sexta-feira, 20 de julho de 2018

O Verdadeiro Mal do Século





Mesmo depois de 35 anos, a AIDS ainda continua causando preconceito e hostilidade entre as pessoas. Fiquei pensando muito nisso quando, nesta semana, um amigo confidenciou-me ser soropositivo. E o que mais me surpreendeu em seu desabafo não foi o fato dele estar preocupado com o vírus em si, mas sim, em sua aflição pelo diagnóstico ter mudado sua identidade perante às pessoas ao seu redor.

Só conseguia pensar em A Metamorfose, clássico do escritor austro-húngaro Franz Kafka, escrito em 1912, que, de certa maneira, também poderia ser usado na atualidade como uma metáfora para a síndrome. Na obra, é contada a história do caixeiro-viajante Gregor Samsa que, um dia, acorda metamorfoseado em um enorme inseto. E o que mais o incomodava não era o fato de olhar no espelho e descobrir que tinha se transformado em uma barata, mas sim, pelo medo da rejeição que aquela criatura provocaria no seu ambiente de trabalho.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Decepcionado, Mas Sem Surpresa




Sou um cara otimista. Tento ver o lado bom das coisas, mesmo quando é muito difícil e a única frase possível seja: é, fudeu mesmo! Acho sinceramente que tudo acontece por um motivo. Quando mais novo, acreditava nisso um pouquinho mais, Makutb era quase que uma filosofia de vida. 

O que acontece é que o tempo passa e isso se torna menos crível. Pode ser o velho papo de amadurecer e possuir mais decepções na vida do que maridos da Gretchen, vai saber. Mas o fato é que ando me desencantando mais de acreditar que tudo vai dar certo. Óbvio que a gente quer que tudo aconteça da melhor maneira. Queremos conseguir o que desejamos. Queremos que nossos amigos consigam viajar, trocar de emprego ou até mesmo de crush. Mas tirando esse nosso simples desejo, será que o universo está realmente atento? Será que se vibrarmos positivamente o mundo vai nos retribuir o que tanto desejamos de volta? Hoje eu me sinto um pouco menos esperançoso quanto a isso. 

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Oito Coisas Para Morrer Antes de Fazer





Não, caro leitor, você não leu errado. Não são coisas para se fazer antes de morrer, até porque eu seria pretensioso demais em uma lista que tornaria meus objetivos nessa vida finitos. Talvez falar em morte possa até ser exagerado, mas o fato é: resolvi frisar oito coisas que, nem morto, eu gostaria de fazer.

1) Serviço militar: nossa, como eu fugi do alistamento militar obrigatório! Fugi tanto que tive que me apresentar mais de uma vez, uma no ano em que fazia 18, e outra no que fazia 19 (porque me apresentei fora do prazo na primeira vez). Mas caí no excesso de contingente por conta do meu alto grau de astigmatismo. Pela primeira vez na vida, os óculos me salvaram.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Um Sonho (ou Meta?) Parisiense




Tendo como inspiração a seleção campeã do Mundial de Futebol 2018 (mais uma vez a Copa...rs), resolvi, hoje, falar sobre sonhos... E um dos meus maiores, tem idioma francês, coincidentemente.

Na verdade, falar de todos os meus sonhos em um único artigo é dificílimo, pois sou uma pessoa recheada deles. Muitos, inclusive, passaram a ter como sinônimo para mim, a palavra meta. Nunca escondi (e tenho até muito orgulho) de dizer que passei muitas dificuldades na minha vida, mas isso é um outro capítulo, que talvez um dia conte aqui. Pensei durante um bom tempo que sonhos eram aqueles desejos que ficavam no mundo do imaginário, que era algo que queríamos muito e dificilmente conseguíamos realizar. Do tipo “eu sonho ter uma casa”, “eu sonho um dia ser funcionário público”, “eu sonho um dia viajar para o lugar tal”... Resolvi então mudar meu mantra e passei a ter propósitos: “eu tenho a meta de ter minha casa própria”, “eu vou ser funcionário público”, “eu quero viajar e conhecer o local tal”. E assim fui conquistando meus desejos, que de sonhos se transformaram em realidade.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Cinco Programas de TV Que Deram (Super) Errado





Todo programa de televisão quer ser um campeão de audiência, conquistar o público e ser relevante. E, exatamente por isso, muitos programas entram e saem das grades de programação, num teste sem fim em que somente os bem sucedidos permanecem por aí. E, nesse caso, não estamos falando da qualidade do que é oferecido ao público e sim o que ele rende em matéria de audiência e, consequentemente, em publicidade e propaganda para a emissora.

Que eu sou um viciado em TV (e já fui bem mais, confesso), você já deve desconfiar. E, por isso mesmo, me interesso um pouco por todo programa que prometa revolucionar a televisão de alguma maneira. Só que, na maioria das vezes, vemos verdadeiros tiros no pé (e acho que Lazinho Com Você deve assombrar a Globo e Lázaro Ramos até hoje).

A coluna de hoje é, de certa forma, um olhar para o passado, relembrando algumas produções que foram alardeadas e produzidas visando o sucesso e deram de cara com a apatia do público, seja por quais fatores forem. Assim, programas que tinham bastante potencial para ar certo, acabaram indo para o caminho oposto e parando no grande limbo televisivo. 

Vamos conferir?

sábado, 14 de julho de 2018

O Que Falar Para os Meus Alunos, Quatro Meses Depois?




Escrevi um pouco no meu Facebook algum tempo atrás, ainda com o frescor do sentimento no coração e nos olhos, sobre esse ato que marcou a minha vida. Agora, já se passaram quatro meses. Desculpe, esqueci de falar a qual ato me refiro, talvez porque o coração volte a pulsar mais rápido, a garganta volte a fechar e os olhos fiquem logo marejados, só de lembrar. O dia era 15 de março de 2018 e um motivo levou muitos e muitas às ruas: a execução da quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro, Marielle Franco. A minha vereadora. 

Como disse um amigo ao me avisar da execução. “A sua vereadora foi executada agora, você não viu né? Seu celular tá desligado, te avisei lá!” Me metralhou ele, ao chegar em sua casa e me ver sentada no chão conversando com sua mãe, um dia antes do ato que mudaria minha vida. Pensei até que ele estava falando da minha vereadora de Belo Horizonte, já que acompanho a política das duas cidades e, se pudesse, votaria nas duas, cuidaria das duas. Mas não… era da Marielle que ele falava. 

Mas, que drama! Mudaria sua vida por que? É só mais uma morte! 

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Joguinhos Perigosos





Desde a semana passada, os dias tem sido recheados de assuntos bombásticos:  primeiro foi a desclassificação da seleção brasileira (se bem que nem podemos chamar esse fato de bombástico, já que tudo era bastante previsível, né?), e depois o país voltou a falar sobre política com a “libertação” do ex-presidente Lula através de um habeas corpus concedido por um desembargador do tribunal de segunda instância.  Essa historinha, em pleno horário de almoço de domingo, provocou a ira de Sérgio Moro que, mesmo estando de férias, e sendo o responsável pelo processo na primeira instância, ligou para o relator do caso,  e o mesmo suspendeu a decisão.  O bafafá rolou por horas e, na queda de braço, a decisão da primeira instância sobrepôs a da segunda, fato polêmico (e até então inédito, pelo que saiba) no meio jurídico.

A semana também foi agraciada com o final feliz para a história dos meninos tailandeses que estavam presos dentro de uma caverna.   O mundo todo acompanhou o drama do time de futebol infanto-juvenil e do resgate, quase uma missão impossível e que, certamente, vai virar livro, filme etc e tal.  É esperar pra ver.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Samantha!: A Viciante Comédia Brasileira da Netflix





Como começar a explicar Samantha? Ela é... única. Dona de um carisma singular e de uma língua mega afiada, além de um talento nato para o estrelato, mas que agora está bem flop na vida. Me diga só quem foi sucesso nos anos 80 e não passou por isso, não é mesmo... @X?

Mas o importante é não deixar de acreditar! E Samantha! acredita tanto, mas tanto, que é a primeira série de comédia brasileira produzida pela Netflix Brasil. A ideia é mostrar a vida de uma ex-estrela mirim e sua vida nos dias de hoje. Posso adiantar que ela casou na prisão com um ex-jogador de futebol (Dodói), tem dois filhos que são o máximo (Cindy e Brandon), e quando era pequena participou de um grupo com mais dois meninos, a Turminha Plimplon. E o nome dela começa com S, mas não tem Y...

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Poliódio (Ou: Quando o Ódio Acontece)




Estavam os quatro amigos sentados à mesa do bar. Optaram por uma área descoberta, pois Milton, o mais baixinho, de cabelos encaracolados, fumava. E era justamente um cigarro que acendia agora, interpelando Laércio:

- Então, cara. Conta, como é essa história de odiar duas pessoas ao mesmo tempo...

Antes que o perguntado abrisse a boca, o terceiro, Nildo, disparou:

- Eu não acredito nessa coisa, já falo logo. Pra mim, não tem essa de odiar mais de uma pessoa. 

terça-feira, 10 de julho de 2018

Brasil: "A Pátria de Chuteiras"




Caso tivesse vencido na última sexta-feira (06/07) seu confronto com a Bélgica, hoje, a seleção brasileira estaria disputando uma das vagas nas semifinais da Copa do Mundo 2018. Apesar do assunto ter sido abordado aqui no Barba em outras colunas, sob outras óticas, é inevitável não voltar ao tema.

Diferentemente dos dois aficionados em futebol da nossa Seleção do BarbaPaulinho e Marcos – colunistas das quartas e sextas-feiras, respectivamente –, confesso que sou mais tendencioso ao gosto do meu amigo Silvestre – quintas-feiras: não gosto de futebol. Tanto que nem sabia qual era o time que enfrentava o Brasil na estreia! Mas para não deixar de citar todos, confesso que tenho um “quê” do Leco (colunista das segundas-feiras), pois gosto de aproveitar esse momento de folia fora de época no país para dar uns bordejos e curtir a festa e comemorando, claro, quando a seleção sai vitoriosa.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Lacrou!

...Só Que Não!



Lacrou: gíria que corresponde a um elogio para quem foi muito bem em alguma coisa, que deixou os outros sem fala ou sem reação. Quem lacrou não deixou espaço para que falem mal, quer dizer que aquela pessoa "calou a boca" dos outros. Aplicação em frase: "lacrou as inimigas".
Vivemos na era do lacre. E, se você não sabe o que é lacrar, sinto lhe dizer, mas você está out. Mas, convenhamos, não acho que você esteja perdendo muita coisa não. 

Lacrar, para uma nova e contestadora problematizadora geração, é o ápice de uma discussão (normalmente virtual). É botar o ponto final, acabar com os argumentos, destruir o interlocutor. É lacrar e fazer isso de forma a ser aplaudido nas redes por uma legião de outros lacradores desocupados.

A preguiça que me dá com quem que lacrar a qualquer custo é que o diálogo se perde. Normalmente, o que acontece é que alguém pega uma situação fora de contexto, escreve um textão para o Facebook, é curtido e compartilhado e, na maioria das vezes, as pessoas nem sabem direito o que originou realmente o ~~~lacre~~~.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Rotular, Pra Quê?





No Dia do Orgulho Gay, na semana passada, cheguei a ler em algum lugar que alguns ativistas estavam querendo modificar a sigla LGBTQ+ (que, para mim sempre será LGBT) para deixá-la mais inclusiva. Segundo eles, a nova sigla deveria ser LGBTQQICAPF2K+. Achei uma grande babaquice.

Mas antes de levar as pedradas de algum grupo ativista ou hater, quero deixar bem claro que sempre defendi toda e qualquer mobilidade de inclusão. Os movimentos sociais são importantíssimos e essenciais para que tenhamos uma sociedade mais justa, extensiva e irrestrita. Entretanto, ao que me parece, estes locais de interlocução estão recheados por grandes disputas de poder. Os mapas de produção de sentidos podem revelar isso mais claramente: há sim, uma grande egolatria.

Antes mesmo da sigla LGBT, havia o GLS, que ao que indica se tornou jurássico. Gays, lésbicas e simpatizantes são coisas do século passado. Agora são “lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queers, questionadores (héin?), intersexuais, curiosos, assexuais, agêneros, aliados (quê?), pansexuais, polissexuais, amigos e familiares (hã?), “dois espíritos” (oooi?), kinks (héin?) e o sinal de mais, no fim, inclui tudo o que não for heterossexual.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

A Morte Te Dá Parabéns: Sustos e Um Roteiro Espertinho





Se existe um filme que marcou minha pré-adolescência, com toda certeza ele foi Pânico (Scream, no original). Me identificava com os diálogos "espertinhos" e cheios de referência, além de gostar bastante da dose de jogo de detetive que existia na trama: quem está matando e quem será a próxima vítima? 

O filme trouxe um novo boom de películas do gênero, mas a fórmula de adolescentes morrendo e desvendando crimes foi ficando cansativa e, já na metade dos anos 2000, insustentável. Depois veio Jigsaw e Jogos Mortais reverteu o jogo outra vez, mas de uma nova maneira para a indústria cinematográfica.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Um Pouco de Pão e Circo





Acho que já falei isso aqui no Barba Feita antes: sou um alucinado por Copa do Mundo. Desde 1994, a primeira que eu acompanhei, não perco uma e assisto a todos os jogos possíveis, não somente os do Brasil. Na Copa de 2002, no Japão e na Coreia do Sul, estava de férias esperando a faculdade começar e via todas as partidas de madrugada (colocava despertador para acordar e compensava o sono de manhã). Sei onde todas as edições aconteceram desde 1930 e todas as finais disputadas até hoje, além de diversas curiosidades da história do torneio. Uma das maiores realizações da minha vida foi ter trabalhado dentro do Maracanã na Copa de 2014 e ter acompanhado ao vivo alguns dos principais jogos da competição – inclusive a final entre Alemanha e Argentina, com direito a gol na prorrogação.

Como jornalista e assessor de imprensa, uma das primeiras coisas que faço quando acordo é ler as notícias do dia e ver as capas dos principais jornais do país. Após a vitória da seleção brasileira sobre o México, as primeiras páginas estavam com um alto astral, com manchetes positivas, fotos alegres e frases efusivas. Não me lembro da última vez que vi o noticiário assim... Talvez durante as Olimpíadas em 2016. Temos vivido anos muito difíceis no país, no mundo e na imprensa. Lidar com notícias ruins tem sido a rotina do jornalismo brasileiro. Como dizia o americano Walter Lippman: “Jornalismo é a arte de separar o joio do trigo e publicar o joio”. Mas de vez em quando (ainda mais ultimamente), a gente quer o trigo. O mesmo trigo que faz o pão, do tão difundido “pão e circo” desde as mais priscas eras romanas.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Uma Ode à Carioquice





Um dia desses, até pouco comum na minha rotina, estava eu, na praia, sentado na minha cadeira, pé na areia, ouvindo o barulhinho das ondas, oscilando com aquele som maneiro no Spotify, observando os ambulantes ensandecidos vendendo seus espetinhos de camarão, bixxxcoito GLOBO e o maravilhoso e famoso MATE de galão, único no Rio (e no mundo, eu acho), pensei: pow, como eu amo ser carioca, mermão! Acho que isso vale uma historinha... E assim, surgiu o texto de hoje.

Escrever sobre cariocas, sem citar seu modo de falar, é como comer pão quentinho sem manteiga derretendo: até rola, mas não tem o mesmo goxxxto. O sotaque dos cariocas é conhecido no Brasil inteiro, de longa data. E (principalmente) paulistas tem a aquela mania de falar mal e acharem que falam o português mais correto do Brasil (ok, ok, nós cariocas também falamos mal dos paulistanos, mas essa rixa boba que eu acho que nunca vai acabar tinha que estar presente neste texto!). 

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Decisões e Escolhas em Uma Pequena Metáfora




Era uma vez uma linda princesa que, bela e feliz, tamanha riqueza, morava em um castelo, imenso, dourado, mas que para ser feliz por completo vivia sonhando com seu príncipe encantado. No seu reino tão belo, entretanto, nenhum pretendente lhe aparecia. E ela, coitada, esperava noite e dia. 

Mas sua querida avó, que já fora rainha, morava em outro reino, depois da colina. E um dia, a bela princesa, tomada por vontade e presteza, decidiu visitar a avó além das fronteiras. 

No meio do caminho, a pobre donzela encontrou um lobo que era uma fera. Olhou para ele, se assustou, mas de nada adiantou quando por fim berrou.  O rápido lobo, esperto, sagaz, levou a donzela para sua morada voraz.

sábado, 30 de junho de 2018

A Copa é do Mundo





Estamos em tempos de Copa do Mundo. Nessa época, há uma tendência da população de recuperar certo patriotismo. Procuramos esquecer nossas diferenças ideológicas e políticas, para sermos todos brasileiros no mesmo barco. Afinal, quer queira, quer não, o futebol é uma das nossas paixões nacionais. 

Mas, não foi para falar de política que eu vim para a frente deste computador escrever esse texto. Mas para compartilhar de uma situação com a qual me deparei essa semana. Estava eu numa agência da concessionária de luz para resolver um problema de cobrança errada na conta. Não! Também não vim reclamar do serviço, tanto que nem mencionei o nome da concessionária (embora alguns já saibam ou deduzam qual seja). 

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Hiperconexão Dissimulada





Constantemente tenho abordado o tema “redes sociais” aqui no Barba Feita, pois é algo que, nas mesmas proporções, me fascina e me amedronta. Também já tive a oportunidade de poder compreendê-la profundamente, através da forma acadêmica, quando suas representações simbólicas e a dinâmica do discurso das redes foram a base de meu objeto de estudo para meu projeto no mestrado.

Lembro-me que, na época, gostaria de ter entrado em uma análise que, infelizmente, acabou ficando de fora de minha dissertação devido à quase nula bibliografia e observações sobre esse tema: o slacktivismo.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

É Errado Não Gostar de Futebol?





Ontem vivi uma daqueles situações que mexem com você e te fazem questionar certas coisas. Enquanto o Brasil, quase que literalmente, parava para assistir nossa seleção entrar em campo para mais um jogo da Copa do Mundo, eu estava esperando um ônibus para ir trabalhar. E daí? Você pode pensar. Pois é, e daí? Mas, próximo ao local em que estava tinha uma pizzaria e um bar. Não preciso nem dizer que a televisão estava exibido o bendito jogo e havia muitas pessoas ali, vidradas pela seleção. Menos eu. 

Não vou mentir que até pensei em caminhar para mais perto e dar uma olhadinha, quase como se fosse o Big Brother, mas refleti comigo mesmo: por quê? Não gosto de futebol, nunca gostei. Não acho o esporte em si interessante. Era, quando pequeno, constantemente vítima de bullying por não ser minimamente interessado por um par de chuteiras, bola de futebol e um gramado.... Vai entender.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Tornar-se Humano





Quantas vezes a humanidade demonstrou a sua crueldade de forma coletiva? Em quantos momentos ao longo da História cometemos genocídios e crimes contra a nossa própria espécie, subjugando um grupo ou etnia simplesmente por ser/ter algo diferente? De forma mais difundida, não é difícil lembrar da escravidão dos negros africanos e as progressivas chacinas dos indígenas nos tempos coloniais e pensar também no Holocausto. Isso sem contar o extermínio da Sérvia contra croatas, bósnios, albaneses e outros povos da antiga Iugoslávia; a perseguição russa contra chechenos; o massacre de hutus contra tutsis em Ruanda; o dia-a-dia de favelas brasileiras... 

Essa semana fomos surpreendidos com o presidente americano Donald Trump se superando em suas decisões desumanas, separando pais e crianças imigrantes em jaulas. Trump, por diversas vezes, já foi comparado a Hitler por suas atitudes e agora não foi diferente. Curiosamente, nessa mesma semana, eu zerei pela primeira vez na vida um jogo de PlayStation chamado Detroit: Become Human. O que tudo isso tem a ver? 

terça-feira, 26 de junho de 2018

Vale Tudo: O Brasil Que Continua o Mesmo Depois de 30 Anos





Eu, como um fanático por telenovelas, é claro que passei a assistir pela enésima vez a reprise de Vale Tudo, que está sendo reexibida desde o último 18 de junho pelo Viva. A novela de Gilberto Braga, com quem ele dividiu a assinatura com Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, em 1988, é considerada até hoje um clássico da nossa teledramaturgia. Exibida originalmente há 30 anos, quando eu completava os meus 8 de idade, abordava em seu enredo principal a questão: “vale a pena ser honesto no Brasil, um país onde tanta gente se dá bem, sendo desonesta?" 

A cena mais emblemática para mim (pasmem!), não foi a morte ou a descoberta do assassino de Odete Roitmann, mas uma das sequências do último capítulo em que Marco Aurélio, o corrupto empresário vivido por Reginaldo Faria, fugia em seu jatinho dando uma banana (gesto de braços cruzados que indica xingamento) para o país, lá de cima, mirando o cartão postal do Rio de Janeiro com absoluto desdém.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Além do Homem: Quando a Pretensão Encontra a Chatice





Há muito que o cinema brasileiro vem explorando outras possibilidades narrativas e criativas. E, apesar de vivermos ondas em que determinados gêneros dominam as telas (favelas movies, comédias escrachadas), a produção nacional tem se mantido produtiva, explorando gêneros diversos. Pena que, muitas vezes, não sendo bem sucedida no básico, seja em qual gênero se aventure: entregar um bom filme aos espectadores.

Fui para a sessão para críticos de Além do Homem sem nenhuma expectativa. Eu não tinha lido nada sobre a produção e vi apenas os nomes do elenco. Logo, fui de peito aberto, sem qualquer pré-julgamento para com a história. Mas, depois de menos de meia hora de filme eu já estava completamente entediado e quase implorando para que a sessão (de tortura) acabasse.

sábado, 23 de junho de 2018

De Riscado a Boreli





Eu me lembro que, quando pequeno, meus familiares, como pai e tios, sempre contavam anedotas envolvendo questões raciais e eu, uma criança de oito anos, achava super engraçado. Eu vou repetir esse trecho: “Eu, uma CRIANÇA DE OITO ANOS, achava super engraçado”.

Eis que nos deparamos com alguns anúncios do mais recente clipe de Nego do Borel, que será lançado em julho, mas, antes de eu prosseguir com essa “pérola” do cantor, gostaria de citar rapidamente um outro clipe seu: Pretinha Vou Te Confessar.

No clipe, de 2016, o cantor faz par romântico com uma mulher branca (Aline Riscado), cabelo liso, curvilínea e todos os outros jargões do padrão de beleza que já conhecemos tão bem. Lembro que, na época desse clipe, o cantor chegou até a ser questionado sobre por que não uma musa negra. Não soube responder. Ledo engano.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

O Tempo Não Para?





Eu já deixei de acompanhar novelas desde o tempo de Avenida Brasil (que provavelmente foi a última em que não perdi nenhum capítulo). Depois disso, vi capítulos aleatórios de uma ou outra e nenhuma chegou a chamar minha atenção a ponto de eu sair correndo do trabalho a tempo de não perder o início do folhetim.

Mas essa semana, ao ler uma nota no jornal sobre a próxima novela das 7 da Globo, fiquei interessadíssimo na história que vai estrear mês que vem. Escrita por Mario Teixeira (considerado o novo Walcyr Carrasco da Globo), se chamará O Tempo Não Para e vai trazer um tema bem intrigante.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Vocês Estão Preparados Para Era IGTV?





Nunca uma quarta-feira foi tão movimentada para os fãs de redes sociais quanto o dia de ontem, 20/06/2018. Enquanto o Google lançava o seu Google Podcast, o Instagram dava início à revolução do modo como assistimos conteúdo em vídeo. E sim, não achava que isso poderia ser possível, mas pode e será, mores.

Depois que o finado Snapchat veio ao mundo para fazer com que assistíssemos vídeos com o celular na horizontal - lembrando que o Instagram pegou essa ideia e acabou colocando mais algumas animações e funções divertidas, dando ao nome disso tudo de stories -, agora podemos conferir vídeos feitos exclusivamente para esse formato vertical. Sem mais aquele papo de virar o celular para conferir em tela cheia... Uma revolução que nem o "tio" Bonner imaginava ser possível. 

quarta-feira, 20 de junho de 2018

PH Também Fala "Oxente"





Semana passada falei um pouco sobre o reencontro com a cidade natal do meu pai e com a antiga casa dos meus avós no exato dia do meu aniversário. Nesses dois últimos anos tive a oportunidade de rever parte das minhas raízes paternas que andavam esquecidas: além da viagem de agora, ano passado revi parte dos meus primos e um tio com quem não estava desde muito pequeno. Dessa vez, estive novamente com a minha tia mais nova e minhas primas que ainda moram em Mogeiro (PB), e também com meus primos que moram em Olinda (PE).

Durante muitos anos, sempre fui mais apegado à minha família materna (com exceções, claro... Há tios e primos por parte de pai de quem sou muito próximo). Mas a referência mais próxima da minha avó e do meu avô, meus primos com quem fui criado junto na infância e adolescência sempre foram pelos laços maternos. O sobrenome que escolhi usar profissionalmente (Brazão) herdei da minha mãe e não do meu pai (Sobral). E me lembro que isso foi a guinada em um determinado momento da minha adolescência. Até então, eu assinava tudo como Sobral (inclusive minha assinatura na carteira de identidade tem apenas o Sobral por extenso).

terça-feira, 19 de junho de 2018

Sê Grato!




Gratidão
substantivo feminino
1. qualidade de quem é grato.
2. reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor etc.; agradecimento.

Apesar da descrição acima, extraída do dicionário, penso que achar como gratidão apenas o ato de retribuir atitudes ou situações agradáveis que outras pessoas geraram em nossa vida é uma forma de pensar muito limitada. Isso porque ser grato talvez seja um estado de espírito e não deveria fazer referência somente aos fatos positivos, mas a tudo que está presente em nossa vida.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Ménage à Trois: Cabem Três Em Uma Só Cama?





Mesa de bar, cervejas, riso e aquela conversa descompromissada e sem pé nem cabeça, que não se sabe como um assunto acaba puxando outro ou que motivou o rumo da conversa. E assim, entre uma história e outra, o assunto: sexo a três. Faria? Já fez? Curtiu? Porque é meio que inevitável não acabar pensando ou falando sobre o assunto, já que ele traz consigo toda uma aura de curiosidade e mistério.

Pergunto: existe assunto que gere mais interesse que ménage à trois ou, em bom português, sexo a três? Digo mais: esse é o sonho da maioria dos homens hétero, claro, com o terceiro vértice do triângulo sendo outra mulher. Que homem não adoraria se sentir um garanhão na hora H, tendo duas mulheres para se divertir? 

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Se Estamos Presos ao Modelo, Somos Parte Dele




Certamente não sou só eu que tenho a impressão de que o Brasil desce ladeira abaixo. Nem gosto muito de comentar sobre assuntos políticos, pois quando começo a falar acabo sendo muito incisivo e muitos confundem os meus argumentos com o discurso de estar defendendo X ou Y ou a velha babaquice de estar do lado dos coxinhas ou mortadelas. Então, para evitar o desgaste, evito começar o embate e prefiro ficar somente na aura simbólica, pois assim, só os fortes entenderão.

Mas em algumas situações, é inevitável que saiamos da linguagem metafórica e tentemos ser mais didáticos para que o povo possa compreender certas coisas. Como muitos sabem, já estou há muito tempo trabalhando como jornalista dentro da área de saúde. E lá se foram uns 15 anos vivenciando os absurdos de gestões governamentais que, a cada ano que passa, só deterioram ainda mais as unidades de saúde pública.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Stalker, de Tarryn Fisher




Se existe algo que arruina a vida de qualquer leitor, com toda certeza ela se chama ressaca literária. Acaba acontecendo sempre quando se enfrenta um livro que é longo demais ou tedioso. Acredito que ainda estou com alguns desses vestígios desde que finalizei Piano Vermelho, de Josh Malerman, autor do viciante e mega recomendado Caixa de Pássaros, mas que não repetiu sua boa performance nesse segundo livro. Que, sério, fuja o quanto for possível. 

Tudo bem que consegui ler uma segunda obra este ano, mas FlashForward foi um daqueles livros que eu olhei para ele e ele me olhou e rendeu uma boa leitura. Depois me aventurei com um bom HQ e mais nada. NADA! Isso até receber a segunda caixa da TAG Inéditos com o livro Stalker, da Tattyn Fisher. O livro apresenta elementos que me cativam. É de mistério e possui uma personagem que é completamente desequilibrada. Quando dei uma leve folheada, percebi que a escrita da autora é das mais interessantes, assim como o enredo que ela montou. O resultado? Viciado em cada página dessa história intrigante. 

quarta-feira, 13 de junho de 2018

O Aniversário e o Reencontro




Essa semana é aquela em que eu comemoro o meu aniversário e o Dia dos Namorados. Com a diferença de que, pela primeira vez, resolvi pegar férias nesse período e viajar. Escolher um lugar para ir em junho no Brasil tem que se pensar bem no tipo de turismo que se quer... No meu caso, queria voltar a aproveitar um pouco de praia e sol e conhecer algum lugar novo. Foi quando tive o estalo de ir para a Paraíba.

A Paraíba não era exatamente uma novidade completa para mim, embora recheada de experiências novas. Meu pai é nascido no Estado, mais precisamente em Mogeiro, na entrada do Agreste, entre João Pessoa e Campina Grande. Mas a última vez que estive nessas bandas foi há 27 anos e lembrava de coisas muito pontuais, além de nunca ter ido à capital. 

terça-feira, 12 de junho de 2018

É Dia dos Namorados...




Casais casados comemoram o dia dos namorados? Essa pergunta me fez pensar que namorar, na verdade, é um estado de espírito. Você pode estar casado, mas quem faz o casamento ser um eterno namoro é você. Namorar, sendo bem piegas, é olhar com olhos como “cachorrinho sem dono” pedindo colo. É fazer vozinha de neném para ser carinhoso. É ser ridiculamente meloso e conscientemente sedutor. Transformar seu casamento em namoro é bom, e também porque envolve carinho e cumplicidade sem a pesada responsabilidade dos casais casados. 

Só no Dia dos Namorados se curte de verdade poesia, chocolate e bichinho de pelúcia (que pode ser substituído por uma almofada, se agarrada com essa intenção...rs). Nos outros dias, nenhuma música romântica é tão bem-vinda. Se a gente olhar direitinho, acho que nem os passarinhos cantam com tanta alegria. E então, por que não fazer que todos os dias sejam assim?

segunda-feira, 11 de junho de 2018

As Eleições 2018 e a Ameaça Ultraconservadora





"Por isso, cuidado, meu bem, há perigo na esquina:
Eles venceram e o sinal está fechado para nós que somos jovens...

Junho de 2018. Faltando quatro meses para as eleições presidenciais, ainda não há candidaturas "oficiais" ao cargo mais importante do país e o resultado de pesquisas de intenção de voto são alarmantes. Motivados por uma série de questões, os eleitores parecem divididos entre um pré-candidato preso (Lula) e outro que, além de tremendamente conservador, agrega bastante polêmica ao seu nome (Jair Bolsonaro). 

Na última semana de maio, dois institutos de pesquisa tradicionais liberaram seus resultados sobre as intenções de voto para as eleições 2018. De acordo com o Ibope, Bolsonaro, pré-candidato pelo PSL, aparece tecnicamente empatado com Lula, do PT. Já pelo Vox Populi, Lula mantém uma ligeira vantagem contra qualquer candidato, mesmo estando preso há dois meses em Curitiba.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Dando um Chapéu na Melancolia




Faltam poucos dias para a Copa do Mundo.  E pela primeira vez em toda a minha vida, ainda não tinha notado um único lampejo de entusiasmo desse povo.  Aí no final da semana passada vi uma molecada super-animada realizando a tradicional pintura do asfalto e pendurando as bandeirinhas verde-amarelas em uma tradicional rua vizinha à avenida onde moro. 

A alegria durou pouco.  Na calada de uma madrugada, toda a decoração foi vandalizada.  Aos primeiros raios do amanhecer, a vizinhança incrédula, não conseguia compreender o porquê de alguma criatura insana ter feito aquela barbaridade.  Diante dos olhares entristecidos, um engravatado, bradando em tons acima da média, tinha orgasmos múltiplos ao ver a cena.  Para ele, toda aquela destruição de um árduo trabalho tinha sua nítida aprovação.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Arrasta, o feet de Glória Groove com Léo Santana




Quando soube que Glória Groove lançaria um feat com Léo Santana, fiquei com um "mini" pezinho beeem atrás com essa ideia. Glória é rap! Glória é pop! Mas Glória é axé? Sim. Cai na besteira de tentar limitar o talento dessa drag que admiro tanto e não pensei que esse encontro musical seria capaz de só reafirmar que Glória é tudo! 

Aos primeiros acordes de Arrasta, parceria São Paulo-Salvador, me vi já mexendo os ombrinhos e babando pelos vocais pesados e certeiros. Groove foi capaz de sair de sua zona de conforto, mais uma vez, e reafirmar seu merecido lugar na música pop brasileira. 

quarta-feira, 6 de junho de 2018

A Menina Disse Coisas




Encontrei um amigo algumas semanas atrás e ele me perguntou:
"Já foi ver a peça da Aline Carrocino? Pois vá, está sensacional. Valeu a pena toda a ausência dela"
Aline é uma grande amiga e companheira de outras missões e, nos últimos meses, teve que se ausentar do nosso convívio constante por conta da dedicação ao Teatro, como produtora e também como atriz. Além de estar em cartaz em outros espetáculos infantis, como Luiz e Nazinha e Bituca, ela foi escalada para protagonizar o musical Nara - A Menina Disse Coisas, o que lhe sugou muito do tempo disponível de sua vida (ainda dividindo a responsabilidade com um filho pequeno, de um ano de idade). Mas, como me foi alertado, valeu muito a pena.

Ir assistir a um espetáculo sobre Nara Leão (Vitória, 19 de janeiro de 1942 - Rio de Janeiro, 7 de junho de 1989) é quase como ir a um jogo de futebol de dois clubes desconhecidos: você chega sabendo pouco sobre ela e sai surpreendido com a sua história, principalmente pelo olhar que o autor da peça, o jornalista Cristovam Chevalier (outro querido!), lança sobre a homenageada. Admito que pouco sabia de Nara: era uma cantora brasileira que teve seu destaque numa época em que a minha mãe tinha suas preferências musicais (e não passavam por ela). Foi um tempo em que grandes vozes tiveram evidência, como Elis Regina e Maysa, e Nara era considerada pouco potente e menos afinada. Era chamada de "Musa da Bossa Nova", mas não gostava do rótulo. Enveredou-se por diversos estilos (mas, por fim, admitia que a Bossa Nova era o que mais sentia tocar-lhe o coração).

terça-feira, 5 de junho de 2018

Descobrindo o Perdão Por Meio das Minhas Próprias Sombras





No último fim de semana, participei do laboratório O Ator e a Sombra II, que certamente entrou para galeria de eventos mais viscerais que já vivenciei. Já fazia tempo que gostaria de conhecer o trabalho da atriz, diretora e produtora Gabriela Linhares, e aquela era a oportunidade de saber como era a condução dos seus processos de preparação. 

Resolvi deixar parte da minha racionalidade de lado e tentar, de fato, entrar nesse mundo que venho alimentando há alguns anos de forma alternativa à minha rotina de vida: a arte cênica. Mas essa era uma experiência diferente. Haviam até pessoas que não eram de teatro, afinal, a ideia era bem mais ampla. Foram três dias de tão intensos estudo e experimentos que, às vezes, me sentia numa prova de resistência digna de reality show

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Rotinas





A gente vive ouvindo dicas do que fazer pra quebrar a rotina, pra fugir da mesmice, pra fazer sempre algo novo e diferente. Que o mais do mesmo não é legal e que devemos fugir da obviedade da vida. Mas, me pego pensando, e quando a gente gosta da nossa rotina, de seguir os planos, de manter a calmaria da obviedade?

Eu sou, normalmente, uma pessoa bastante organizada. Sou pontual e gosto de seguir regras. O que me leva a ser alguém que aprecia a rotina. Mesmo assim, manter uma rotina não é algo frugal. Porque até pra seguir uma rotina é necessário organização. Mas, pode ser a chamada maturidade (palavra bem melhor de ser dita que "idade", né?), mas venho me apegando cada vez mais a manter a rotina em dia, o que para mim vem acompanhado apenas de benefícios.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Amizades




Numa dessas noites de papo-vai e papo-vem em algum barzinho da vida, alguém se espantou quando afirmei que tenho um grupo de amigos há mais de três décadas e que, todos os anos nos encontramos para rir um pouco, jogar conversa fora e atar ainda mais os nós de nossa amizade. Como já é tradição, até rola uma brincadeira de amigo-oculto, onde nesses trinta anos, nem é mais novidade, já que todos nós já “tiramos” uns aos outros por diversas vezes. 

Nesse grupo, fomos recebendo mais integrantes: da turma original somaram-se os maridos, esposas, filhos, namorados... e tenho certeza de que, ainda por muitos anos, ainda nos divertiremos com a troca de presentes, mesmo que, velhinhos, presenteemo-nos com o deboche na entrega de caixas de Dorflex e medicamentos para a falta de memória.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Playlist do Sil: Esquenta Feriado!




Sorria, meu leitor! E vamos balançar o corpitcho!

Hoje é feriado e amanhã ainda é SEXTA! Ou seja, seu final de semana chegou antecipado. Estou reclamando? Talvez, já que eu estarei de plantão... Mas para você, que assim como boa parte dos meus amigos, estará de bobeira, se liga nessa playlist pra te deixar naquele jeito! 

É feriado, esquenta, só vem!

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O Fruto Amargo da Expectativa




Quando eu era pequeno, uma das frases do meu pai que mais me marcaram foi quando ele disse que era mais fácil um relacionamento durar pela admiração do que pelo amor. Para ele, perder o amor não significava o fim, mas, sim, quando não existia mais motivos para admirar aquela pessoa de alguma forma. Nisso ele se referia a toda e qualquer relação humana: marital, amizade e até de pai e filho. Talvez por isso eu sempre tentei fazer de tudo para ser para ele motivo de orgulho.

Lembro-me de ter discordado dele. Era um absurdo, pra mim, ele colocar o amor abaixo da admiração. Depois de muitos anos eu vim a compreender que somente o sentimento afetivo não basta realmente... Existem muitas outras variáveis em qualquer relação, que passam por respeito, confiança, companheirismo e admiração também.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Ser Aceito ou Rejeitado? Qual o Preço Você Está Disposto a Pagar?





“Escrever sobre comportamento, sem parecer tendencioso ou presunçoso em fazer com que as pessoas pensem como você, é algo bastante desafiador”. Essa era uma das frases que figuravam em meu primeiro texto escrito aqui no Barba Feita (Sobre Estreias e Protagonismos – 01/05/2018).

Na verdade, a coluna de hoje pode ser considerada uma resposta ou um complemento à que escrevi na semana passada (Abaixo à Chatice dos Politicamente Corretos! – 22/05/2018), quando muitos concordaram e tantos outros discordaram. Que bom! “Às vezes, levantar discussões com suas ideias é muito mais produtivo do que simplesmente submetê-las à aceitação do outro”, também dizia o texto.

Penso então que o diferente (personalidade, aparência, ideias) causaria o estranhamento? Nem sempre, pois quando você se propõe a ser diferente do comportamento ou ideias de um determinado grupo, mais se aproxima e se torna igual a outro. Todavia, assim você se encaixa por opção e não por imposição.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Separem os Lenços: Dez Filmes Para Chorar





Assistir a um bom filme (e o conceito de bom é extremamente elástico e relativo) é um prazer de muitas pessoas mundo afora. E, exatamente para atender pessoas tão diferentes, existem os mais variados gêneros cinematográficos, que agradam a gregos e troianos. Ação, suspense, comédia, terror. É fácil achar entre as opções em exibição, algum filme que agrade a você e o motive a sair de casa e curtir um cineminha.

Entretanto, existe um tipo de filme que sempre atrai multidões aos cinemas, mesmo com todo mundo sabendo o que vai encontrar na sala escura: os filmes para chorar. Desastres naturais, doenças terminais ou algum capricho do destino fazem dos personagens pessoas frágeis e que podem sofrer a qualquer momento e é você, espectador, quem desidrata de chorar enquanto assiste ao filme.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

A Solidão Sem Alarmes ou Surpresas




O Brasil é uma nação onde a grande maioria das pessoas não sabe diferenciar rede social e mídia social, pois acreditam ser a mesma coisa. Se acrescentarmos nessa história os elementos histórico-acadêmico-sociais referentes às redes propriamente ditas, aí as coisas se embaralham de vez, pois todo mundo sempre vinculou “rede social” com “internet”. E mesmo com toda essa miscelânea, ainda assim o país é um dos poucos onde as redes sociais online sempre tiveram estrondosos êxitos, desde seus primórdios.

As redes sociais existem desde que os nossos antepassados neanderthais se reuniam em volta da fogueira e realizavam suas pinturas rupestres nas escuras paredes das cavernas. Ali surgiram as primeiras redes, cujo conceito era exatamente manter indivíduos conectados uns aos outros por meio de grupos ou comunidades. 

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Playlist do Sil: É Quase Sexta!




Não é que esteja animadíssimo para o final de semana, mas é neste sábado que acontece minha mudança de endereço. Então, para deixar o clima bem festivo, separei algumas músicas que ando escutando no repeat.

E vocês já sabem, é só dar o play e curtir a playlist do dia! Vamos nessa?

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Mais Realistas Que o Rei





O casamento real entre o príncipe Harry e a agora duquesa Meghan Markle foi assunto em grande parte da imprensa brasileira e mundial nos últimos dias. No fim de semana foi, sem dúvida, o que mais centralizou as atenções da audiência. Sabe-se que a Monarquia Britânica é muito mais um atrativo turístico e sensacionalista do que algo essencial ao Estado. Eu não acompanhei nada, apenas vi os memes e vídeos posteriores. Mas quando a Família Real se une para casar um herdeiro e uma (então) plebeia, temos a oportunidade de revelar mais sobre nós mesmos do que sobre a Realeza. 

Houve quem reproduzisse a atmosfera do casamento em uma festa no Leblon, reduto da high society carioca e palco das novelas de Manoel Carlos, com direito a projeção dos vitrais da capela da cerimônia e bolo com 15 dimensões feito por cerca de R$ 13 mil. Tudo para se sentir parte da festa, como um verdadeiro convidado da Família Real mais tradicional do globo terrestre. Alheios à crise que leva os mendigos até as suas esquinas, ou, talvez, buscando um refúgio dela para se mostrar superior à realidade brasileira. 

terça-feira, 22 de maio de 2018

Abaixo à Chatice dos Politicamente Corretos! Somos Todos Iguais nas Nossas Diferenças





O casamento do Príncipe Harry com a atriz Meghan Markle e a Bahia branca da novela das nove, me trouxeram o tema de hoje, que acho já ter sido abordado aqui em algum momento, com outra roupagem. Confesso não ter ido olhar o histórico pregresso daqui do Barba para não me influenciar (nem me cercear, caso houvesse alguma divergência entre meu texto e o do colega).

Na semana passada, quando estreou a nova novela do horário nobre, uma enxurrada de críticas adentrou as redes sociais para falar da “Bahia branca demais” de O Segundo Sol. Chaaaato. Neste fim de semana, outra avalanche de comentaristas infestou a internet para falar sobre o coral de negros do casamento real britânico e a mãe da noiva com penteado de tranças tipicamente afro, classificando o evento com jargões do tipo “quebras de protocolo”. Sono.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Relativismo Moral





Começo esse texto deixando bem claro: eu não sou nenhum exemplo de moralidade. Tenho meus princípios e valores e vivo bem com eles; entretanto, sei que cometo meus pecadilhos por aí. E também vivo bem com isso. Poderia melhorar em alguns aspectos da minha vida cotidiana? Certamente. E estamos nessa existência buscando isso e acertando as arestas diariamente. 

Dito o acima, preciso falar sobre algo que me irrita profundamente: relativismo moral. E, em tempos de polarização (principalmente política) essa questão fica ainda mais evidente em nossas relações interpessoais. Todo mundo prega a moralidade à todo custo, sem se dar conta que, sejamos sinceros, vive fazendo merda a torto e a direito por aí.

A gente adora apontar o erro dos outros, não é mesmo? E, apesar do clichê, se esquece dos outros quatro dedos apontados para si enquanto enumera o erro alheio. Fica-se tão cego pelo erro do amiguinho que se esquece que o inferno não acolhe ninguém apenas pelo tamanho do pecado. Sinto dizer e acabar com o seu sonho celestial, mas o Diabo, se existir, abraça todo mundo. E a festa lá há de ser open bar.