quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A Realidade e os Famosos nas Redes Sociais





James Franco foi acusado por assédio sexual. Enquanto muitos diziam que já suspeitavam ou esperavam por tais denúncias, me senti meio que pego de surpresa. Franco, até onde meus conhecimentos gerais sobre celebridades permitiam supor, era um cara "de boas" e diferente dos demais. Dos outros agressores sexuais. Isso era o que pensava. 

Na verdade, foi conversando sobre essa denúncia que minha ficha caiu. Nós não conhecemos de fato nenhuma celebridade. O que lemos, vemos e compartilhamos sobre elas é que formam o que pensamos que elas são como pessoa, na intimidade. Louco isso, não? A imagem que tinha de Franco não era errada, só não era a verdadeira, a real oficial. O que tinha era um mosaico construído pelos seus representantes e por ele mesmo, ao longo dos anos, através de entrevistas e vídeos compartilhados pelas redes sociais. 

Quantas vezes a gente não pega fragmentos do que são jogados na rede e monta todo o quebra-cabeça. Quantas vezes a gente não completa a história já achando que sabe o final... Twitter, Instagram, Snapchat e InstaStories criaram isso. Essa falsa sensação de que agora conhecemos os famosos de verdade. Sabemos o que fazem quando a imprensa não está por perto e quem eles são sem a perfeição de Photoshop e outros truques... Mas na real, nós não sabemos. 

Assim como o Twitter aproximou as pessoas das opiniões "sem assessoria" de cantores, atores e atrizes lá em 2009, hoje, quase dez anos depois, o mesmo não acontece de forma tão inocente (como se já naquela época tivesse sido). Qualquer publicação, por mais inofensiva que seja, é pensada e calculada para que tenha determinada leitura do público alvo. Sim, isso é muito Black Mirror

Ao longo dos anos, James Franco teve sua sexualidade questionada inúmeras vezes. Por tantas outras fez questão de apimentar as discussões e deu respostas com duplo sentido. Assim, ele se tornou um ator gay friendly. Participou de inúmeros filmes com temática LGBT e meio que apoiava a causa em entrevistas concedidas por aí. Ele até continua apoiando, acredito, afinal ele ainda está vivo. Mas por conta de seu currículo cinematográfico alinhado com as entrevistas que li, entrei na ilusão de pensar que conhecia James Franco. Que James era um cara legal e que fazia parte do grupo dos homens diferentes, que não faziam o oposto do que pregavam... Aparentemente, eu estava enganado. 

Franco pode ser só mais um com ego inflado que não percebia a gravidade do que fazia. Assim como pode ser um grandessíssimo de um merda e que tem total clareza de cada uma de suas ações, só não esperava se tornar responsável por elas... Até o momento, o que existe de fato são suposições sobre o comportamento do ator e diretor. Se de fato é uma coisa ou outra, só o tempo será capaz de dizer.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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