segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Reflexões Sobre a Vida (de Solteiro) e Aleatoriedades Quaisquer




Pouco mais de um ano de solteiro. Não, não é bem isso. Vou tentar de novo. 
Um ano de solteiro. No Rio de Janeiro. Entendeu? Sentiu a pressão? Corpos sarados, sorrisos talhados, só flerte, só affair... Fechou os olhos, embarcou na onda, transportou-se pra minha vida carioca? Pois é, seja bem vindo.
Mas, o que significa exatamente ser solteiro em 2018 no Rio de Janeiro? 
O trecho acima foi escrito por mim no domingo passado, meio bêbado, no bloco de notas do meu celular, durante uma festinha de pré-carnaval na capital carioca. Eu tava curtindo a música, olhando as pessoas à minha volta e pensando na minha própria solteirice. Bateu uma bad e o que eu fiz? Ensaiei escrever, é claro.

Depois de muito tempo em um relacionamento (e o meu último durou seis anos e meio), a vida de solteiro pode ser um tanto quanto convidativa. O sexo é fácil, as festas intermináveis, os amigos parecem ter fôlego para mil programas. Mas, eventualmente, é óbvio que bate uma carência. Somos humanos, não é mesmo? E pensar numa companhia para ir ao cinema, assistir àquela série da Netflix jogado no sofá ou comer algo especial é mais que natural.

Entretanto, eu tenho sido bastante analítico em minha vida pós-separação. Tenho uma tabela mental de prós e contras para quase tudo nessa vida e isso não é diferente quando penso em um possível relacionamento futuro. E, apesar de tudo (leia-se, carência eventual), ser solteiro ainda ganha nessa conta.

É claro que nesse meio tempo eu tive paixonites. Foram bem poucas e apenas uma realmente conseguiu me tirar do eixo (mas eu sobrevivi). Mas, o que observo no comportamento das pessoas em geral é um certo medo de se permitir. E, quando digo "se permitir" não estou falando de entrar em um namoro ou relacionamento; nada disso. Estou falando em ser leve, em viver o momento sem cobranças (principalmente a si mesmo) e deixar a coisa fluir. Pra que projetar futuro e sofrer por antecipação? 

Eu conheci algumas pessoas maravilhosas nos últimos tempos. E, não vou negar, já até projetei um futuro na minha mente algumas vezes ao pensar em determinado alguém em determinado momento. Mas, por um descompasso de planos e objetivos de vida, é fácil descartar qualquer desejo de aprofundar uma relação. Apesar do que dizem, é fácil encontrar uma pessoa certa para você. O problema é que, na maioria das vezes, você pode não ser a pessoa certa para a pessoa que você julga ser a certa para você. Ironias da vida, não é mesmo?

Ando bastante pensativo e, na maioria das vezes, descrente em relações duradouras. Elas são ótimas, mas envolvem um trabalho que acho que não me predisponho a encarar. Relacionar-se é construir um alicerce e, a partir daí, tocar a vida e os planos em conjunto. E isso envolve tempo, boa vontade e, acima de tudo, pré-disposição.

Dessa forma, volto à pergunta que finalizava as minhas anotações bêbadas num bloco pré-carnavalesco de uma tarde de domingo de pouco mais de uma semana atrás: o que significa exatamente ser solteiro em 2018 no Rio de Janeiro? 

Sinceramente, acho que ainda estou aprendendo. No meu dia a dia, com as minhas experiências, inclusive com a minha carência ocasional. Estar junto com alguém é muito legal. Mas conhecer-se e respeitar a si mesmo é ainda mais importante.

Fora que, você sabe, eu já consigo ouvir a música e o chamado da multidão. Já é carnaval e eu vou vestir a minha fantasia, beijar na boca e deixar as reflexões para outro momento. Viva o reinado de Momo.
"Eu vou atrás do trio elétrico, vou 
Dançar ao negro toque do agogô
Curtindo minha baianidade nagô, ô-ô-ô-ô 
Eu queria que essa fantasia fosse eterna 
Quem sabe um dia a paz vence a guerra 
E viver será só festejar..."
Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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