segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Dois.Mil.e.Dezoito





Oi, menino, tudo bem? Fez a Ludmilla e chegou chegando bagunçando a zorra toda, heim? Que festão! Ainda estou aqui, me recuperando do seu nascimento que, preciso confessar, foi muito esperado por mim. Digamos que seu antecessor não foi lá muito legal com a minha pessoa e, por isso, desculpe-me, mas você já chega com um caminhão de expectativas sobre seus ombros. 

Mas não precisa ficar muito preocupado. Apesar dos desejos diversos, só espero uma coisa realmente de você, caro jovenzinho: que seja leve, por favor. Chega de peso nos ombros, de rasteiras da vida, de problemas insolucionáveis. Chega de ranço, por favor. 

Acho que o seu maior desafio será esse: lidar com as expectativas de tanta gente, de um mundo inteiro, né? Desse planeta que te recebeu em festa, com fogos e honrarias, mas que anda muito estranho. Seus antecessores ficarão marcados na história como anos de retrocesso. Não que a culpa fosse deles, é claro, porque nunca é. A culpa é dessa raça maldita que habita o mundo e que usa vocês para marcar o tempo.

Tudo que a humanidade levou séculos para evoluir parece estar indo pelo ralo nos últimos anos. Verdades básicas estão sendo questionadas (oi, Terra plana!), direitos estão sendo ameaçados, o conservadorismo toma conta das pessoas. A geração que tinha tudo pra dar certo e fazer história deu muito errado e estamos aqui, colhendo o fruto dessa cagada do universo sobre todos nós.

Se bem que não é pra isso que estou te escrevendo. A gente sabe dos desafios que te aguardam, mas temos de ter fé, né? E não uma fé em algo sobrenatural ou coisa do tipo, mas sim fé no sentido básico da palavra. Temos de acreditar - e fazer por onde! - que as coisas podem e vão melhorar.

Aqui nessa terra de gente sorridente e animada, que não desanima em frente a tantos problemas, você pode ser até visto como uma chance de consertarmos algumas coisas, principalmente no que diz respeito a quem escolhemos para nos governar. Você, caro jovenzinho que está apenas começando, vai marcar um período de transição, com eleições e a possibilidade de que algo realmente seja feito. Prevejo estresse, brigas e tretas por causa disso, mas faz parte. E, como eu disse acima, apesar dos pesares, acho que não seremos tão burros e usaremos as urnas para depositar esperança e não merda como voto. 

Ainda no campo da política, só espero sinceramente que os bolsominions continuem sendo o que são: idiotas, uma fonte de vergonha alheia com seu humor involuntário e apenas isso. Por favor, caro rapaz, não me desaponte nesse quesito.

No mais, espero de você apenas dias amenos, recheados de risadas e de bons momentos. Desejo música. Desejo festas. Desejo séries e filmes, livros e peças. Desejo dias de sol para alegrar a alma. E dias de chuva necessária e refrescante. Desejo leveza e contemplação.

E que se a gente chorar, porque a gente sempre chora, que consigamos nos reerguer, aprender, assimilar e evoluir. Porque se machucar faz parte e todos temos plena consciência disso e seria até injusto te pedir apenas o que é bom quando, tantas vezes, a gente quebra a cara por nossa única e exclusiva culpa.

Sem mais, é isso, mocinho.

Seja bem-vindo, 2018. A gente estava te esperando!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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