quinta-feira, 22 de março de 2018

Estamos Presentes?





Fez uma semana que o ato terrorista contra Marielle e Anderson, seu motorista, aconteceu. Milhões de textos, opiniões, atitudes e verborragia foi jorrada internet afora. Passeatas aconteceram por todo país e mundo. Eles estão presentes e ainda no meio de nós. Espero que por muito tempo... 

Eu, particularmente, me senti vazio quando soube da notícia. Não fiquei surpreso como a grande maioria se sentiu pelo fato. O clima na cidade do Rio de Janeiro é de uma guerra urbana! "Queima" de arquivo, nem que seja para um mero "envio" de mensagem, não me deixa assombrado. Infelizmente, isso soa como algo inevitável nos dias que estamos vivendo por aqui. Existe uma guerra de poder, só não percebe isso quem não quer. 

Acho que na verdade eu me sinto derrotado e dando graças por continuar vivo por mais um dia. Por ter emprego por mais um dia e poder levar minha vidinha sem graça por mais um dia. Pela primeira vez me encontro apático ao encarar isso que podemos chamar de vida. Sair de casa para ir trabalhar é uma tortura. Chego a temer esse momento. Na rua, todos andam desconfiados e conferindo cada pessoa que se aproxima. Afinal, nunca se sabe quando alguém te abordará para "só" te assaltar e não acabar te matando. 

Não estou querendo colocar o assassinato de Marielle no mesmo balaio de tantos outros que acontecem diariamente. Esse foi planejado e executado de uma maneira que pontos não ficassem soltos para serem solucionados. Existe uma grande interrogação que acredito ser eterna neste caso. Foi uma morte política (de inúmeras maneiras) e isso não pode e nem será esquecido. Mas não vamos ser hipócritas, não é? Mortes acontecem todos os dias nesta cidade, isso é um fato. Sendo planejado ou não, pessoas estão perdendo suas vidas por conta de objetos. Celular, mochila, tênis, carteira. Qualquer uma dessas coisas pode ser a desculpa que tira a vida de alguém. 

Minha cidade está abandonada e não vejo ninguém querendo tomar conta e colocar ordem na bagunça. Vejo pessoas usando essa desculpa para falar em quantidade de dinheiro para começar a colocar tudo em ordem. Veja bem. Uma cidade turística que não pode receber turistas, não lucra. Se a cidade não consegue se sustentar com o que possui de mais atrativo, o que se faz? Se deixa consumir pelo seu próprio problema? Ou é possível tentar arrumar essa bagunça ao organizar um governo que governe? Não temos um prefeito. Não temos um governador. Não temos ninguém. A cidade está sozinha. Nós, cariocas, estamos sozinhos.

Só existem dois momentos que não conseguiremos dividir com ninguém. Um deles já foi: o nosso nascimento. Nascemos "sozinhos". Assim como morreremos sozinhos. A sensação que tenho é que todos estamos em "suspenso", só aguardando a hora que o tiro será dado. Ou a corda será puxada... Ou o coração irá parar... Estamos todos em contagem regressiva.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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