor à Vida ( 2013 - 2014), quando a Rede Globo exibiu  o seu primeiro "beijo gay" - lembrando que, em 2011, Amor e Revolução, novela do SBT saiu na frente - e protestos foram feitas por toda internet, as tramas que se seguiram receberam meio que um "cartão verde" e incluiram em suas histórias ao menos um par de personagens gays. Em Família (2014), Babilônia (2015), Império (2014-2015), O Outro Lado do Paraíso (2017 - 2018), são alguns exemplos dessas novelas do horário nobre que exibiram ao menos um beijo. 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A Freira: Reze Para Não Ver...




Sabe um filme ruim? Ruim mesmo? Há muito tempo eu não via um... Pois quebrei essa marca no último sábado, quando foi assistir a A Freira, de Corin Hardy, no cinema. O que era pra ser um filme de muito terror da saga Invocação do Mal, simplesmente se tornou um desfile de clichês, com um roteiro mal amarrado e cenas que, às vezes, parecem de algum filme trash exibido no SBT. 

Fui ao cinema, na verdade, por acidente. Estava contundido, com uma dor muscular forte, e tudo o que eu queria era ficar em casa. Mas já havia me comprometido em ir ao teatro. Fomos lá até o Shopping da Gávea mas não conseguimos entrar no espetáculo – a lista amiga na qual supostamente estaríamos não rolou. Para não perder a viagem do outro lado do Túnel Rebouças – e o Uber que já tínhamos gasto – fomos até o Complexo Lagoon, onde vimos que ainda tinha uma sessão do esperado filme de terror.