sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

God Save the Queen





Sempre ouvi dizer que brasileiro tem “complexo de vira-lata”, expressão inventada pelo escritor Nelson Rodrigues, com origem devido ao trauma sofrido quando a Seleção Brasileira foi derrotada pelos Uruguaios na final da Copa do Mundo de 1950 em pleno Maracanã.

Para mim, o tal complexo sempre esteve muito mais relacionado à conjuntura de inferioridade cultural e social, como se fôssemos sempre os pobre-coitadinhos subdesenvolvidos.

Na minha adolescência eu realmente achava isso. Tudo que vinha de fora era sempre melhor. Tinha um amigo que sempre viajava e trazia discos e CD’s que levavam quatro, cinco anos para serem lançados aqui. As roupas eram melhores, a tecnologia era melhor. Com o passar do tempo, e com o desenvolvimento do país, ser brasileiro era sinônimo de alegria e criatividade. O Brasil se tornou rota de shows importantes e chefes de estado passaram a nos observar com outros olhos.

Coincidentemente, esta coluna de hoje está sendo escrita diretamente de Londres, pois cheguei aqui há 5 dias para uns dias de descanso (e muito frio) . Para minha tristeza, pude perceber que, sim... voltamos a viver a síndrome do complexo de vira-latas. 

Conversei com muita gente aqui. E o que posso garantir é que praticamente o Brasil desapareceu do mapa. Muitos brasileiros, que mantém a vida aqui mas continuam com parentes na América, tem as mesmas notícias que vemos todos os dias: o Brasil se tornou sinônimo de violência e corrupção. Além disso, toda a tecnologia implementada no Rio de Janeiro para a Copa do Mundo, por um exemplo, já estava sendo utilizada anos-luz em Londres. As pessoas sempre tinham um certo olhar de piedade, do tipo “puxa... eu amo vocês brasileiros... mas a que ponto vocês chegaram”...

Eu ia fazer um diário de bordo, mas vou deixar para começar nas próximas semanas, pois aqui parece que tudo anda mais rápido. Estou três horas à frente, mas parece que estou em outro planeta. 

Londres, com suas centenas de linhas de metrô, interligadas com trens, portos e aeroportos, construções que estão de pé desde muito antes da “descoberta” pelos portugueses, é uma cidade multifacetada. 

A impressão que tenho é de que os brasileiros pararam no tempo (o que não deixa de ser uma verdade) e que tudo poderia ser diferente se tivéssemos somente uma coisa primordial: educação.

Na coluna da semana que vem eu vou explicar melhor o que estou querendo dizer com alguns exemplos que vi por aqui. E tenham a certeza de que se tivéssemos somente EDUCAÇÃO seríamos novamente um país onde poderíamos bater no peito e dizer: “tenho orgulho de ser brasileiro”. Mas no momento, estamos é somente com o “rabinho” entre as pernas.

Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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