quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Hora da Mudança




Ontem estava em um treinamento corporativo com um cliente e uma parceira de trabalho e ouvi dela em um determinado momento: “sabe aquela história da cobra que larga a pele antiga pelo caminho? Tem que ser assim”. Lembrei logo de um daqueles dizeres motivacionais que circulam por Facebooks e Whatsapps da vida:
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já não têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia... E se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos."
Ok, a cobra pode ser um bicho asqueroso e o textinho pode ser piegas, mas a lição que ficou foi a da renovação. Despir-se de coisas antigas para poder experimentar coisas novas. De tempos em tempos, precisamos fazer isso.

Ontem também peguei as chaves da casa que será o meu novo lar nos próximos anos. Depois de oito anos e meio morando no Rio, estou indo para o terceiro imóvel. Admito que meses atrás sequer pensaria nessa hipótese, até porque sempre gostei muito do apartamento que moro atualmente. Mas chegou a hora de trocar a pele e deixá-la pelo caminho. De fazer a tal travessia.

Quantas vezes em nossas vidas não nos enxergamos tendo que tomar decisões que não aventávamos em pouco tempo, como essa do novo apartamento? Minha vida mudou enormemente nos últimos meses. Ganhei mais um companheiro de caminhada e, com isso, as roupas que antes me vestiam já não têm a forma que o corpo precisa. Quando eu poderia imaginar isso quando 2017 começou? Agora olho para esse início de 2018 e a minha vida antes disso tudo parece tão distante...

Minha terapeuta, que conheci recentemente e se tornou uma pessoa querida, sensitiva que só ela, me avisou: “as coisas serão muito rápidas para vocês agora. Não se assustem”. Admito que dá um friozinho na barriga sim. Mas somos programados para viver no conforto da nossa rotina, ter o menor esforço.

Mudanças não são fáceis (ainda mais uma de casa – já estou ficando de cabelo em pé só de lembrar de encaixotar e desencaixotar coisa). Porém, chega uma hora em que são necessárias. O desafio é mesmo da cobra: sentir a hora certa de fazê-la.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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