sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

"Tentei Chorar e Não Consegui..."




Essa semana, o texto do Leandro bombou. Nele, era relatado o bizarro fato de um doido de pedra que, após uma investida frustrada no chefe do Barba Feita através de um aplicativo virtual, não conseguiu lidar com a rejeição e passou a ameaçá-lo, acusando-o de “gordofóbico”. (Link para o texto "Leandro Faria, Colunista do Barba Feita, é Gordofóbico!", aqui).

Assim como o Leandro pensou, tive que concordar que a humanidade está enlouquecendo a passos largos. Esse assunto, inclusive, já até foi tema de um de meus textos, no ano passado. E, assustadoramente, noto que muitas coisas estão fugindo do controle, pois é notório que as pessoas estão muito mais paranóicas. Tudo é motivo para acharem que há uma grande teoria da conspiração por trás de qualquer assunto. E será que não há mesmo?

Também vimos nessa semana o terrível caso do site criado por trolls extremistas com um perfil deepweb expondo maliciosamente professores e estudantes negros e homossexuais da faculdade Unicarioca, em um show de horrores onde havia deboche contra a polícia e à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática, ode à política ditatorial com promoção da tortura, certeza de impunidade, injúria, racismo e incitação à crimes bárbaros e hediondos. Uma coisa assombrosa que, devido à indignação das pessoas, fez a página viralizar e encher os bolsos dos donos, já que o acesso ao site são usados na mineração de bitcoins...

Isso tudo faz com que mergulhemos naquela onda “isso é tão Black Mirror!” intrínseca na nossa triste realidade repleta de carência, ódio, intolerância e perversidade dilatada principalmente através das redes sociais, onde os indivíduos cometem atrocidades cada vez mais frequentes, com a exposição, compartilhamento sem consentimento, difamação e ridicularização de outros indivíduos. 

A condição humana, tão bem representada pelo genial Nelson Rodrigues em O Beijo no Asfalto, onde a vida de um jovem se transforma num inferno por causa de um sensacionalismo editorial, se juntou a uma nova sociedade do espetáculo tão bem explicada por Guy Debord. Uma sociedade binária de zeros e uns, mas que “monstrualizada” por nós mesmos, já respira sozinha.

Outro dia, minha psicóloga explicou que a sociedade está psicotizada. O psicanalista francês Jacques Lacan usava o exemplo da necessidade que todos nós temos em “perfurar” a realidade; algo que o indivíduo psicótico não consegue ultrapassar a barreira dessa concretude e, espelhada em uma visão egoísta, premia a ela mesma, tornando a sociedade cada vez mais debilitada.

Renato Russo já dizia, lá em 1986, que “o que aconteceu ainda está por vir e o futuro não é mais como era antigamente”. Falamos demais por não termos nada a dizer. E, realmente, com os espelhos que nos deram, vimos um mundo totalmente devastado e tomado por uma grande metástase. E foi aí que tentamos chorar e não conseguimos mais.

Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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