quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O Que Faz de Um Ano Bom?




Começar um novo ano é como ter uma mala novinha pronta para enchermos de bagagem. Poucas coisas me enchem tanto de esperança quanto um ano que começa ou uma viagem que se aproxima. Como diz aquele poema do Drummond:

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. 
Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. 
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. 
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez 
com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente”.

Sim, doze meses nos fazem às vezes quase pirar. Chegar à raspa do tacho da esperança e da nossa capacidade. E aí vem a virada do ano e nos dá aquele respiro do tipo: você pode fazer desse período algo diferente. Vestir coisas novas; e não falo apenas de roupas, mas de sentimentos e valores também. Permitir-se a novas relações e novas configurações. 

O que faz de um ano bom? Lembro-me que assim que 2016 chegou, comentei: poxa, um ano com estreia de Almodóvar e Tarantino não pode ser ruim! Duas semanas depois estava operando de emergência de uma apendicite. Já 2014 foi um ano em que praticamente TUDO na minha vida deu certo; até a tal crise dos 30 não deu as caras e vivi muitos momentos felizes e solares naquele já distante ano. 

2018 será um ano de eleições. Não temos nenhuma ideia ou palpite do que será do nosso país após esse período. Podemos mergulhar ainda mais em tempos obscuros ou enxergar finalmente alguma mudança, ainda que não imediata.

2018 também será um ano de Copa do Mundo e, como já falei por aqui, sou um apaixonado por esse torneio. Sei muito das histórias das Copas, acompanho quase todas desde 1994 mais de perto e, em 2014, inclusive assisti a alguns jogos no Maracanã – o que inclui a final.

2018 é o ano em que espero, finalmente, tirar o meu aparelho ortodôntico (só quem tem, sabe como é um saco...) e também concluir o meu terceiro livro, desta vez um romance. São coisas distintas e até prosaicas, mas são encerramentos de ciclos, importantes para caminharmos pra frente.

Que tenhamos em 2018 não só outro número, mas outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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