segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

"Leandro Faria, Colunista do Barba Feita, é Gordofóbico!"





Eu tenho perfil em vários aplicativos de pegação relacionamento. Em alguns, tenho minha foto de rosto, em outros não, depende da proposta do app; mas todos contam com uma descrição concisa e bem precisa de como sou e do que busco naquela terra virtual. Sou prático na vida, por que não seria nos apps, não é?

E uma coisa que aprendi durante todo esse tempo usando apps é que ser gentil não custa nada. Eu procuro responder a todo mundo que me aborda, inclusive para dizer se não estou interessado. Acho o vácuo de uma não resposta muito pior do que um "desculpe, não estou interessado". Eu aprecio esse tipo de honestidade e, por isso, tento exercê-la também. O grande problema é que muita gente não sabe lidar com rejeição, inclusive a virtual. 

Assim, foi uma situação bizarra que vivi dias atrás que fez a coluna de hoje nascer. E que me fez pensar em como o ser humano pode ser estranho e, cada dia mais, cheio de neuras e paranoias, muitas vezes tentando jogar no outro as suas próprias frustrações. O problema é que comigo esse tipo de coisa não cola e o máximo que acontece é eu achar graça e rir do comportamento absurdo de gente louca.

Tudo começou no Scruff. Eu estava na minha vidinha de boas quando, do nada, recebi uma notificação de que alguém havia me mandado uma mensagem lá. O Scruff não é o app que eu mais utilizo e, quase sempre, até esqueço que ele tá ali no meu celular. Só quando vejo uma notificação é que acabo me lembrando de dar uma olhadinha. Na aba de mensagens, a pessoa que me contatava brincava com a frase do meu perfil e imediatamente me enviava uma foto. Eu vi, fui dar uma olhada no perfil da pessoa e respondi que não estava interessado. Pra quê, né?

O rapaz ficou furioso. Como faço uma brincadeirinha no meu perfil (eu digo: "se gostou, pega! A vida é muito curta pra ser difícil!"), ele veio alegar que tinha gostado e agora teria de pegar. E eu só sinalizei que não é bem assim que a coisa funciona, no que ele não ficou muito feliz. Pra ser bem sincero, eu não curti nada da pessoa, absolutamente nada. Não gostei da foto, não gostei do perfil, não gostei da abordagem. E, convenhamos, não sou obrigado, né? Mas, com a insistência da pessoa, acabei ignorando e deixando pra lá. Ou melhor, tentando deixar.

Foi quando ele me chamou de gordofóbico. Como se eu tivesse qualquer obrigação de ficar com alguém apenas para ser politicamente correto. Veio com um discurso de que eu não tinha gostado apenas pelo tipo físico e mil mimimis e blablablas. E eu, escrotinho que sou, comecei a me divertir com a história. Afinal, se ele tivesse levado de boa o primeiro "não estou interessado" e ido viver a vida dele, teria lucrado muito mais, né?

Entro agora na questão da gordofobia que, confesso, não é um assunto que eu domine. Eu não sou gordo, nunca sofri preconceito por causa do meu peso. Logo, acho melhor não falar sobre algo que não me diz respeito. E tenho alguns amigos que escrevem lindamente sobre o tema em suas páginas no Facebook e venho tentando aprender sobre o assunto. E paro por aí. 

Entretanto, acho muito vitimismo a pessoa usar a cartada do "você está sendo gordofóbico" para tentar fazer com que alguém fique com ela. Pra mim não funciona MESMO. E, juro, eu ri da loucura alheia. O que me pareceu com o ataque foi que ele sim é que não está satisfeito com a própria situação e peso e faz disso uma arma contra os outros. 

Como meu perfil nos apps normalmente trazem o link para o Barba, ele foi além e começou a me ameaçar. Disse pra mim que havia dado um print na nossa conversa e que ia mostrar pro meu "chefe" que eu era gordofóbico e que eu ia perder meu emprego de colunista (ah, se você estiver lendo, o "chefe" sou eu, beijos!). Mandou uma mensagem dizendo: Leandro Faria, colunista do Barba Feita, é gordofóbico! e disse que ia adorar ver eu me ferrar por isso. 

Eu li as coisas que ele escreveu e tive uma crise de riso daquelas da barriga doer. Mas parei de responder, no que ele deve ter achado que foi uma reação de medo ou algo do tipo. Tanto é que, algumas horas depois, ele mandou uma nova mensagem dizendo que ia me dar uma chance e que se eu deixasse ele fazer sexo oral em mim que não contaria pra ninguém sobre a minha gordofobia. E nesse momento, além do nojo eu senti pena de alguém que deve ter uma existência muito da miserável. E bloqueei o perfil dele no app.

Já tive muitos problemas de aceitação do meu próprio corpo. Já fui muito magro, já me achei feio e, depois dos 30, a minha barriguinha de cerveja tem me irritado um pouco. Mas aprendi que é isso mesmo, eu sou assim, tenho esse corpo, sou desse jeito. Eu faço exercícios físicos regularmente para tentar contrabalancear os meus hábitos alimentares (porque sim, eu como muito e me recuso a fazer dieta) e deixar o meu corpo mais aceitável PARA MIM. Eu cago e ando para opinião das pessoas e, sinceramente, se alguém não quiser ficar comigo porque eu sou feio, magro, gordo, careca ou barbudo, vida que segue, né? Não sou eu quem vou perder, porque eu sou incrível. #ModestiaModeOn

Ao fim daquela conversa surreal no Scruff, eu cheguei à conclusão que as pessoas são estranhas. Demais. Eu sei que não fui gordofóbico mas, se tivesse sido, bastava ele me bloquear ou deixar de falar. É o que eu faço quando encontro alguém babaca pelo caminho. Mas não, a pessoa quis polemizar, se vitimizar e, o mais absurdo de tudo, me chantagear. 

As pessoas estão doentes, essa é a grande verdade. E tá faltando bom senso e um pouco do que fazer na vida de uns e outros por aí. Só acho.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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