quinta-feira, 1 de março de 2018

Scandal e a Super Valorização de Olivia Pope





Sim, eu comecei! Depois de mais de dois anos tentando algumas vezes, passei do primeiro episódio de Scandal. Para vocês entenderem todo o meu "problema" com a série, vou começar do começo. A trama estreou em abril de 2012 no canal ABC americano, mesmo que exibe Grey's Anatomy. Neste fatídico ano, Shonda Rhimes decidiu eliminar da série médica minha personagem favorita: Lexie Grey.

Fiquei tão desolado por mais uma morte devastadora e também cruel, que decidi, de uma vez por todas, me livrar de toda e qualquer presença de Shonda em minha vida. Como ainda não havia iniciado a série nova, foi fácil. Mas no ano seguinte, 2013, dei o beneficio da dúvida e vi o primeiro episódio da tão amada e comentada série. Ali percebi todos os elemento que fizeram de Shonda Rhimes a autora que muitos são apaixonados. O grupo de amigos do trabalho, as relações perturbadoras dos personagens. Problemas com o pai. A mãe ausente. Tudo o que Shonda sabe construir tão bem. Só que não me prendeu. 

Veja só, achei e continuo achando o piloto de Scandal a coisa mais pretensiosa da vida. No lugar de um hospital, como é o caso de Grey's Anatomy, você se encontra um escritório que gerencia crises. No lugar de um grupo de internos, você tem um grupo de pessoas, alguns advogados no meio, mas não todos. Que gerenciam essas crises. Todos, nesse lugar, são guiados por Olivia Pope. E aqui enfrentei meu segundo "problema" com a série. 

Olivia é descrita como alguém que identifica o problema e o resolve, tudo em um piscar de olhos e levantar de sobrancelha. Mas a atriz não consegue me convencer disso. Na verdade, na maior parte do tempo acho que Pope está com medo e querendo se esconder no banheiro para chorar copiosamente. Senti isso em 2013, 2014 e 2018 em minha última chance ao piloto da série. Não adianta. Não fui eu que estava em um momento ruim para iniciar essa maratona. Acredito, por fim, que o problema esteve com a própria Kerry Washington na época em que gravou o episódio piloto. 

Vencida essa barreira inicial, eu me joguei nos sete primeiros episódios da primeira temporada. Continuei achando Kerry Washington fraca, mas decidi focar em outros personagens, por exemplo, David Rosen e Mellie Grant. O primeiro personagem, muito mais interessante, afinal, Rosen joga conforme a regra. Ele faz o que está na lei e não foge disso, o oposto apresentado por Pope. Mas o ator consegue fazer de seu mocinho muito mais do que um fantoche das vontades e decisões dos casos que Olivia e seus "amigos" acabam recebendo semana após semana. Tanto que David acaba por ser o personagem mais interessante no segundo ano da série. 

E temos Mellie Grant, mulher do presidente dos Estados Unidos. Ela pode ser tudo, menos uma mera decoração na série. Nos primeiros episódios do enredo, Mellie é tida como um simples acessório de Fritz, o todo poderoso da América. Iludida por um casamento que não existe mais, Mellie tem muitas camadas e mais cartas na manga do que é possível imaginar. A personagem não é a "tonta" que muitos imaginam. Até faz suas burradas, mas que se tornam o motor de alguns episódios da segunda temporada.

E não para por aí. Cyrus Beene, Sally Langston, Charlie, Huck, Abby... Tantos personagens interessantes e promissores no universo de Scandal, que resumir a série só em Olivia Pope acaba sendo bem pouco. 

O que posso concluir com o término das duas primeiras temporadas de Scandal? O enredo vale ser assistido, mas não imagine que é "tudo isso" que dizem por aí. É boa, diverte e vale bem mais pelos personagens secundários do que os protagonistas. Resta saber se até a sétima temporada mudarei ou não de opinião.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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