quarta-feira, 14 de março de 2018

Sobre Amor e Kriptonitas




Toda vez em que vejo o relacionamento de algum amigo querido acabar, sinto, admito, uma dorzinha como se eu fizesse parte daquele processo. Já falei um pouco sobre esse assunto aqui no Barba Feita três anos atrás, quando um casal que eu adorava e de quem fui padrinho de casamento terminou, no qual eu perguntava “O ‘pra sempre’ sempre acaba?”. Esta semana, mais uma vez me deparei com essa realidade: fui surpreendido com o texto de um amigo queridíssimo no Facebook e no Instagram (pelo que entendi, uma reprodução de outra autora) sobre o término com o seu companheiro (também meu amigo) no qual ele falava que a relação marital dos dois havia chegado ao fim, embora não o amor e o companheirismo. 

O texto vinha acompanhado de diversas fotos, onde o afeto e o carinho entre os dois eram visíveis. Eu mesmo testemunhei de perto a relação cúmplice deles. Para mim, foi um choque – chegou a vir aquele nó na garganta que antecede um choro. Mas achei muito digno da parte dele de ir celebrar o sentimento tão bonito que, juntos, semearam por tanto tempo. 

Dizia um dos trechos reproduzidos por ele: “A gente cresceu vendo os casais ficarem juntos no final das novelas, mas a gente nunca viu a continuidade dessas histórias. A gente só acompanhou até onde ‘deu certo’. E ó, terminar não é dar errado. Dar errado é continuar numa relação porque você casou e acha que não pode mais se separar. Dar errado é estar infeliz. Terminar e continuar amando é dar certo demais”

E é verdade. Um relacionamento que foi feliz durante tanto tempo, que contou com respeito, que amadureceu os envolvidos e que foi pautado pelo amor nunca pode ser considerado um insucesso. Independentemente de não existir mais aquela relação conjugal, é possível ir por um outro caminho de amor, num novo ciclo, ao menos que seja para preservar a história daquela relação que teve razão de existir no momento certo. 

Quando a gente está há tanto tempo em uma relação estável, nos sentimos um pouco como Super-Homem: inabalável, inatingível, sem qualquer inimigo externo capaz de nos derrubar. E aí vem um momento como esse, entre dois amigos... e nos lembramos que o caminho está cheio de kriptonitas. É claro porque sinto uma dorzinha como se eu fizesse parte daquele processo: poderia ser eu passando por aquilo de fato. Poderíamos ser nós. Qualquer um de nós. 

Mas não há muito o que fazer para desviar dessas kriptonitas além de amar e trabalhar para que dê certo, ainda que em outras esferas.

Afinal, até o Super-Homem fraquejou por amor.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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