quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Um Ano e o Desafio Continua





Na última terça-feira, foi aniversário de um ano do meu sobrinho e afilhado Samuel. Um ano atrás eu escrevia um texto para o Barba Feita, falando dos desafios que seria criar um menino no nosso mundo atual. Como fazer para que ele não se torne exatamente aquilo que os pais, eu (como tio e padrinho) e outros responsáveis evitamos e repudiamos tanto: misógino, sexista, machista, preconceituoso, homofóbico...

Um ano se passou e nada melhorou. Claro, mudanças não são rápidas. Mas, infelizmente, o mundo parece ter mudado para pior. Determinados valores se mostram completamente perdidos... Lembro-me que houve uma época em que se destacava a palavra “empatia”, ensinando às pessoas que existia um termo para essa atitude tão nobre que é se colocar no lugar do outro; porém, parece que tudo não passou de uma campanha com data de validade. Empatia é o que cada vez menos vemos; vemos julgamentos, incompreensões e perseguições a opiniões divergentes.

E isso, lamentavelmente, acabou alçando à condição de líderes pessoas que pregam valores tão ou mais baixos quanto. Poucos dias após o nascimento de Samuel, o machista e etnocêntrico Donald Trump assumiu a presidência da principal potência mundial e ditou uma nova liderança focada em seu umbigo. Agora, duela com um líder norte-coreano igualmente despreparado, podendo ambos colocar o planeta em guerra novamente, desta vez numa disputa efetivamente nuclear. Há um candidato à presidência do Brasil que prega a intolerância e violações de direitos humanos, que nunca se mostrou preparado sequer para síndico de prédio, mas que lidera as intenções de voto no Rio de Janeiro para o Palácio do Planalto.

O Rio, por sinal, vive alguns dos seus piores momentos, com crise econômica, política e de segurança pública. Talvez nunca antes na História deste Estado tenhamos vivido com tanto medo de circular pelas ruas. A sensação de estarmos proibidos de fazer determinadas coisas que fazíamos com o mínimo de paz anteriormente é imensa. E ler notícias de perdas de pessoas e famílias dilaceradas diariamente não é das melhores tarefas. Uma pena os fluminenses acreditarem que a solução possa estar em um agressor aproveitador.

Nosso pequeno Samuel veio num momento bem complicado para o mundo. Mas olho para trás e vejo que, quando nasci, o Brasil ainda vivia uma ditadura militar (ainda que em seu fim, porém, ditadura) e o planeta vivia os últimos suspiros da Guerra Fria. Podemos vivenciar tempos mais duros e pesados agora, mas perspectiva sempre foi e é algo que morre e renasce. Torço e batalho, com todas as minhas esperanças, para que Samuel e Manuela (sua irmã, prestes a completar quatro anos) vivam as melhores perspectivas possíveis.

Que sua vida seja leve e coberta de felicidades, meu pequeno.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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