quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Ranço Quando Se Instala...





Quando era pequeno vivia ouvindo uma expressão bem particular que, por muito tempo, acabei usando em minha vida. O uso desse termo geralmente acontecia após conhecer alguém e não ir com a cara da pessoa. Antigamente, a gente dizia que "o santo não tinha batido". Hoje, é o ranço que se instala. Porque, uma vez que você sente ranço de alguém, isso não sairá nunca mais! Pode parecer bobo ou até bem juvenil usar essa palavra especifica, mas acredito que nunca, em momento algum da história deste país, existiu um termo tão apropriado quanto esse. 

A diferença do ranço para o santo de uma pessoa não bater com o de outra é bem simples. O santo acaba sendo algo que você sente, que determinado ser "emana" para você e o universo. E a gente sente quando acaba não equalizando na mesma frequência que a outra pessoa. É algo subliminar. Que não precisa ser dito, mas sentido. 

Já o ranço é algo mais palpável e pode vir com o tempo, bem aos pouquinhos... Até que um belo dia ele se instala e pronto. Você percebe que sente ranço por alguém que até outro dia, adorava. E esse sentimento, meus queridos, é um caminho totalmente sem volta. Uma vez que se instala, não é possível deixar de lado e fingir que nada aconteceu.  

Em tempos de redes sociais servirem como uma fan fic da vida perfeita que cada um gostaria de ter, o sentimento de indiferença somado ao do cansaço em lidar com o outro, cria uma nova geração de embustes, que despertam toda nossa raiva - por percebermos que vivemos em uma bolha protetora de ideologias e crenças.

Não que dentro de nossas próprias bolhas não existam aquelas pessoas que nos façam sentir "cansados" de respirar o mesmo ar e exaustos por convivermos. Mas esse é só mais um dos vários estágios do ranço... De uma imensa lista sem fim... Até agora!

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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