terça-feira, 9 de janeiro de 2018

(Não) Resoluções





Eu não costumo fazer resoluções de Ano Novo. Não há nenhum motivo especial para isso, mas essa prática nunca foi um hábito para mim. Normalmente, uso esse período de fim de ano para pensar no que deu certo e no que não deu. É claro que tenho objetivos na vida, sei alguns lugares aos quais quero chegar, porém, não limito esses objetivos a um ano específico. São coisas mais para a vida mesmo.

Não vejo problemas em quem faz suas listas sobre o que quer alcançar no ano vindouro. O que sempre me incomodou é quando se fica preso a esses tópicos, não deixando espaço para o improviso. É não ter um olhar atento a ponto de ver beleza no impensável. Não dá para agirmos como se fôssemos aqueles animais que usam antolhos para só conseguirem olhar para frente. Há magia nos lados.

Já pararam para perceber como estamos perdendo a capacidade de observar? Nossos dias são tão atarefados e com tantas metas a cumprir em tempos cada vez menores, que parece desperdício parar um pouco e respirar. Por mais difícil que seja, esse exercício é necessário, até mesmo para perceber com mais sutileza como anda nossa vida e nossos sentimentos. Vamos combinar, no turbilhão da rotina ninguém consegue ver com clareza.

O que quero dizer com isso é que não é porque o ano não saiu como o planejado que, necessariamente, ele foi ruim. É claro que não sei o que se passa na vida de cada um, mas quando paro para analisar as voltas que minha vida deu nos últimos anos, aconteceram tantas coisas inimagináveis que não vejo outra maneira de reagir do que agradecer e me sentir feliz. 

Isso significa que meus dias foram como aquelas comédias românticas em que cada atrapalhada tem um charme, como se tivesse sido planejada? De jeito nenhum. Mas lidar com a frustração faz parte do aprendizado desde que somos crianças. Com o tempo, era para ficar mais fácil, mas sei que nem sempre é assim que acontece. Muitos adultos continuam agindo como crianças cada vez que algo não sai como o planejado. Por isso, o exercício é diário e constante.

E se mesmo depois de refletir, você achar que seu ano não foi realmente bom, tudo bem. Acontece. Mas eu, otimista nata que sou, levaria as experiências como aprendizado, seja para crescimento pessoal, seja para não cometer antigos erros. 

Nesse início de ano, deixo, então, o convite para nos surpreendermos. E que se tiver que pensar em resoluções, que elas não limitem nossa caminhada. Enxerguemos o futuro não com temor, mas com admiração pelo que ele pode vir a ser. E que nunca nos falte imaginação para reinventá-lo.

Leandro Faria  
Carol Vidal é carioca e mora em Salvador há três anos. Jornalista, descobriu sua grande paixão pela Literatura, essa tão encantadora arte de contar histórias. Adora séries de TV, filmes, livros, HQs, música e chocolate, tendo como atual meta de vida tomar vergonha na cara e sentar para escrever todas as histórias que estão na sua cabeça.
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