quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Hora da Mudança




Ontem estava em um treinamento corporativo com um cliente e uma parceira de trabalho e ouvi dela em um determinado momento: “sabe aquela história da cobra que larga a pele antiga pelo caminho? Tem que ser assim”. Lembrei logo de um daqueles dizeres motivacionais que circulam por Facebooks e Whatsapps da vida:
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já não têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia... E se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos."
Ok, a cobra pode ser um bicho asqueroso e o textinho pode ser piegas, mas a lição que ficou foi a da renovação. Despir-se de coisas antigas para poder experimentar coisas novas. De tempos em tempos, precisamos fazer isso.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Valorize os Novos




Eu adoro conhecer novos artistas. Aquela sensação de ouvir ou ler algo fora do que estou acostumada e ter contato com formas diversas de fazer arte é algo que há muito tempo faz parte da minha vida. É quase um ritual: descobrir, ir atrás para conhecer mais do trabalho da pessoa, indicar para alguém. 

E assim vamos girando a roda sem depender da grande mídia. A internet, nesse ponto, ajuda muito a quem sabe garimpar atrás de coisa nova. É claro que nem tudo será do agrado de todos, mas o exercício de busca é gostoso e faz parte do processo. 

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Me Chame Pelo Seu Nome ou O Dia em Que Eu Transbordei no Sala de Cinema





Apesar de não parecer, eu sou uma manteiga derretida para algumas coisas. Levo a vida de maneira prática, não sou dado a muitos dramas e, segundo alguns, posso até mesmo ser considerado um pouco frio. Entretanto, sou do tipo que, eventualmente, chora lendo livro, chora assistindo filme e, algumas vezes, chora mais ainda vendo um filme baseado em um livro que já havia me feito chorar. Acho que sou levado pelas boas histórias e, se algo me toca, me permito sentir e me emocionar.

O motivo dessa introdução? Porque foi de cara inchada, olhos vermelhos e rosto banhado em lágrimas que saí da sessão de Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Nome, no original) na semana passada. Apesar de curioso pelo filme, uma quase unanimidade de público e crítica, eu não esperava ser surpreendido e tocado da maneira que fui por aquela história. E ela ainda reverbera em mim e em meus pensamentos. 

sábado, 27 de janeiro de 2018

Aquele Medo Bobo





Ah, o amor... Você sabe o que é o amor? Já sentiu aquele friozinho na barriga quando vê aquela pessoa? Aquele sorriso roubado com a maior facilidade do mundo? Não? Bom, então chega aqui, vamos conversar um pouco. 

Ultimamente tenho visto um movimento que, na minha opinião, é muito triste: o famoso desinteresse interessado, onde uma pessoa se faz de desinteressada para que a outra tenha interesse nela, criando assim, uma grande roda dos joguinhos. Todavia, apesar de nem todos gostarem dos joguinhos, mas sabendo que isso já virou praticamente um senso comum, ficam com medo de expor seus verdadeiros sentimentos e vontades, levando-nos ao tópico de hoje, o MEDO BOBO.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Qual o Tempo de Uma Vida?




Já tinha abordado esse tema algumas vezes aqui mesmo no Barba Feita e isso é algo que realmente me incomoda: a finitude.  É óbvio que todos nós vamos partir um dia, mas falar sobre isso é muito chato, pelo menos para mim.  Fiquei novamente pensando nisso quando a vocalista do The Cranberries foi encontrada morta em um hotel em Londres, no último dia 15, aos 46 anos.  Três dias antes, o guitarrista da banda irlandesa tinha conversado com ela por telefone e ela parecia bem, inclusive planejando uma nova turnê para 2018 e a gravação de um novo álbum.

Óbvio que a morte não manda recado.  Se soubéssemos que ela viria em um determinado horário, todos nós morreríamos antes, de ansiedade.  Por isso ela sempre nos surpreende naqueles momentos mais impróprios, sem tempo para despedidas.  Mesmo que já estejamos com as malas prontas, moribundos em uma cama de hospital, na hora final sempre vai existir aquele gostinho de quero mais.  Sempre queremos extrair tudo o que a vida pode nos oferecer; afinal, faz parte de nós, seres humanos, querer ter mais do que realmente precisamos ter. 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Toda Humildade Será Premiada...





Outro dia li que uma determinada pessoa não merecia o sucesso que tem porque ela não é humilde. Sempre tive uma questão com essa palavra: humildade. Nos últimos anos ela é usada pra tudo. Alegar que alguém merece vencer um reality show, ser eleita em uma disputa política ou torcer para que determinado artista vença algum prêmio que está indicado, afinal, ele é muito querido pela humildade que tem...

O talento, para mim, vinha em primeiro lugar. Se é para existir um vencedor que seja o mais talentoso e competente na música, escrita, interpretação e por aí vai. Mas ser bom no que se propõe ser como profissão não é mais o fator determinante para que você tenha sua gloria máxima. A humildade é. 

Veja bem, não estou desmerecendo quem é humilde ou nutre um carinho por essa qualidade, longe de mim. Meu questionamento é sobre esse elemento e a necessidade dele ser fundamental para validar o mérito no sucesso de uma pessoa. 

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Só Crimezinho de Leve




Qual o limite entre censura e proibição de um crime, como a apologia, por exemplo? Na semana passada, tivemos aqui nesse espaço um pouco da minha opinião sobre a música Que Tiro Foi Esse?, de Jojo Todynho (o que suscitou um amplo debate no Facebook, para minha felicidade) e, logo depois, vimos outra canção entrar na berlinda: Só Surubinha de Leve, de Mc Diguinho. Saí em defesa de Jojo e, agora, aponto que, sim, Mc Diguinho traz um crime em suas falas cantadas. Mas qual a principal diferença entre os dois casos?

Diversas pessoas (principalmente mulheres) denunciaram que se tratava de uma exaltação ao estupro, quando a letra dizia, entre muitos termos chulos: “taca bebida, depois taca pica e abandona na rua”. Mc Diguinho saiu em sua própria defesa, dizendo que caso se tratasse de uma apologia a estupro, então ele era estuprador, pois essa era a realidade que estava acostumado a viver. Primeira diferença para Jojo Todynho se encontra aí: ela em nenhum momento saiu em defesa do suposto crime que poderia incitar, mas, sim, se afastou dele, dizendo que viveu a violência de perto e jamais exaltaria isso.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

A Sujeira Ocupa Espaço




Dia desses, enquanto fazia faxina aqui em casa, eu tive uma epifania. 

(Aliás, momentos de limpeza são ótimos para extravasar nossa energia acumulada. Recomendo.)

Foi o seguinte: separei o material que usaria para lavar o banheiro, tirei os objetos de dentro do banheiro e coloquei no corredor. Olhando daquela forma, fora dos lugares, eu pensei que tinha muita coisa e precisava dar um jeito de deixar só o essencial, sob o risco de sempre parecer bagunçado. 

Depois de muito esfrega-esfrega, água etc, terminei de limpar. E, enquanto colocava as coisas de volta aos seus lugares, percebi que parecia sobrar espaço. O que antes da limpeza dava a impressão de estar amontoado e confuso, agora cabia perfeitamente ali. Cheguei à conclusão de que, quanto mais sujo o ambiente, menos espaço sobra nele. É uma questão de física. Lembra aquela coisa que aprendemos na escola de que dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Tá Todo Mundo Muito Chato





Na era do mimimi, ninguém se salva da chatice generalizada que assola o nosso cotidiano, tudo isso maximizado pelo aparente poder de voz concedido a todos pelas redes sociais. Todo mundo tem opinião PRA TUDO, sobre QUALQUER COISA. Viramos especialistas generalistas, o que me faz conjecturar: não sabemos é de nada.

Se a Anitta lança uma música nova, todo mundo tem uma opinião polêmica sobre ela (aliás, já ouviram Machika? O que acharam?). Com o sucesso inquestionável de Pabllo Vittar, sobram questionamentos sobre as qualidades vocais da drag e acusações de homofobia velada para cima de seus detratores. Por causa da febre causada pelo hit de Jojô Todynho Que Tiro Foi Esse? as redes sociais foram tomadas por vídeos divertidos tendo a música como tema, enquanto uns e outros entram em uma discussão besta sobre a apologia à violência causada pelo funk e outros reclamam da voz da cantora e da qualidade da música (muitos desses reclamões são, inclusive, pessoas que defendem Pabllo Vittar com ardor nas redes; é sério, eu estou vendo). Moral da história: um bando de gente chata.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

O Outro Lado da História




Eu não acompanho mais novelas desde 2012, ano em que Avenida Brasil, do João Emanuel Carneiro, terminou.  Lembro que saía às pressas do trabalho para chegar em casa a tempo para acompanhar a frenética perseguição entre as personagens de Carminha (Adriana Esteves) e Nina / Rita (Débora Falabella), que fez um sucesso tão estrondoso que acabou se tornando a novela mais rentável da história, tendo seus direitos de exibição licenciados para mais de 130 países.

Depois disso, acompanho esporadicamente os capítulos de algumas novelas.  Cheguei até a assistir bastante coisa de A Força do Querer, de Glória Perez, que tinha um enredo bem interessante, um elenco caprichado e diálogos que prendiam a atenção do telespectador.   A trama que abordava o universo da transexualidade, vivida pela personagem Ivana, da então estreante Carol Duarte, foi tratado por um prisma muito rico, recheado de conflitos muito reais e uma singeleza poucas vezes vista na tevê brasileira. 

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A Realidade e os Famosos nas Redes Sociais





James Franco foi acusado por assédio sexual. Enquanto muitos diziam que já suspeitavam ou esperavam por tais denúncias, me senti meio que pego de surpresa. Franco, até onde meus conhecimentos gerais sobre celebridades permitiam supor, era um cara "de boas" e diferente dos demais. Dos outros agressores sexuais. Isso era o que pensava. 

Na verdade, foi conversando sobre essa denúncia que minha ficha caiu. Nós não conhecemos de fato nenhuma celebridade. O que lemos, vemos e compartilhamos sobre elas é que formam o que pensamos que elas são como pessoa, na intimidade. Louco isso, não? A imagem que tinha de Franco não era errada, só não era a verdadeira, a real oficial. O que tinha era um mosaico construído pelos seus representantes e por ele mesmo, ao longo dos anos, através de entrevistas e vídeos compartilhados pelas redes sociais. 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Que Tiro Foi Esse?





Há poucos dias, um amigo de Minas Gerais me mandou uma mensagem:

- Paulo, você já ouviu “Que tiro foi esse?”. Jojo Toddynho é a nova musa do momento!

Eu ainda não tinha escutado a música e até agora não sei sua letra toda, embora não haja muita complexidade, pelo pouco que conheço. Mas fato é que a música gruda na cabeça (já vi amigos cantarem o refrão no trabalho e família fazer o mesmo em casa) e já tem até uma onda na internet produzindo vídeos brincando com a letra.

Do outro lado (sempre existe um outro lado...) há pessoas criticando a mensagem e a cantora por fazer certa apologia à violência. Quem é carioca e, principalmente, circula nos meios LGBT, sabe que a expressão “que tiro” é uma nova gíria, assim como já surgiram outras no passado, tal como “bolado”, “arrasou”, “lacrou” e, mais recentemente, “pisa menos”. A própria Jojo veio a público dizer que, por ter vivido em comunidades carentes e ter visto a verdadeira violência de perto, nunca exaltaria em sua música; pelo contrário, ela queria dar mais visibilidade à comunidade gay.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Um País a Ser Descoberto Além da Internet e da Televisão





Eu sigo alguns perfis de fotografia e viagem no Instagram. E, observando o que é postado lá, várias vezes me deparo com lugares aqui no Brasil dos quais eu nunca ouvi falar na minha vida. O Brasil é grande, claro, mas por que só se fala sempre dos mesmos destinos?

Justamente por nosso país ser grande, há tantos lugares incríveis escondidos por aí, que nem nos damos conta. Se formos procurar alguma indicação na internet para viajar, nove em cada dez sites falarão das mesmas cidades, das mesmas praias, e por aí vai.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Os Últimos Dias da Noite, de Graham Moore









As romantizações de histórias reais são um filão bastante explorado pelo entretenimento. Até mesmo as novelas vem pegando carona nessa ideia, vide o sucesso da bem sucedida Novo Mundo, exibida pela Globo no ano passado. Na literatura, isso já acontece há bastante tempo, com resultados diversos. E, em Os Últimos Dias da Noite (The Last Days of Night, no original), o autor Graham Moore acerta na pegada, criando uma trama deliciosa de ser acompanhada, daquelas que rouba nossa atenção desde suas primeiras páginas.

Lançado no Brasil pela Companhia das Letras, em Os Últimos Dias da Noite o autor Graham Moore nos leva para o final dos anos 1800, quando o mundo estava sendo sacudido por mudanças e invenções. Os grandes inventores estavam com a mente em ebulição e a humanidade experimentava um salto extraordinário, daqueles que poucas vezes foram dados na existência do homem no planeta. O telefone era uma novidade, assim como a energia elétrica que, desculpem-me pelo trocadilho, é o fio condutor dessa trama.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

"Tentei Chorar e Não Consegui..."




Essa semana, o texto do Leandro bombou. Nele, era relatado o bizarro fato de um doido de pedra que, após uma investida frustrada no chefe do Barba Feita através de um aplicativo virtual, não conseguiu lidar com a rejeição e passou a ameaçá-lo, acusando-o de “gordofóbico”. (Link para o texto "Leandro Faria, Colunista do Barba Feita, é Gordofóbico!", aqui).

Assim como o Leandro pensou, tive que concordar que a humanidade está enlouquecendo a passos largos. Esse assunto, inclusive, já até foi tema de um de meus textos, no ano passado. E, assustadoramente, noto que muitas coisas estão fugindo do controle, pois é notório que as pessoas estão muito mais paranóicas. Tudo é motivo para acharem que há uma grande teoria da conspiração por trás de qualquer assunto. E será que não há mesmo?

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Danuza Leão, a Avó Maluca





Ter um espaço para escrever o que pensamos é perigoso. Primeiro para quem se habilita a refletir sobre a vida e, a partir disso, disponibilizar suas reflexões de maneira pública. Deixar que os outros revistem seus pensamentos, reflexões e opiniões é corajoso. Também um pouco egocêntrico, se assim posso adjetivar. Jogar ao mundo o que se pensa, dos assuntos triviais aos mais delicados, existe um certo... exibicionismo envolvido. Tem mais relação de dizer ao outro o que se pensa do que debater certo assunto.

O que acontece após a leitura de um texto crônica é uma crítica automática - positiva ou negativa, não importa. É uma crítica - e, com ela, a opinião reversa. Se você acha A, muito provavelmente fulano acredita em B e quer, não só contra-atacar o que foi escrito por você defendendo sua visão de A, mas também promover B, que é o que ele possui e entende como verdade. Imaginar que nem A e nem B estão corretos e que uma versão C possa existir não passa por sua cabeça. 

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Um Ano e o Desafio Continua





Na última terça-feira, foi aniversário de um ano do meu sobrinho e afilhado Samuel. Um ano atrás eu escrevia um texto para o Barba Feita, falando dos desafios que seria criar um menino no nosso mundo atual. Como fazer para que ele não se torne exatamente aquilo que os pais, eu (como tio e padrinho) e outros responsáveis evitamos e repudiamos tanto: misógino, sexista, machista, preconceituoso, homofóbico...

Um ano se passou e nada melhorou. Claro, mudanças não são rápidas. Mas, infelizmente, o mundo parece ter mudado para pior. Determinados valores se mostram completamente perdidos... Lembro-me que houve uma época em que se destacava a palavra “empatia”, ensinando às pessoas que existia um termo para essa atitude tão nobre que é se colocar no lugar do outro; porém, parece que tudo não passou de uma campanha com data de validade. Empatia é o que cada vez menos vemos; vemos julgamentos, incompreensões e perseguições a opiniões divergentes.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

(Não) Resoluções





Eu não costumo fazer resoluções de Ano Novo. Não há nenhum motivo especial para isso, mas essa prática nunca foi um hábito para mim. Normalmente, uso esse período de fim de ano para pensar no que deu certo e no que não deu. É claro que tenho objetivos na vida, sei alguns lugares aos quais quero chegar, porém, não limito esses objetivos a um ano específico. São coisas mais para a vida mesmo.

Não vejo problemas em quem faz suas listas sobre o que quer alcançar no ano vindouro. O que sempre me incomodou é quando se fica preso a esses tópicos, não deixando espaço para o improviso. É não ter um olhar atento a ponto de ver beleza no impensável. Não dá para agirmos como se fôssemos aqueles animais que usam antolhos para só conseguirem olhar para frente. Há magia nos lados.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

"Leandro Faria, Colunista do Barba Feita, é Gordofóbico!"





Eu tenho perfil em vários aplicativos de pegação relacionamento. Em alguns, tenho minha foto de rosto, em outros não, depende da proposta do app; mas todos contam com uma descrição concisa e bem precisa de como sou e do que busco naquela terra virtual. Sou prático na vida, por que não seria nos apps, não é?

E uma coisa que aprendi durante todo esse tempo usando apps é que ser gentil não custa nada. Eu procuro responder a todo mundo que me aborda, inclusive para dizer se não estou interessado. Acho o vácuo de uma não resposta muito pior do que um "desculpe, não estou interessado". Eu aprecio esse tipo de honestidade e, por isso, tento exercê-la também. O grande problema é que muita gente não sabe lidar com rejeição, inclusive a virtual. 

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Os Espelhos Negros





Fiquei pensando como eu começaria a minha primeira coluna do ano de 2018... O que falar, ainda mais depois dos meninos terem feito tantos textos bacanas sobre as perspectivas para os próximos 365 dias... Bateu aquela falta de inspiração que volta e meia volta a assombrar qualquer um que precise escrever uma coluna semanal.

A salvação veio depois de uma conversa informal no trabalho quando notaram que eu troquei o meu aparelho de celular. O meu antigo era um iPhonezinho 4S que eu amava. Sim... Eu tenho uma certa dificuldade em me desapegar dos meus celulares... Detesto ter que instalar programas, por mais fáceis que sejam. Tenho pavor de perder os contatos, mesmo sabendo que pode ser realizado uma paridade, que há nuvem para guardar tudo... Enfim, sou um zero à esquerda no que tange às novas tecnologias. 

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Minha(s) Meta(s) Para 2018




É estranho ver o quanto o final de um ano (literalmente, o último dia dele), mexe com as pessoas. Elas precisam falar sobre toda a intensidade do ano que ainda é vigente por algumas horas, analisar o que foi bom ou não foi tanto assim. Mas as pessoas precisam falar, colocar pra fora. Tudo até meio catártico. É então que neste fatídico 31 de dezembro todos dizem aos quatro ventos - leia-se, nas redes sociais - tudo o que desejam e no que querem mudar... já no dia seguinte! Não é assim que funciona?

Então todos listam seus desejos, fazem metas. Ah, essas metas que a gente vai elaborando como se o primeiro de janeiro do ano seguinte tivesse superpoderes e nos desse todo ânimo necessário para realizar tudo o que desejamos - apesar da lista conter só itens inatingíveis. Sei lá, é como se a gente elaborasse uma lista impossível de ser concluída e que nisso está, secretamente, toda graça e propósito dela. É como se ali, em item por item pensando por nós, estivesse guardado aquele pequeno sabotamento que vai alimentando e corroendo nossa falta de vontade de todo dia. Então, quando acabamos por não realizar o que queríamos, ficamos conformados de que não estávamos destinados a tê-lo. Resumindo: uma triste constatação humana. 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O Que Faz de Um Ano Bom?




Começar um novo ano é como ter uma mala novinha pronta para enchermos de bagagem. Poucas coisas me enchem tanto de esperança quanto um ano que começa ou uma viagem que se aproxima. Como diz aquele poema do Drummond:

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. 
Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. 
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. 
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez 
com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente”.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Fim da Linha





É isso aí (um vendedor de floooores ensina os seus filhoooos a escolher seus amooooooreeees ♫), gente, é o fim da linha pra mim no Barba Feita. Quem acompanha os meus textos sabe que no começo do ano eu dou uma sumida mesmo, pra reorganizar os pensamentos e tal, mas dessa vez é diferente. Esse é o meu último texto pro blog.

Eu detesto, odeio, fazer as coisas de qualquer jeito. E meus textos estavam saindo de qualquer jeito, comecei a me repetir, comecei a não agregar para o Barba como eu deveria, fui perdendo o interesse, a motivação, a famigerada vontade de pensar num texto pra próxima Terça-Feira (o que eu acho que ficou bem claro no texto sobre as minhas músicas de 2017), e não gosto disso, sabem? Não quero jogar palavras a esmo, não quero fazer de má vontade, me indispor, fazer por fazer. Não quero usar a coluna como Muro das Lamentações, me irritar por não ter mais ideias pra textos, essa coisa toda. Não é assim que deve ser, então é por isso que eu tô de saída. O Barba é um espaço muito bacana e deve ser usado para propagar ideias bacanas, pensamentos relevantes, e não mais uma frustração do meu cotidiano, ou como eu sou isso ou aquilo, ou aquilo-outro.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Dois.Mil.e.Dezoito





Oi, menino, tudo bem? Fez a Ludmilla e chegou chegando bagunçando a zorra toda, heim? Que festão! Ainda estou aqui, me recuperando do seu nascimento que, preciso confessar, foi muito esperado por mim. Digamos que seu antecessor não foi lá muito legal com a minha pessoa e, por isso, desculpe-me, mas você já chega com um caminhão de expectativas sobre seus ombros. 

Mas não precisa ficar muito preocupado. Apesar dos desejos diversos, só espero uma coisa realmente de você, caro jovenzinho: que seja leve, por favor. Chega de peso nos ombros, de rasteiras da vida, de problemas insolucionáveis. Chega de ranço, por favor. 

Acho que o seu maior desafio será esse: lidar com as expectativas de tanta gente, de um mundo inteiro, né? Desse planeta que te recebeu em festa, com fogos e honrarias, mas que anda muito estranho. Seus antecessores ficarão marcados na história como anos de retrocesso. Não que a culpa fosse deles, é claro, porque nunca é. A culpa é dessa raça maldita que habita o mundo e que usa vocês para marcar o tempo.