segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Tá Todo Mundo Muito Chato





Na era do mimimi, ninguém se salva da chatice generalizada que assola o nosso cotidiano, tudo isso maximizado pelo aparente poder de voz concedido a todos pelas redes sociais. Todo mundo tem opinião PRA TUDO, sobre QUALQUER COISA. Viramos especialistas generalistas, o que me faz conjecturar: não sabemos é de nada.

Se a Anitta lança uma música nova, todo mundo tem uma opinião polêmica sobre ela (aliás, já ouviram Machika? O que acharam?). Com o sucesso inquestionável de Pabllo Vittar, sobram questionamentos sobre as qualidades vocais da drag e acusações de homofobia velada para cima de seus detratores. Por causa da febre causada pelo hit de Jojô Todynho Que Tiro Foi Esse? as redes sociais foram tomadas por vídeos divertidos tendo a música como tema, enquanto uns e outros entram em uma discussão besta sobre a apologia à violência causada pelo funk e outros reclamam da voz da cantora e da qualidade da música (muitos desses reclamões são, inclusive, pessoas que defendem Pabllo Vittar com ardor nas redes; é sério, eu estou vendo). Moral da história: um bando de gente chata.

Enquanto isso, no grupo do Facebook do meu bairro e região aqui no Rio (Catete, Largo do Machado e Flamengo), eu me divirto com a loucura generalizada em cada postagem, onde qualquer assunto vira polêmica, com direito a agressões gratuitas, insultos, tiro, porrada e bomba. As pessoas perdem horas de suas vidas apenas criando treta (ok, consigo entender) e discutindo banalidades, desde o fechamento de um dos supermercados do bairro até a falta de vacina contra febre amarela no posto da região.

Fora que estamos em ano eleitoral e qualquer assunto político vira debate-duelo de vida ou morte. Não basta ter uma posição (ou não tê-la), é preciso se provar superior, mais inteligente e político que o coleguinha. Coxinhas versus Mortadelas. Esquerdopatas versus Direitistas. Bem versus Mal. Lula versus Moro. Bolsonaro versus ops, quer dizer, contra Bolsonaro não há rivalidade, porque todo mundo sabe: somente um idiota vota e defende Bolsonaro, isso é de conhecimento geral e de domínio público e seguimos o baile.

Gente, vocês têm noção de quão chatos são vocês escrevendo textão de política no Facebook com uma opinião que só interessa a você e a mais ninguém? Pois é, se não sabia, eu digo: chatos pra caralho. E o detalhe é que isso só vai piorar com o passar dos meses até chegarmos em outubro e à data efetiva do pleito eleitoral. Que Zeus tenha pena de nós.

Por falar em Zeus, taí outra chatice generalizada: discussão de teor religioso. Crente é uma das coisas mais insuportáveis do mundo, mas os ateus estão tentando se equiparar no quesito. Na briga entre verdade religiosa e não crença absoluta, só vejo o número de besteiras sendo ditas aumentar e a nossa paciência se esgotar. Religião (ou a falta dela) deveria ser assunto de foro íntimo, mas, no tribunal da internet, ganha contornos de batalha filosófica que de filosofia não tem nada; é de chorar.

Isso sem falar nos discursos dos vegetarianos/veganos e/ou adeptos da vida saudável, que pregam mais do que crente chato, sem se dar conta de que quem come carne tá cagando e andando para o seu estilo superior de vida. Dica: isso só interessa a você e ninguém mais está interessado no seu delicioso ensopado de soja ou no seu cookie integral.

E até mesmo assuntos sensíveis (e necessários), são cobertos por um véu de chatice intransponível devido aos debates desnecessariamente acalorados. Racismo, homofobia, gordofobia. Tantos temas importantes que, muitas vezes por culpa de extremismo de seus defensores e detratores, resvalam em brigas de sétima série, recheadas de mimimi e perda de tempo para todos os lados. E o que era para ser uma discussão saudável acaba virando apenas perda irreversível de massa cinzenta.

É como eu disse no princípio e no título dessa coluna: tá TODO mundo muito chato...

...Inclusive eu. 

Pois não vou fazer mea culpa e muito menos me poupar de qualquer tipo de julgamento: tem coisa mais chata do que escrever sobre a chatice alheia? 

Pois é, eu sei, eu sei... Mas, sejamos sinceros: who cares? Haters gonna hate...

Ou, em bom português, é como disse um amigo meu: mimizeiros mimimizirão.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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7 comentários:

Shumy disse...

Fato!!! Perde-se muito tempo tentando provar para o outro que "a sua" verdade é a correta! Mimimi é muito diferente de ter opinião formada.

Erick Amâncio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Erick Amâncio disse...

Concordo com o fato que tudo está muito chato. Mas também lembremos do fato de não sabermos discutir nada sem levantar a mão. Acho que em algum momento perdemos essa habilidade!

Quando mais novo criava polêmica entre grupos de Orkut simplesmente para testar as pessoas, até o momento que na faculdade alguém veio simplesmente tirar satisfação e eu percebi que minha brincadeira poderia se tornar algo sério... (e as brincadeiras eram "a amazônia deveria virar um estacionamento", ou falava algo polêmico mas sem denegrir alguém, claro).

Acho, a princípio, que existem muitas pessoas que, que gostam "ver o mar pegar fogo para comer peixe frito" e testar o limite das pessoas em justificar o que não é necessário... E nas minhas discussões antigas eram muito ridículas e eu tinha mais argumento para o absurdo que as pessoas que protegiam uma ideia fácil, ou seja, a turma não sabe discutir faz tempo já haha.

Acho que assuntos como você mesmo falou como: gordofobia, racismo, feminicídio, abuso de mulheres, discussão sobre a situação atual do país, etc. podem ser discutidos de maneira a agregar valor, de forma que conheçamos que tipo de pessoas estamos lidando, claro, pessoas que protegem o absurdo devem ser ignoradas (como eu deveria ser ignorado pelas pessoas sérias, porém deveria ser levado a sério caso minha opinião absurda fosse algo protegido por pessoas comuns).

Eu aprendi muito a discutir nas aulas de filosofia, história e sociologia (inclusive, nessas matérias eramos instruídos a proteger ideias com argumentos).

Será que o problema do excesso do chamado "mimimi" está localizado na educação básica? Será que crescemos sem saber expressar nossa opinão?

Obs.: Se por caso ninguém entendeu o que eu disse foi pq eu não prestei atenção nas aulas, pois oportunidade eu tive haha.

Tiorobin disse...

Tava bacana o texto, até a parte do: "porque todo mundo sabe: somente um idiota vota.." não voto no cidadão também, mas o juízo de valor e desvalorização de quem por acaso vota, tira o poder de argumentação, uma vez que o autor faz o que crítica no início do texto.

Victor Vilar disse...

Concordo com o Tiorobin. Essa chatice de ser contra ou a favor do Bolsonaro ja encheu o saco. Foi totalmente contraditório.

Leandro Faria disse...

Bolsominion detected! 🤷🏻‍♂️

Leandro Faria disse...

Cara, é o que eu disse: contra Bolsonaro e bolsominion não há discussão nem iteligência. Fato apenas.