sexta-feira, 18 de maio de 2018

Mind the Gap





Enquanto aguardava a chegada do trem na lotada plataforma da estação do metrô de Botafogo, observava o vai-vém frenético das pessoas, com uma certa tristeza no olhar. De um tempo pra cá, passei a prestar mais atenção nelas, sempre ávidas por chegar a um lugar imaginário, conectadas a seus inseparáveis smartphohes, como seus . Por mais que estivessem em grupos, pareciam estar cada vez mais isoladas, aprisionados em uma ansiedade constante. Zygmunt Bauman, o grande pensador da modernidade e o criador do conceito da liquidez presente na sociedade sempre esteve corretíssimo.  

Não temos mais tempo para ouvir a voz dos amigos. O feliz aniversário cada vez mais se resume a congratulações via WhatsApp e daqui a pouquíssimo tempo, imagens paralinguísticas resumirão fins de relacionamento, desejos de um feliz Natal ou Ano Novo. Nos bares, não existirão burburinhos. O eletro-tuntz-tuntz-tuntz reverberado das caixas de saída de um laptop sem DJ ecoarão nos rostos iluminados pelas telas dos celulares. Rostos vazios sintetizados a emoticons.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Anitta Como Técnica do La Voz... Mexico?!





Semana passada foi o fim das inimizades musicais. Tudo começou com Katy Perry e Taylor Swift dando uma trégua na treta fortíssima que rolava; Cardi B e Nicki Minaj aproveitaram o Met Gala e também se entenderam. E para fechar com chave de ouro, Anitta e Maluma voltaram a se seguir no Instagram... Foi ou não uma semana abençoada para música? 

Mas se tem um ditado que aprendi com Larissa, com toda certeza é: ranço, uma vez instalado, não tem volta. Então não aceitei, assim como outras pessoas que conheço, tão de "boa" esse follow back entre a dona do pop brasileiro e o embuste comlombiano. Sabia que teria que existir um motivo para eles se seguirem de volta. Estava até cogitando um single entre Anitta, J.Balvin e Maluma. Mas parece que é muito maior do que isso.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Lembranças Permanentes




Dia das Mães, para quem ama, ainda tem e mora perto da sua, é aquela data de lei de ir visitá-la. Esse ano, minha mãe resolveu passar com a minha avó. A matriarca já está com mais de 86 anos e agora os filhos buscam estar com ela mais tempo possível.

Voltar à casa da minha avó é rever tantas coisas da minha vida... Meus pais já se mudaram duas vezes desde que nasci. Eu já me mudei três vezes depois disso... E minha avó permanece na mesma casa desde muito antes de eu vir ao mundo. Ou seja, talvez residam ali as minhas lembranças mais permanentes até hoje. 

Assistir aos meus sobrinhos brincarem com as filhas da minha prima pelos quintais da casa dela e da minha tia, que fica logo atrás, é quase que um remake da nossa infância. Até porque as crianças são incrivelmente parecidas conosco mais novos. 

terça-feira, 15 de maio de 2018

Coé, Mãe?

A Leitura dos Gestos de Amor Materno, Pelos Olhos de Seus Filhos




Falar de mães é falar de Deus, pois no coração delas está o verdadeiro sentido do amor. Amor que serve como exemplo. Amor que nos é dado sem pedir recompensa, nem cobrança. Amor sem distinção, sem egoísmo; um amor que não mede esforços nem distância.

Tive o privilégio de, na vida terrena, ter duas mães. Uma, a biológica, infelizmente me deixou aos 43 anos, acometida de um derrame cerebral fulminante, que em menos de três horas a levou para morar no céu.... Na época eu tinha 13 anos e acho que ela instantaneamente virou um anjo da guarda para mim, porque me enviou outra (que ela escolhera para ser minha madrinha) e que a tem substituído de forma extraordinária durante os últimos 25 anos.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Sexo é Bom, Mas Quando é Ruim...




"O amor nos torna patéticos;
Sexo é uma selva de epiléticos..."
(Amor e Sexo - Rita Lee)

Ah, o sexo... Necessidade humana básica, né, mores? Quase sempre envolto por uma aura de prazer e satisfação, o ato sexual serve bem mais do que como forma de preservar a espécie humana, tendo se tornado um dos pilares da sociedade moderna. Ter uma vida sexual satisfatória é sinal de status, de auto-realização e quase uma obrigação. E sexo é bom pra caramba. Ou deveria ser... Deveria...

Porque tem o sexo ruim. Ou a falta de bom sexo. Ou aquela experiência BI-ZAR-RA que todo mundo já encarou um dia e ficou pensando: "OMFG, por que logo comigo?". Mas, fique tranquilo(a), você não está sozinho(a) no mundo de frustração.

Conversando com um amigo sobre uma situação sexual nada agradável onde ele se viu transando com alguém que ele denominou como o Galvão Bueno do Sexo, que narrava com detalhes o passo a passo do que estava acontecendo com os dois (Pode isso, Arnaldo?), eu tive a ideia da coluna de hoje. E, apesar de ter a minha cota de histórias um tanto quanto... peculiares, eu resolvi pedir ajuda pra galera que conheço e fiz uma postagem no Facebook pedindo ajuda. #SouDesses

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Chineladas




Qual o problema em ir ao shopping de chinelos? Eu não acho nada demais. Mas, acreditem: eu já fui muito criticado por isso. Uma vez um amigo me deu o maior esporro quando me encontrou de camiseta, bermuda e minhas inseparáveis Havaianas o aguardando na porta de um shopping, no Rio. Você vai entrar aqui assim? Óbvio que gargalhei na cara dele, segurei os chinelos na mão e entrei descalço, só para provocar ainda mais.

Essa semana o pessoal do Buzzfeed reacendeu essa polêmica. Alguém iniciou essa discussão no Twitter e Facebook dizendo que seria ridículo alguém entrar nos shoppings usando chinelos. Alguns defenderam, mas a grande maioria criticou, dizendo que era realmente muito vergonhoso. Não tem nada mais ridículo do que ir ao shopping de chinelo, puta que pariu, dizia um comentário. Juro que eu não consegui entender o porquê. Afinal, qual o problema nisso?

quinta-feira, 10 de maio de 2018

"As Gays Estão Salvando a Espelunca Deste País"




Foi exatamente o que li em um comentário de um vídeo musical no Youtube. Na hora, sem dúvida nenhuma, concordei com essa afirmação. Só olhar, por exemplo, o quanto as drags cantoras (Pabllo, Aretuza, Lia Clark, Glória Groove - ganhando mais evidências a cada dia) e as trans (Danna Lisboa, Linn da Quebrada e Assucena Assucena e Raquel Virgínia - vocalistas do grupo A Bahia e a Cozinha Mineira) estão conquistando espaço na cena musical brasileira. 

São músicas estourando nos streamings e festas de toda parte. Inevitavelmente esse é sim o certificado de sucesso na época de redes sociais e músicas online. Não somos mais reféns do que toca só na "rádio", mas do que viraliza musicalmente rede a fora. 

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Sobre Heróis e Humanos




Lá fomos nós ver Vingadores: Guerra Infinita. Sim, um filmaço, principalmente para quem é fã do universo Marvel e vinha acompanhando as histórias anteriores (admito que sempre fui mais afeito à DC Comics e cheguei a ter uma pequena coleção em casa de revistinhas muitos anos atrás). Um filme que trouxe um vilão cheio de complexidades e explicações e que amarra bem tudo o que se passou anteriormente. Mas, mais do que falar sobre a película, vim falar de heróis. Por que damos tanta audiência para eles?

O Super-Homem completou 80 anos recentemente. Lembro-me que, quando fui ao Museu da História Americana, em Washington DC, havia um capítulo para falar dele. Era um momento entre guerras mundiais, a Bolsa de Nova York havia quebrado tinha pouco tempo, os americanos ainda estavam se recuperando de vários baques e estavam prestes a enfrentar outro... Quando surge um ser meio humano, com o uniforme nas cores da bandeira estadunidense, para salvar o planeta Terra. Quem não queria, àquela altura, acreditar nisso?

terça-feira, 8 de maio de 2018

Ensaio Sobre Um Casamento Duradouro: Uma Dissertação Sem Fórmulas




Na última semana de abril, completei dez anos de casado. E esse tema tem me inspirado a escrever muitas coisas nos últimos dias. Confesso que a minha ambição era a mais louca de todas: revelar os segredos de um casamento feliz. Tendo descoberto que seriam desaconselháveis os conselhos que queria dar, precisei reconhecer que, quase de certeza, só funcionariam na minha relação. 

Então, preferi dissertar sobre a instituição casamento à luz do meu olhar e da minha própria experiência e não expor uma receita de como conduzir uma relação. Afinal, as relações são unas em suas particularidades.

O casamento feliz não é nem um contrato nem uma relação. Relações, nós temos com toda a gente. Casamento é uma criação. É criado por duas pessoas que se amam. 

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Pedra do Telégrafo e Praia da Reserva em Um Dia de Outono Carioca




Nunca fui uma pessoa muito chegada a aventuras no meio do mato. Talvez por ter nascido no interior do Rio, desde que me mudei pra capital eu nunca fui lá muito fã de aventuras, trilhas ou cansaço desnecessário. Lei do menor esforço mesmo, sem sombra de dúvidas. Eu pensava: o Rio já é uma cidade naturalmente linda, com cartões postais ao alcance dos olhos, pra que nome embrenhar no mato pra ver mais coisa? 🤷🏻‍♂️

Mas de um tempo pra cá eu tenho repensado isso e sendo profundamente agraciado pela mudança de atitude. Com amigos que curtem aventuras, já fiz algumas trilhas maravilhosas e, no último sábado, finalmente fui a um dos locais que verdadeiramente tinha vontade de conhecer devido às mil fotos de todo mundo que se arrisca a fazer trilha no Rio: a Pedra do Telégrafo.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Reflexões Sobre o Eterno Aprendizado




Hoje eu queria falar um pouco sobre internet e tecnologia.  Sempre achei que não fosse capaz de aprender a ligar um computador.  Minha geração foi aquela que nasceu após o baby boom pós-Segunda Guerra, a tão conhecida Geração X, que teve que enfrentar aquele futuro incerto e hostil, a ameaça nuclear e a epidemia da AIDS, exatamente quando estávamos com os hormônios à flor da pele.  Sempre digo que a Geração X é uma sobrevivente.

Fiz cursinho de datilografia e o máximo que eu vivi de tecnologia era poder jogar Enduro e Pitfall no velho Atari de guerra.  Não me recordo muito bem quando ouvi falar sobre internet pela primeira vez.  Mas lembro muito bem onde foi:  estava passando férias em Araguari, uma cidade do interior de Minas Gerais, onde parte de minha família reside até hoje.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Pra Quê Tanta Coisa?




Mudança. Estou iniciando mais uma de apartamento, depois de morar por dez anos em um mesmo local. E nessa fase de preparação de mudança é que vamos redescobrindo o que temos de objetos guardados e/ou acumulados em gavetas que não abrimos com tanta frequência. 

Por exemplo, no início dos anos 2000 eu tive minha descoberta musical. Entendi o estilo do que gostava de ouvir e que me ajudava a entender quem eu era naquele momento. Aproveitando também das promoções de R$ 9,90 das Lojas Americanas, acabei comprando muitos CDs. Alguns escuto até hoje, mas online. No Spotify, Youtube ou baixados em meu computador e transferidos para meu iPod. Mas já tem um bom tempo que não sei o que é colocar um CD em um aparelho de som. 

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Música e Emoção




Poucas coisas na vida me tocam tanto quanto a música... Em geral, não sou muito de me emocionar com artes, mas a música tem a capacidade de me remeter a determinados sentimentos de uma forma instintiva, mesmo que não haja uma vivência prévia diretamente relacionada a ela.

Um desses exemplos que me vêm logo à cabeça é Forever Young, do Alphaville. Quando eu era pequeno, era comum torcar nas rádios. Eu não sei exatamente por que, mas imediatamente eu sentia algo melancólico, um aperto no coração, e despertava em mim uma crise sobre a minha existência: qual era o sentido da vida e da vida eterna que eu acreditava? Ficava agoniado imaginando que poderia morrer e, ao mesmo tempo, em viver sem fim. Isso tudo sem conhecer a letra, que falava de ser jovem para sempre...

terça-feira, 1 de maio de 2018

Sobre Estreias e Protagonismos





Quando recebi o convite para fazer parte da equipe do Barba Feita, imediatamente me veio o temor. Afinal, é um grupo de caras super descolados e inteligentes que, mesmo com estilos próprios, conseguem me encantar ao explorar assuntos tão diversos em um único local, sendo tão individuais na habilidade da escrita.

Essa então foi a chave para desenvolver meu texto: individualidade e encantamento. Sempre gostei de ler textos que me remetessem a uma viagem. Sim, gosto de me transportar para aquele imaginário que a leitura nos proporciona, viajando pelos lugares descritos pelos autores como uma espécie de transe. E gosto de escrever da mesma forma.

Sou leonino, noveleiro e, nas horas vagas, ator. Escrever sobre uma estreia, mas que tem gostinho de participação especial, tem todos os elementos que precisaria para desenvolver meu texto. 

segunda-feira, 30 de abril de 2018

...tempo...





Minha família sofreu um baque triste na semana que passou. Uma tia querida que enfrentava um câncer, irmã da minha mãe, faleceu na última quinta-feira. Sei que é o ciclo da vida, que uma hora todos nós vamos acabar morrendo, mas é inevitável lamentar a morte de um ente querido e, nessas horas de luto, pensar em nossa finitude. Ser confrontado com ela da pior forma, ao ter de se despedir de alguém, é um exercício dolorido, mas humano.

E a tristeza de perder minha tia, mais algumas conversas que tive recentemente com amigos próximos, me deixou pensativo sobre a vida, a morte, a finitude e, principalmente, sobre o tempo. Ele que, implacável, vai apenas seguindo seu curso enquanto nós tentamos levar a nossa existência nessa dança chamada vida.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

No Futuro, Todos Terão Seus 15 Segundos de Fama...





Eu me amarro em ver stories no Instagram. Principalmente de figuras públicas. De certa forma, é engraçado presenciar essa aproximação. Hoje, você sabe quando eles estão na academia (figuras públicas adoram mostrar stories com seus personal trainers), a que horas ele está acordando (figuras públicas adoram mostrar que acordam sem olheiras e sem bafo), ou se estão se divertindo em um fim de semana (figuras públicas estão sempre cheios de amigos, comendo e gargalhando pra caralhooooo). A rede conseguiu trazer essas pessoas, antes inatingíveis, para o mesmo grupinho de seus amigos. Qualquer um pode seguir a Bruna Marquezine, o Neymar, a Ivete Sangalo, a Madonna...   

Por falar em Madonna, outro dia eu senti o drama dela, que apareceu no stories com a cara toda abatida, sem maquiagem e com o cabelo todo desgrenhado, putésima da vida tentando consertar um vazamento em sua banheira. Ela mostrava a água esguichando e atrevia-se a ser uma torneira mecânica (sem sucesso). Pensei comigo mesmo: se a vida tá assim tão mal para a Madonna logo cedo, imagina para a minha...

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Cinco Hinos do Axé Music Que Não Podemos Esquecer





Música pop é o vício do momento. Só que no Brasil os ritmos são muitos e ricos, e nós ouvimos de um tudo. Essa semana foi exibida a primeira chamada da próxima novela das 21h da Globo, Segundo Sol, do autor João Emanuel Carneiro, do sucesso Avenida Brasil. E, como não poderia deixar de ser, a chamada veio em em ritmo de axé music, mas na voz de Alcione, já que o protagonista da história é um cantor do gênero que vive no ostracismo até que é dado como morto e volta a fazer sucesso.

Pensando em como esse ritmo anda um pouco esquecido (mas que pode voltar à moda dependendo do sucesso ou não da nova novela), decidi separar cinco hinos que viveram da Bahia e que não podemos deixar morrer.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Uma Questão de Fé




Logo no começo da semana, tivemos a celebração a São Jorge, também lembrado pelo sincretismo com Ogum. Santo de devoção de muitos, ao ponto de ser feriado no Rio de Janeiro (com direito a uma das maiores queimas de fogos off-réveillon). Procissões por toda a cidade, fiéis vestidos de vermelho e branco, fazendo vigília e acompanhando a alvorada. Herança, talvez dos portugueses, cujo padroeiro é o lendário santo cavaleiro que venceu o dragão – e cuja chegada por aqui, olha só, é lembrada na véspera, 22 de abril. 

A fé, sem dúvida, deve ser um dos pontos mais inexplicáveis da existência humana. O campo mais obscuro de nossa consciência, mas que pode ser o mais iluminado de muitas personalidades. Acho curioso quem coloca fé e ciência em campos opostos: para mim, são complementares – inclusive um provoca o outro a ir mais além. E muito da ciência também é fé: a crença de que houve um Big Bang (com muitas comprovações – mas como isso se deu até hoje é nebuloso), a crença sobre os elos perdidos da nossa evolução, a crença de que existem vidas em outros planetas, a crença de que existe uma anti-matéria proporcional à matéria...

segunda-feira, 23 de abril de 2018

A Paixão, as Expectativas e Uma Porção de Linhas Aleatórias




Tenho pensado sobre estar apaixonado. Sim, a paixão, ela novamente. Borboletas na barriga, aquele frio na espinha, a euforia e a alegria inerentes ao sentimento. O sorriso bobo e a cabeça na lua. Estar apaixonado é bom, né? Quase sempre. Porque tenho pensado no estar apaixonado, mas não em eu mesmo vivendo tudo isso. Estou leve, tranquilo e de boa. E, sinceramente, está tudo muito bom.

Já falei algumas vezes por aqui que acredito que somos nós que nos permitimos ou não viver o que quer que seja; que há um determinado momento que tomamos a decisão de seguir em frente e cruzar uma linha invisível que nos transporá para um próximo nível de uma situação. O que é válido inclusive quando estamos prestes a viver uma paixão. E eu, particularmente, não tenho nem me questionado sobre querer ou não me apaixonar e foi pensando sobre isso outro dia, casualmente correndo pelo Aterro do Flamengo, que tive o insight para a coluna dessa semana. Estou vivendo, estou me permitindo, estou com a vida sexual bem saudável e movimentada e divertida,  mas nem aí para uma paixão avassaladora, para as tais borboletas na barriga e para o frio na espinha.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

O Universo e o Grão de Areia




Você está vendo este pequenino grãozinho de areia? Já faz algum tempo que gostaria de falar um pouco sobre ele. A princípio, parece ser muito insignificante, não é mesmo? Mas, e se eu afirmar que toda a humanidade terrestre caberia em suas mãos se utilizássemos as devidas proporções? Você acreditaria? Certamente duvidaria.

Vamos então pensar em algo mais didático para poder mensurar estas proporções: todas as noites ao olhar o céu podemos enxergar a Lua. A olho nu, podemos pressupor que o satélite natural da Terra está bem perto de nós, correto? Não.

A Lua está distante de nós em aproximadamente 385 mil quilômetros! Se pudéssemos encaixar, enfileirados, os maiores planetas gasosos do sistema solar (Jupiter, Saturno, Urano e Netuno) e os que tem superfícies terrestres (Mercúrio, Vênus, Marte e a própria Terra), todos caberiam nesta mesma distância.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Viva: A Vida é Uma Festa - Assistam!




Fazia tempo que não assistia uma animação. Mas dei uma chance para Viva: A Vida é Uma Festa (Coco, no original). Pode ter sido culpa do domingo nublado ou do dia ter sido, em boa parte, bem tedioso. O que importa é que resolvi comprovar os inúmeros elogios sobre o filme que ouvia por onde passava. Sempre tinha alguém falando que era maravilhoso e do tipo que te deixa fascinado. Curioso que sou, resolvi comprovar. 

O enredo, aparentemente, não tinha nada de inovador. A história é a seguinte: Amália Rivera se apaixonou por um músico e casou-se com ele. Logo depois eles tiveram uma filha: Ines. Mas as duas foram abandonadas por esse homem, já que ele decidiu dedicar-se só a música e foi embora para nunca mais voltar... Amália, por sua vez, decidiu focar em sobreviver e criou uma empresa de calçados. Tudo começou de forma bem simples, mas transformou-se, ao passar dos anos, na tradição da família Rivera: fazer sapatos. 

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Antes Tarde do Que Nunca




Não é nenhuma novidade que eu demorei para ter Netflix em casa. Já falei do tema até aqui mesmo no Barba Feita, explicando que serviços como esse, Spotify e apps como Twitter e Snapchat não tem a minha adesão. Embora trabalhe com isso e, claro, se houver necessidade estamos aí pra fazer... 

Mas entrei de vez no mundo Netflix no finzinho do ano passado. Sempre temi ter o serviço por ser mais algo a acabar com a minha já parca vida social... Tenho pouco tempo livre para estar em casa com quem amo, às vezes, até escrever para o Barba Feita é algo que é difícil de encontrar um tempo... Como incluir algo viciante na rotina? 

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Exorcismos e Demônios: Um Terror Bobinho e Esquecível




Desde o sucesso de Invocação do Mal e todas as suas sequências e derivados, os filmes de terror com um tom sobrenatural vem conquistando plateias que não se cansam de tomar sustos no escurinho do cinema. O que não é nenhuma novidade, já que o gênero mantém-se relevante desde que o cinema é cinema, com uma ou outra invenção e fases mais ou menos inspiradas. E, verdade seja dita, raramente surgem obras como Corra! ou Um Lugar Silencioso por aí, que seduzem público e crítica de maneira mais abrangente.

E Exorcismos e Demônios (The Crucifixion, no original), que estreia nessa quinta, 19/04/2018, nos cinemas brasileiros é mais uma história escapista, que se vende como baseado em eventos reais, mas que é, vejam só, até que bastante divertido para um filme bobinho e esquecível.

sábado, 14 de abril de 2018

Para Não Dizer Que Não Falei de Abraços





No nosso atual momento de debates acalorados, de falta de empatia, de ódio sendo espalhado pelas redes sociais, eu, que normalmente estou sempre no olho do furacão, venho falar de abraços. Logo eu, que não consigo ficar calada, que estou sempre em uma polêmica (e, em minha defesa, preciso deixar claro que a polêmica que me persegue), vim falar de abraços. Esses, que a gente ganha o nosso primeiro assim que nasce.

Perceba que nem falei em amor, falei "apenas" em abraços. Agora, repare que apenas está escrito entre aspas. Porque em meio a tanto caos da nossa vida cotidiana, estamos perdendo velhos hábitos, esquecendo alguns valores e depois não sabemos porque a vida era melhor para nossos avós, mesmo quando os tempos eram mais difíceis.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

E Por Falar Em Saudade...





Me tornei jornalista em 1999, ano em que a tão apocalíptica canção de Prince não saía de minha cabeça: "o céu estava todo púrpura e pessoas corriam por todos os lados tentando fugir da destruição... eu nem liguei (...) 2000, fim de festa, tempo esgotado! Por isso vou festejar como se fosse 1999”. Óbvio que todo aquele climão de “final contdown” tomou conta de toda a população mundial com o medo do que estava por vir.

Naquele mesmo ano ainda teve o temor do bug do milênio, com a corrida para corrigir e atualizar os sistemas operacionais antes que os primeiros fogos implodissem na hora da virada. Na época, eu estava terminando o meu estágio de jornalismo na área de comunicação do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro e eu acreditava que a mudança de 99 para 00 poderia ocasionar uma pane generalizada no sistema aeroviário deixando os controladores de tráfego completamente perdidos, assim como o sistema bancário, que entenderia a mudança na data para um retorno ao ano 1900, fazendo com que os clientes com aplicações financeiras se tornassem devedores e que os boletos com vencimento em janeiro pudessem ser emitidos com o atraso de um século.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Vício: De Férias Com O Ex




Tem mais ou menos um mês que assisti meio que sem querer um episódio de De Férias Com o Ex. Estava mudando de canal e acabei dando uma paradinha na MTV.  E minha vida mudou! Fiquei hipnotizado por um barraco acontecendo na beira da piscina. Era piranha de um lado. Safada do outro. E muita gente torcendo pelo pior acontecer no meio. 

Se você nunca deu oportunidade para essa experiência antropológica ou nem tinha ideia que esse programa existia, meu querido, por favor, assista agora. Para vocês saberem, De Férias Com o Ex é um formato inglês chamado Ex On The Beach. A dinâmica é simples: reunir alguns solteirões em uma casa e, aos poucos, os ex-namorados e namoradas desses "solteiros" irem chegando para colocar tudo em pratos limpos... Afinal, se ex bom é ex morto, imagina conviver com ele(a) e quem ele(a) está pegando em uma casa paradisíaca? Irresistível, não é mesmo?

segunda-feira, 9 de abril de 2018

La Dolce Far Niente





La dolce far niente é uma expressão italiana usada para descrever o ideal da ociosidade despreocupada. É o permitir-se relaxar sem maiores preocupações, curtir o momento sem calcular o depois, viver a preguiça sem culpa. É o procrastinar feliz.

Em tempos de vida acelerada, de afazeres mil e de obrigações que nos afogam, pensar em fazer nada pode ser até uma afronta. Afinal, a vida não pára para que você descanse, recarregue as baterias e esteja pronto para o que vem pela frente. Mas, o nosso problema é exatamente esse: deixar que a vida nos atropele, perdendo qualidade e entrando em uma rotina viciada que em algum momento fomos ensinados que era o aceitável. Pois não, não é.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

O Novo Jardim Das Delícias




Sabe aquelas revistinhas religiosas A Sentinela, publicada pelas Testemunhas de Jeová?  Recentemente descobri que elas existem desde 1879 e são distribuídas em 334 línguas, com tiragem de 70 milhões de exemplares, sendo a revista mais publicada em todo o mundo.   Então vou aproveitar e contar um segredinho pra vocês: eu tinha verdadeiro pavor daquelas capas.  Tinha um medo absurdo. Eu me tremia todo só de imaginar que pudesse existir um mundo tão perfeito com aquelas cores contrastadas... Aquelas paisagens campestres somente com pessoas alegres convivendo com leões e outros animais como pandas e coelhos falantes.

Na minha cabecinha infantil eu já discordava que o mundo não poderia ser assim tão perfeitinho, asséptico e imaculado, sem tristezas ou decepções.  E tampouco gostaria de conviver com elefantes, zebras e rinocerontes no meu quintal, tal qual uma Alice no País das Maravilhas, conversando com lebres e gatos sorridentes.  Ao mesmo tempo que aquilo tinha um lado mágico e surreal, também possuía uma morbidez disfarçada.  Aterrorizante, diria.  Mais tarde, na adolescência, ao descobrir as obras do pintor holandês Hieronymus Bosch, acabei realizando algumas associações com as famosas capas das revistas. 

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Boa Sorte... Vamos Precisar!




Eu queria ser capaz de fazer um texto verborrágico e cheio de pontos sobre o que anda acontecendo nos setores de Justiça deste país. Mas não sou capaz. Me sinto, desde a morte de Marielle, vivendo em uma realidade paralela. Não sei ao certo, mas acredito que o mundo acabou em 2013 e fomos parar em uma versão alternativa de mundo. E aqui todas as maiores ironias possíveis, são reais. Trump é presidente dos Estados Unidos e Bolsonaro franco candidato na corrida presidencial brasileira. 

É muito distópico imaginar que o fanatismo, antes visto no futebol e por fãs de reality show, chegou com peso na política. E pequenas visões acabam querendo renegar todo um passado comprovado historicamente. É como se todo o mal que já foi realizado em nosso país estivesse justificado. Isso me assusta. 

quarta-feira, 4 de abril de 2018

O 2018 de Vocês Já Tem Uma Cara?




O primeiro trimestre do ano já passou e, quando a gente pensa nisso, sempre bate aquela coisa do “parece que foi ontem que estávamos comemorando o réveillon”. No Brasil, ainda há aquela mítica de que o ano só começa após o Carnaval, que foi um mês e meio atrás. Ainda assim, os primeiros 90 dias já se foram e isso é tempo considerável para começar a dar uma identidade a 2018. 

Todo mundo sabe que esse é um ano eleitoral. Se essa promete ser a disputa mais incerta e pulverizada desde a primeira eleição da redemocratização, em 1989, pouco podemos falar de fatores novos nas candidaturas. Mas um fato novo (e muito infeliz) levou para outro nível o debate político num ano tão importante: a morte da vereadora carioca Marielle Franco. Seu assassinato, além de suscitar uma importante discussão sobre direitos humanos, feminismo, racismo e homofobia, evidenciou questões que podem ser decisivas nessas eleições, como a perseguição política, as fake news e a cegueira na polarização antagônica e inegociável entre direita e esquerda (ainda que se tratando da vida de um ser humano).

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Itacoatiara: Um Passeio Pelo Costão e Uma Tarde na Praia





Tenho alguns bons amigos de Niterói, a cidade exatamente do outro lado da baia de Guanabara. Em nossas rotinas, é comum que eles atravessem a baia para nos divertirmos aqui pelo Rio, seja para fazer coisas durante o dia ou em festas quaisquer durante a noite. E nós aqui do Rio, principalmente, nos acomodamos em sair com eles por aqui, já que isso nos é mais cômodo. Mas, já algum tempo, eles vinham nos chamado para passar um dia em Niterói, curtindo uma praia do outro lado da "poça" e, eventualmente, fazendo uma trilha. E foi o que fizemos nesse sabadão de feriado que passou.

Combinamos tudo antecipadamente e, no sábado logo cedinho, estávamos meu amigo Gleison aqui do Rio e eu na estação das Barcas, na Praça XV, para chegar em Niterói antes as nove horas da manhã. A viagem de barca do Rio pra Niteroi é uma delicinha, já que é um trajeto rápido (20 minutos, se contarmos o tempo de atracação) e prático. E, logo ao chegarmos em Niterói, Thiago, nosso amigo e guia, nos pegou de carro na estação e migramos, junto com os outros amigos Marcio e Bruno, para a região oceânica da cidade, rumo a Itacoatiara.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Você Está Louca, Querida




As redes sociais são um inferno. Mas a gente não consegue mais viver sem elas. Essa semana, eu não poderia deixar de falar aqui sobre a polêmica que envolveu a série O Mecanismo, a Netflix, o pré-candidato Jair Bolsonaro e o sensacional deboche ao parlamentar no Twitter.

Pra começar, O Mecanismo, o lançamento da Netflix, começou a colocar lenha na fogueira. Inspirada nas investigações da Lava-Jato, a série acabou sendo exageradamente dissimulada por atribuir falas e fatos a outros personagens, com o notório objetivo de propagar fake news. Um dos criadores da série, José Padilha, minimizou o debate, explicando que a série é uma crítica ao sistema como um todo e não a um político específico ou qualquer grupo partidário.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Você Se Torna o Que Você Come





Tem algum tempo que resolvi mudar a minha alimentação. Sempre seguia aquela lógica de que comida tem que ter três funções: saciedade, prazer e saúde. A primeira é praticamente instintiva; passa pela necessidade do saco vazio que não para em pé. Questão de vida ou morte. A segunda é algo mais hedonista; ligada ao pecado capital da gula e aos vícios e vontades do corpo. Mas, e a terceira, a saúde? É tão difícil assim conjugar as três coisas numa só alimentação? 

É verdade que o mundo resolveu se preocupar com uma alimentação mais saudável. Gigantes de fast food, refrigerantes e embutidos passaram a sofrer no bolso com a guinada nos hábitos de parte da população. Mas muitas vezes achamos que já tomamos atitudes para a nossa saúde e estamos totalmente no caminho errado. Ou também pode não ser o suficiente para o nosso corpo, ainda mais à medida que não somos mais tão jovens...

terça-feira, 27 de março de 2018

Fake News





Pode ser até que na semana que vem eu refaça esse texto, afinal de contas, vou falar de uma série que não assisti. Mas, o que eu queria falar mesmo era que neste final de semana a Netflix lançou uma série brasileira, O Mecanismo, estrelada por Selton Mello, inspirada na Operação Lava Jato. 

Não estou aqui para avaliar a série, que não assisti ainda. Não posso falar se o roteiro é bom, ou opinar sobre atuações ou fotografia. Mas queria falar sobre como um assunto polêmico como a Lava Jato pode mostrar o caráter das pessoas. Hoje não vi discussões políticas, mas expressões de ódio de ambos os lados: de quem aprova ou reprova a série.

A ex-presidenta deu uma declaração falando que a série está divulgando fake news; teve gente cancelando a assinatura da Netflix por conta da série e suas opiniões políticas; teve quem fizesse as mesmas piadinhas sem graça de oportunidade (quem me falar que o ator do Lula roubou a cena eu bloqueio).

segunda-feira, 26 de março de 2018

Cinco Coisas Que Você Nem Percebia Quando Era Criança e Assistia Televisão





Não sei vocês, mas eu passei a minha infância e adolescência grudado na frente da televisão, assistindo a desenhos animados e a seriados e me divertindo muito com isso. Aliás, meu vício em cultura pop em geral nasceu nessa época e foi moldado por tudo o que assisti nesses anos todos, em que eu vivia no interior, a internet não era uma realidade e a gente hoje, mais velho, jura que tempo bom como aquele não volta mais.

Mas a gente cresce, amadurece, refina (ou não) o gosto e se dá conta de como éramos inocentes quando crianças. E, muitas vezes, precisamos de um estalo pra encararmos alguns fatos que durante anos nos passaram despercebidos, graças à inocência infantil, à desatenção, ou porque simplesmente, no final das contas, aquilo nem importava tanto.

Como acho bastante divertido lembrar de um tempo que já passou e, principalmente, respirar um ar um tanto quanto saudosista de quando éramos bem mais jovens, fiz uma pequena pesquisa e cheguei à lista abaixo de coisas que faziam parte do nosso dia-a-dia e que nem percebíamos que eram dessa maneira que apresento agora.

sexta-feira, 23 de março de 2018

A Volta dos Que Não Foram




Quando eu era bem moleque, lá pelos fins dos anos 1970 e 1980, durante o ensino fundamental e o médio, existiam duas disciplinas que, na época, não compreendia muito bem o porquê de sua existência. Quem tem mais de 40 anos deve se lembrar muito bem delas: Educação Moral e Cívica (EMC) e Organização Social e Política Brasileira (OSPB), que haviam sido incluídas no currículo durante o período da ditadura militar como disciplinas obrigatórias pelo presidente Costa e Silva (criador do AI-5 - para quem não lembra ou não sabe, o mais severo ato institucional, que resultou na perda de mandatos de parlamentares contrários aos militares, intervenções federais e a “legalização” da tortura).

As disciplinas abordavam temas como a importância da família e um ufanismo extremo de amor à pátria, seus símbolos e tradições. Eu achava tudo aquilo uma chatice e, no fundo, era uma forma de intimidação através de um autoritarismo disfarçado. A minha sorte foi que os professores responsáveis eram totalmente rebeldes. No antigo segundo grau (atualmente ensino médio) tive uma professora de OSPB que falava abertamente sobre o uso da maconha e fazia a gente morrer de rir com as histórias sobre a brutalidade das forças armadas dentro das salas de aula. Em uma das suas histórias, ela contava em detalhes, os momentos em que precisou engolir um jornal subversivo para não ser surpreendida pelos agentes. De certo modo, era uma forma mais leve de tratar um assunto tão pesado para jovens em formação. 

quinta-feira, 22 de março de 2018

Estamos Presentes?





Fez uma semana que o ato terrorista contra Marielle e Anderson, seu motorista, aconteceu. Milhões de textos, opiniões, atitudes e verborragia foi jorrada internet afora. Passeatas aconteceram por todo país e mundo. Eles estão presentes e ainda no meio de nós. Espero que por muito tempo... 

Eu, particularmente, me senti vazio quando soube da notícia. Não fiquei surpreso como a grande maioria se sentiu pelo fato. O clima na cidade do Rio de Janeiro é de uma guerra urbana! "Queima" de arquivo, nem que seja para um mero "envio" de mensagem, não me deixa assombrado. Infelizmente, isso soa como algo inevitável nos dias que estamos vivendo por aqui. Existe uma guerra de poder, só não percebe isso quem não quer. 

Acho que na verdade eu me sinto derrotado e dando graças por continuar vivo por mais um dia. Por ter emprego por mais um dia e poder levar minha vidinha sem graça por mais um dia. Pela primeira vez me encontro apático ao encarar isso que podemos chamar de vida. Sair de casa para ir trabalhar é uma tortura. Chego a temer esse momento. Na rua, todos andam desconfiados e conferindo cada pessoa que se aproxima. Afinal, nunca se sabe quando alguém te abordará para "só" te assaltar e não acabar te matando. 

quarta-feira, 21 de março de 2018

A Morte do Avô e o Sentimento à Sombra




Essa semana vi muita gente celebrando o dia 19 de março, por ser Dia de São José, um dos santos mais queridos na esfera católica. Tenho grande simpatia por ele, admito. Muito longe de algo sagrado, o 19 de março mais emblemático da minha vida foi 16 anos atrás, quando, de madrugada, meu pai recebeu uma ligação. Eu já sabia o que representava aquela chamada e não tardou a vir a confirmação: meu avô paterno havia falecido no hospital, após dias internado.

A morte do meu avô, por si só, seria motivo para lembrar para sempre da data de forma triste. Mas esse mesmo dia teve requintes novelescos: era aniversário do meu então namorado. À época, minha família não sabia da minha sexualidade (somente minha irmã tinha ciência). Tive eu que ir para Itaboraí acompanhar todos os procedimentos fúnebres com meu pai e passei o dia inteiro longe da pessoa que era tão importante para mim e que completava 18 anos exatamente então.

terça-feira, 20 de março de 2018

Sobre Um Feriadão Sem Celular





Acho que há umas duas semanas comentei que ia aproveitar o feriadão para uma viagem. E explico, feriadão aqui em Fortaleza, já que na segunda, dia 19, foi feriado do dia de São José por aqui. Para a aventura, juntei 15 amigos do CrossFit para uma viagem de carro rumo a Pipa, no Rio Grande do Norte.

A viagem foi perfeita. O problema é: saiba sempre quem você vai levar para uma viagem com muita gente, por mais que seja só um final de semana prolongado. E, graças ao meu bom Deus e meu CrossFit, dessa vez deu certo! A gente planejou a viagem, reservou o local, fez revisão no carro, fez as compras, e apenas correu pro abraço.

segunda-feira, 19 de março de 2018

A Melhor Escolha






Não se deixe enganar pela cara de Steve Carell no cartaz do filme ou pelo trailer engraçadinho. A Melhor Escolha, que chega aos cinemas brasileiros na próxima quinta, dia 22/03,  não é uma comédia típica, daquelas idiotas ou para que você gargalhe do início ao fim. E, digo mais, ainda bem que não. O filme, que pode estar sendo vendido dessa forma para atrair mais público, é na verdade uma dramédia, gênero que mistura o drama com algum (bom) humor, muito bem realizada e feliz em sua concepção e resultado final. Acho que por isso mesmo é uma trama que surpreende positivamente e que merece a sua atenção. 

Dirigido por Richard Linklater (de Boyhood), A Melhor Escolha (Last Flag Flying, no original) é baseado no livro homônimo do escritor Darryl Poniscan, e nada mais é do que um road movie que coloca três velhos conhecidos e aposentados da marinha americana, que não se viam há pelo menos trinta anos, em um novo encontro quando o filho de um desses, também membro da marinha e de apenas 20 anos de idade, é morto em uma missão em Bagdá no ano de 2003.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Quem Vigia os Vigilantes?





Era para ser mais um indivíduo na estatística dos inúmeros assassinatos que acontecem diariamente. Era para ser mais um dos cidadãos que saem todos os dias para trabalhar e, como em um game na vida real, vão cruzando obstáculos pelas tortuosas ruas e vielas da cidade até novamente repousarem suas cabeças no travesseiro, iniciarem os sonhos intranquilos e passarem de fase para dar continuidade ao jogo. 

Mas, para Marielle Franco, o jogo foi interrompido bruscamente. Game over.

Muita gente só ouviu falar dela após a exposição da mídia, mas para quem não sabe, esta mulher foi uma das vereadoras (em seu primeiro mandato) mais atuantes e que incomodava muita, muita gente...

quinta-feira, 15 de março de 2018

Eu Te Avisei, o featuring de Alice Caymmi com Pabllo Vittar




Ontem, em plena quarta-feira, 14 de março de 2018, foi lançado oficialmente o clipe da música Eu Te Avisei, parceria de Alice Caymmi com Pabllo Vittar. E adianto para vocês que fazia tempo que não ouvia uma música como essa. Uma direta bem dada para um determinado @ da sua vida. Quando escutei pela primeira vez, lá em janeiro, me conectei no ato. A letra e a batida conversou comigo de uma maneira bem íntima. E olha que eu não queria passar mensagem nenhuma com essa letra. Só me deixei levar pela batida... A ficha só caiu bem depois...

quarta-feira, 14 de março de 2018

Sobre Amor e Kriptonitas




Toda vez em que vejo o relacionamento de algum amigo querido acabar, sinto, admito, uma dorzinha como se eu fizesse parte daquele processo. Já falei um pouco sobre esse assunto aqui no Barba Feita três anos atrás, quando um casal que eu adorava e de quem fui padrinho de casamento terminou, no qual eu perguntava “O ‘pra sempre’ sempre acaba?”. Esta semana, mais uma vez me deparei com essa realidade: fui surpreendido com o texto de um amigo queridíssimo no Facebook e no Instagram (pelo que entendi, uma reprodução de outra autora) sobre o término com o seu companheiro (também meu amigo) no qual ele falava que a relação marital dos dois havia chegado ao fim, embora não o amor e o companheirismo. 

O texto vinha acompanhado de diversas fotos, onde o afeto e o carinho entre os dois eram visíveis. Eu mesmo testemunhei de perto a relação cúmplice deles. Para mim, foi um choque – chegou a vir aquele nó na garganta que antecede um choro. Mas achei muito digno da parte dele de ir celebrar o sentimento tão bonito que, juntos, semearam por tanto tempo. 

terça-feira, 13 de março de 2018

Extremismos




Toda semana eu planejo escrever sobre algum tema feliz pra falar por aqui, mas acontece sempre alguma coisa que me trava e acaba dando um banho de gelo no meu texto. Dessa vez, estava todo empolgado para falar sobre minha próxima viagem, minha ansiedade, minha incapacidade de fechar uma mala e tudo o mais. Aí acontece uma chacina aqui em Fortaleza. A quarta da capital cearense de 2018. E, dessa vez, NO MEU BAIRRO. Meu amado Benfica.

Primeiro de tudo eu queria falar do clima de guerra. Ninguém confia mais em ninguém. Ninguém conhece mais ninguém. O principal tema de conversa nas mesas de bar virou discutir sobre qual facção manda no bairro que moramos. Ninguém pode mais andar na calçada sem a sensação de assalto ou até de bala perdida.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Visão Panorâmica





Às vezes eu acho que nos ensinaram tudo errado. Fomos sugestionados a e ter um estilo de vida que, com o crescer de toda uma geração, vem se mostrando falho e cheio de lapsos. E o tal do foco, que tanto nos foi incutido, tem se mostrado mais um problema do que uma solução.

Foco na carreira. Foco no relacionamento. Foco estudos. Falou-se tanto em foco que desaprendemos a enxergar o todo. Nos ligamos tanto a um relacionamento que deixamos os amigos de lado. Focamos no estudo formal e nos esquecemos de pensar em novas possibilidades de aprendizado. Colocamos a carreira em primeiro plano e nos tornamos profissionais infelizes, trabalhando apenas por dinheiro e deixando a auto-realização de lado. Focamos tanto que acabamos nos perdendo pelo caminho.

Ao priorizarmos o foco, deixamos de enxergar o todo, de apreciar a beleza do entorno, de experimentar novas possibilidades. Focamos no foco, vejam que redundância, e deixamos de valorizar a visão panorâmica.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Deixa Pra Depois Que Eu Resolvo





Semanas atrás, quando estive em Londres, vi uns pequenos protestos sobre o Brexit em frente ao Parlamento e um Big Ben em obras. Ainda não sei se é cedo para saber se a economia britânica será afetada por não fazer mais parte da União Européia. Alguns economistas afirmam que empregos serão eliminados e que a economia do país depende muito do comércio internacional e que quase metade dos bens e serviços exportados pelo Reino Unido tem como o destino final, a União Européia. Podemos perceber que vai ter uma certa queda de braço da UE para atrapalhar a vida dos ingleses, mas, sinceramente, parece que Londres vive dentro de seu próprio mundo da fantasia. 

Não percebi nenhum espectro de crise enquanto estive por lá. Bem diferente do que vi em Paris: como as dezenas de sírios desabrigados e os senegaleses fugindo de policiais com suas mercadorias contrabandeadas.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Só Sei Que Nada Sei





Cheguei em um daqueles pontos que qualquer pessoa que escreve semanalmente enfrenta: não saber sobre o que, de fato, escrever. Na verdade, eu até sei sobre o que quero falar, mas o que me falta é tempo de sentar e desenvolver meu texto. 

Hoje mesmo. São três e meia da manhã e estou lapidando essas linhas que você lê agora. Cheguei uma da manhã em casa, vindo do trabalho, e passei um tempo considerável analisando sobre o tema que poderia conversar com vocês. Pretendo, por exemplo, falar novamente sobre Scandal, mas não consigo uma hora dessas analisar mentalmente todos os pontos da série que pretendo explorar. 

Também pretendo falar sobre música pop nacional. E não será só sobre Anitta, prometo! Mas ela deve aparecer em um ou dois parágrafos no texto... Tudo bem, talvez em três ou quatro. Cinco ou seis é mais garantido...

quarta-feira, 7 de março de 2018

La Casa de Papel: o Fetiche do Crime Perfeito





Sempre fui um fã do cinema espanhol. Embora não tenha mergulhado e assistido tanto quanto gostaria, já tive a oportunidade de me deliciar com alguns ao longo da minha vida (muitos do Almodóvar) e é um dos meus centros produtores de filmes favoritos. Lembro-me de um Festival do Rio, se não me engano em 2004, em que teve a mostra Foco Espanha, na qual vi excelentes películas (duas delas com a atriz Monica Cervera, que me encantou à época vivendo uma transexual e uma mulher obcecada pelo seu chefe). 

Muito por isso, e também movido pelo burburinho que surgia na internet brasileira, resolvi encarar La Casa de Papel no Netflix. A primeira tentativa foi quando ainda estava em Belo Horizonte, no Carnaval. Mas admito que, exausto pela viagem e diante de um texto extremamente ágil e desafiador (ainda mais no espanhol de Madrid, que se fala bem rápido), acabei não acompanhando bem e pedi arrego a Morfeu no meio do episódio piloto. Retornando ao Rio de Janeiro, retomei a tentativa desde o início do primeiro capítulo e, pimba, estava totalmente fisgado pela série.