segunda-feira, 19 de março de 2018

A Melhor Escolha






Não se deixe enganar pela cara de Steve Carell no cartaz do filme ou pelo trailer engraçadinho. A Melhor Escolha, que chega aos cinemas brasileiros na próxima quinta, dia 22/03,  não é uma comédia típica, daquelas idiotas ou para que você gargalhe do início ao fim. E, digo mais, ainda bem que não. O filme, que pode estar sendo vendido dessa forma para atrair mais público, é na verdade uma dramédia, gênero que mistura o drama com algum (bom) humor, muito bem realizada e feliz em sua concepção e resultado final. Acho que por isso mesmo é uma trama que surpreende positivamente e que merece a sua atenção. 

Dirigido por Richard Linklater (de Boyhood), A Melhor Escolha (Last Flag Flying, no original) é baseado no livro homônimo do escritor Darryl Poniscan, e nada mais é do que um road movie que coloca três velhos conhecidos e aposentados da marinha americana, que não se viam há pelo menos trinta anos, em um novo encontro quando o filho de um desses, também membro da marinha e de apenas 20 anos de idade, é morto em uma missão em Bagdá no ano de 2003.

Larry Doc Shepherd (Steve Carell), Sal Nealon (Bryan Cranston) e Richard Mueller (Laurence Fishburne) vivem os três protagonistas, homens que viveram uma experiência durante a Guerra do Vietnã, mas que apesar dos pesares, sobreviveram à ela. Trinta anos depois, quando o filho de Doc é morto durante uma missão em Bagdá, ele recorre aos velhos conhecidos para ajudá-lo a enterrar o filho, ao mesmo tempo em que faz uma expiação dessa amizade que tomou caminhos distintos depois que ambos saíram da Marinha. 

Ao mesmo tempo em que o trio de protagonistas descobre o que efetivamente aconteceu com Larry Jr, filho de Doc, eles vão se reaproximando e forjando uma nova amizade improvável, principalmente pelo que aconteceu durante o tempo em que serviam juntos e que vamos descobrindo no decorrer do filme. A Melhor Escolha é assim um filme melancólico, mas que nos faz rir em alguns de seus momentos, muito mais por empatia do que através de piadas fáceis.

O trio de protagonistas deita e rola em seus papéis. Steve Carell, por exemplo, faz de Doc um homem instrospectivo, que sofreu uma injustiça no passado e muitos revezes da vida mas que, mesmo assim, mostra uma certa esperança no olhar triste. Laurence Fishburne, como o reverendo Richard, convence como o antigo porra louca que acabou entregando a vida à Deus depois de tudo que passou no Vietnã. Mas, é inegável que seja Bryan Cranston quem mais brilha como  Sal, o homem que nunca cresceu e que tem um humor natural e involuntário, mas que, apesar disso tudo, é o elo que mantém esse grupo improvável de amigos unidos.

Em mais um trabalho maduro, o diretor Richard Linklater emociona e faz rir em um filme que tem tudo para agradar os mais diferentes tipos de público. E, confesso, o final fez com que uma lágrima solitária escorresse pelo meu rosto. E eu adoro quando um filme me faz sentir como A Melhor Escolha fez. 

Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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