sexta-feira, 2 de março de 2018

Convergências




Semana passada eu falei um pouco aqui na coluna do tal complexo de vira-latas que está voltando assombrar os brasileiros. Pra quem tem me acompanhado pelas redes sociais, nas duas últimas semanas estive fazendo uma espécie de Eurotrip por Londres e Paris e vi que no fundo, no fundo, a gente precisa mesmo é mudar nossos hábitos comportamentais para tentar resgatar essa auto-estima perdida.

O Rio de Janeiro, por exemplo, é um local totalmente inserido no contexto de “cidade-capital”, conceito criado por um historiador italiano chamado Giulio Argan para sinalizar metrópoles que passem a representar o que o local tem de mais inspirador.

Mesmo com todo cenário-catástrofe que vivenciamos todos os dias, o RJ tem muita coisa boa. Basta querermos potencializar isso. 

Cidades como Nova Iorque, Berlim, Roma e Paris são alguns exemplos de cidades que utilizam esse conceito muito bem.

A primeira sensação que tive quando saí do imenso terminal Charles de Gaulle, em Paris, era que eu estava entrando na Avenida Brasil. E durante os dias em que estive na Cidade-Luz, descobri muitas intersecções entre as cidades. Montmartre é a nossa Lapa: ali, nas ruelas e ladeiras, artistas se misturam aos turistas, como se estivéssemos na nossa feira do Lavradio. Aos pés da Sacre-Coeur, há uma espécie de Rua da Alfândega, onde se vende de tudo. Continuando o passeio por Montmartre, temos os cabarés em Pigalle, onde está situado o emblemático é boêmio Moulin Rouge e dezenas de sex-shops. Pigalle é nossa Praça do Lido, sexo fácil e drogas oferecidas sem qualquer cerimônia.

Eles tem a Torre Eiffel. Temos o Cristo Redentor. Eles tem a H&M, nós temos a C&A. Eles tem a Champs Elyseés, nós temos a Visconde de Pirajá. Nós temos medo dos confrontos entre traficantes, eles tem medo de ataques terroristas. Eles tem as pâtisseries, nós temos a feijoada. Eles tem o can-can, nós temos o samba! Paris tem cocô de cachorro nas calçadas e ratos nas estações de metrô. Ah, mas eles tem o incomparável museu do Louvre... e que museu!!!! E apesar de não termos nada parecido, temos outras coisas maravilhosas também. Basta procurar que a gente encontra.

Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

JULIO CESAR BRITO disse...

Exatamente isso! Talvez se tivéssemos um pouco mais de investimento em educação (que não é interesse do poder público pra solidificar a falta de informação e a ignorância em prol da corrupção), arrisco-me a dizer que seriamos tão bons ou melhor que Paris (palavras de quem esteve lá)