quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Toda Humildade Será Premiada...





Outro dia li que uma determinada pessoa não merecia o sucesso que tem porque ela não é humilde. Sempre tive uma questão com essa palavra: humildade. Nos últimos anos ela é usada pra tudo. Alegar que alguém merece vencer um reality show, ser eleita em uma disputa política ou torcer para que determinado artista vença algum prêmio que está indicado, afinal, ele é muito querido pela humildade que tem...

O talento, para mim, vinha em primeiro lugar. Se é para existir um vencedor que seja o mais talentoso e competente na música, escrita, interpretação e por aí vai. Mas ser bom no que se propõe ser como profissão não é mais o fator determinante para que você tenha sua gloria máxima. A humildade é. 

Veja bem, não estou desmerecendo quem é humilde ou nutre um carinho por essa qualidade, longe de mim. Meu questionamento é sobre esse elemento e a necessidade dele ser fundamental para validar o mérito no sucesso de uma pessoa. 

No meu texto anterior já havia argumentado que nós, pessoas comuns que pegam ônibus, metrô e ganhamos menos do que gostaríamos de ganhar, não conhecemos quem os famosos são de verdade. O que temos acesso é o que eles querem que a gente saiba. O oposto disso são os sites de celebridade, que noticiam o que os famosos querem e também o que não querem. Afinal, o preço de toda fama será cobrada... por Léo Dias e Fabíola Reipert. 

Então, se não conhecemos uma pessoa no seu cotidiano como é possível julgar e condenar sua falta de humildade? Como posso declarar, só através do que vejo, que alguém não é legal, não é humilde e não é trocentas outras mil coisas negativas e positivas também? Uma pessoa dizer: obrigado; não foi nada; tudo bem; acontece, não significa que seja humildade. Ela pode ter sido muito bem educada e estar te avacalhando mentalmente... Quem nunca,  não é mesmo?

Nesse papo todo, o que me irrita é quando o talento de alguém acaba não recebendo o peso que merece porque determinada pessoa é vista como alguém pedante ou metido por saber o real tamanho do seu talento. Já vi isso acontecer e me deixou chocado. Sou do tipo de cara que gosta de trabalhar com profissionais fantásticos, mesmo que na convivência fora trabalho não suporte aquelas pessoas. Mas no que eles se propõem a fazer, eles são os melhores.

No dicionário humildade é descrita desta maneira:

Virtude caracterizada pela consciência das próprias limitações; modéstia, simplicidade. 
Sentimento de fraqueza, de inferioridade com relação a (alguém ou algo).
Reverência ou respeito para com superiores; acatamento, deferência, submissão.
Falta de luxo, de brilho; simplicidade, sobriedade.
Condicão do que é desfavorecido economicamente; pobreza, penúria.

Para mim, fica muito claro que algumas pessoas possuem uma admiração pelo coitadinho, pela vítima, pelo que diz que não merecia estar onde está e que tudo foi um golpe de sorte... Esse tipo de comportamento, para mim, equivale a cuspir no talento de uma pessoa. De alguém que se dedica a ser bom em algo, mas que não pode assumir isso em voz alta, porque não é visto com bons olhos. 

Somos uma sociedade que julga o tempo todo e odiamos quando não vemos uma postura que não temos em alguém. Então, muitos já saem pré-julgando a pessoa por conta da forma com que ela acredita nela mesma. Louco, eu sei, mas esse é um retrato da nossa sociedade atual. E isso me faz ter muito medo. Muito medo mesmo. 

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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