segunda-feira, 30 de abril de 2018

...tempo...





Minha família sofreu um baque triste na semana que passou. Uma tia querida que enfrentava um câncer, irmã da minha mãe, faleceu na última quinta-feira. Sei que é o ciclo da vida, que uma hora todos nós vamos acabar morrendo, mas é inevitável lamentar a morte de um ente querido e, nessas horas de luto, pensar em nossa finitude. Ser confrontado com ela da pior forma, ao ter de se despedir de alguém, é um exercício dolorido, mas humano.

E a tristeza de perder minha tia, mais algumas conversas que tive recentemente com amigos próximos, me deixou pensativo sobre a vida, a morte, a finitude e, principalmente, sobre o tempo. Ele que, implacável, vai apenas seguindo seu curso enquanto nós tentamos levar a nossa existência nessa dança chamada vida.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

No Futuro, Todos Terão Seus 15 Segundos de Fama...





Eu me amarro em ver stories no Instagram. Principalmente de figuras públicas. De certa forma, é engraçado presenciar essa aproximação. Hoje, você sabe quando eles estão na academia (figuras públicas adoram mostrar stories com seus personal trainers), a que horas ele está acordando (figuras públicas adoram mostrar que acordam sem olheiras e sem bafo), ou se estão se divertindo em um fim de semana (figuras públicas estão sempre cheios de amigos, comendo e gargalhando pra caralhooooo). A rede conseguiu trazer essas pessoas, antes inatingíveis, para o mesmo grupinho de seus amigos. Qualquer um pode seguir a Bruna Marquezine, o Neymar, a Ivete Sangalo, a Madonna...   

Por falar em Madonna, outro dia eu senti o drama dela, que apareceu no stories com a cara toda abatida, sem maquiagem e com o cabelo todo desgrenhado, putésima da vida tentando consertar um vazamento em sua banheira. Ela mostrava a água esguichando e atrevia-se a ser uma torneira mecânica (sem sucesso). Pensei comigo mesmo: se a vida tá assim tão mal para a Madonna logo cedo, imagina para a minha...

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Cinco Hinos do Axé Music Que Não Podemos Esquecer





Música pop é o vício do momento. Só que no Brasil os ritmos são muitos e ricos, e nós ouvimos de um tudo. Essa semana foi exibida a primeira chamada da próxima novela das 21h da Globo, Segundo Sol, do autor João Emanuel Carneiro, do sucesso Avenida Brasil. E, como não poderia deixar de ser, a chamada veio em em ritmo de axé music, mas na voz de Alcione, já que o protagonista da história é um cantor do gênero que vive no ostracismo até que é dado como morto e volta a fazer sucesso.

Pensando em como esse ritmo anda um pouco esquecido (mas que pode voltar à moda dependendo do sucesso ou não da nova novela), decidi separar cinco hinos que viveram da Bahia e que não podemos deixar morrer.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Uma Questão de Fé




Logo no começo da semana, tivemos a celebração a São Jorge, também lembrado pelo sincretismo com Ogum. Santo de devoção de muitos, ao ponto de ser feriado no Rio de Janeiro (com direito a uma das maiores queimas de fogos off-réveillon). Procissões por toda a cidade, fiéis vestidos de vermelho e branco, fazendo vigília e acompanhando a alvorada. Herança, talvez dos portugueses, cujo padroeiro é o lendário santo cavaleiro que venceu o dragão – e cuja chegada por aqui, olha só, é lembrada na véspera, 22 de abril. 

A fé, sem dúvida, deve ser um dos pontos mais inexplicáveis da existência humana. O campo mais obscuro de nossa consciência, mas que pode ser o mais iluminado de muitas personalidades. Acho curioso quem coloca fé e ciência em campos opostos: para mim, são complementares – inclusive um provoca o outro a ir mais além. E muito da ciência também é fé: a crença de que houve um Big Bang (com muitas comprovações – mas como isso se deu até hoje é nebuloso), a crença sobre os elos perdidos da nossa evolução, a crença de que existem vidas em outros planetas, a crença de que existe uma anti-matéria proporcional à matéria...

segunda-feira, 23 de abril de 2018

A Paixão, as Expectativas e Uma Porção de Linhas Aleatórias




Tenho pensado sobre estar apaixonado. Sim, a paixão, ela novamente. Borboletas na barriga, aquele frio na espinha, a euforia e a alegria inerentes ao sentimento. O sorriso bobo e a cabeça na lua. Estar apaixonado é bom, né? Quase sempre. Porque tenho pensado no estar apaixonado, mas não em eu mesmo vivendo tudo isso. Estou leve, tranquilo e de boa. E, sinceramente, está tudo muito bom.

Já falei algumas vezes por aqui que acredito que somos nós que nos permitimos ou não viver o que quer que seja; que há um determinado momento que tomamos a decisão de seguir em frente e cruzar uma linha invisível que nos transporá para um próximo nível de uma situação. O que é válido inclusive quando estamos prestes a viver uma paixão. E eu, particularmente, não tenho nem me questionado sobre querer ou não me apaixonar e foi pensando sobre isso outro dia, casualmente correndo pelo Aterro do Flamengo, que tive o insight para a coluna dessa semana. Estou vivendo, estou me permitindo, estou com a vida sexual bem saudável e movimentada e divertida,  mas nem aí para uma paixão avassaladora, para as tais borboletas na barriga e para o frio na espinha.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

O Universo e o Grão de Areia




Você está vendo este pequenino grãozinho de areia? Já faz algum tempo que gostaria de falar um pouco sobre ele. A princípio, parece ser muito insignificante, não é mesmo? Mas, e se eu afirmar que toda a humanidade terrestre caberia em suas mãos se utilizássemos as devidas proporções? Você acreditaria? Certamente duvidaria.

Vamos então pensar em algo mais didático para poder mensurar estas proporções: todas as noites ao olhar o céu podemos enxergar a Lua. A olho nu, podemos pressupor que o satélite natural da Terra está bem perto de nós, correto? Não.

A Lua está distante de nós em aproximadamente 385 mil quilômetros! Se pudéssemos encaixar, enfileirados, os maiores planetas gasosos do sistema solar (Jupiter, Saturno, Urano e Netuno) e os que tem superfícies terrestres (Mercúrio, Vênus, Marte e a própria Terra), todos caberiam nesta mesma distância.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Viva: A Vida é Uma Festa - Assistam!




Fazia tempo que não assistia uma animação. Mas dei uma chance para Viva: A Vida é Uma Festa (Coco, no original). Pode ter sido culpa do domingo nublado ou do dia ter sido, em boa parte, bem tedioso. O que importa é que resolvi comprovar os inúmeros elogios sobre o filme que ouvia por onde passava. Sempre tinha alguém falando que era maravilhoso e do tipo que te deixa fascinado. Curioso que sou, resolvi comprovar. 

O enredo, aparentemente, não tinha nada de inovador. A história é a seguinte: Amália Rivera se apaixonou por um músico e casou-se com ele. Logo depois eles tiveram uma filha: Ines. Mas as duas foram abandonadas por esse homem, já que ele decidiu dedicar-se só a música e foi embora para nunca mais voltar... Amália, por sua vez, decidiu focar em sobreviver e criou uma empresa de calçados. Tudo começou de forma bem simples, mas transformou-se, ao passar dos anos, na tradição da família Rivera: fazer sapatos. 

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Antes Tarde do Que Nunca




Não é nenhuma novidade que eu demorei para ter Netflix em casa. Já falei do tema até aqui mesmo no Barba Feita, explicando que serviços como esse, Spotify e apps como Twitter e Snapchat não tem a minha adesão. Embora trabalhe com isso e, claro, se houver necessidade estamos aí pra fazer... 

Mas entrei de vez no mundo Netflix no finzinho do ano passado. Sempre temi ter o serviço por ser mais algo a acabar com a minha já parca vida social... Tenho pouco tempo livre para estar em casa com quem amo, às vezes, até escrever para o Barba Feita é algo que é difícil de encontrar um tempo... Como incluir algo viciante na rotina? 

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Exorcismos e Demônios: Um Terror Bobinho e Esquecível




Desde o sucesso de Invocação do Mal e todas as suas sequências e derivados, os filmes de terror com um tom sobrenatural vem conquistando plateias que não se cansam de tomar sustos no escurinho do cinema. O que não é nenhuma novidade, já que o gênero mantém-se relevante desde que o cinema é cinema, com uma ou outra invenção e fases mais ou menos inspiradas. E, verdade seja dita, raramente surgem obras como Corra! ou Um Lugar Silencioso por aí, que seduzem público e crítica de maneira mais abrangente.

E Exorcismos e Demônios (The Crucifixion, no original), que estreia nessa quinta, 19/04/2018, nos cinemas brasileiros é mais uma história escapista, que se vende como baseado em eventos reais, mas que é, vejam só, até que bastante divertido para um filme bobinho e esquecível.

sábado, 14 de abril de 2018

Para Não Dizer Que Não Falei de Abraços





No nosso atual momento de debates acalorados, de falta de empatia, de ódio sendo espalhado pelas redes sociais, eu, que normalmente estou sempre no olho do furacão, venho falar de abraços. Logo eu, que não consigo ficar calada, que estou sempre em uma polêmica (e, em minha defesa, preciso deixar claro que a polêmica que me persegue), vim falar de abraços. Esses, que a gente ganha o nosso primeiro assim que nasce.

Perceba que nem falei em amor, falei "apenas" em abraços. Agora, repare que apenas está escrito entre aspas. Porque em meio a tanto caos da nossa vida cotidiana, estamos perdendo velhos hábitos, esquecendo alguns valores e depois não sabemos porque a vida era melhor para nossos avós, mesmo quando os tempos eram mais difíceis.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

E Por Falar Em Saudade...





Me tornei jornalista em 1999, ano em que a tão apocalíptica canção de Prince não saía de minha cabeça: "o céu estava todo púrpura e pessoas corriam por todos os lados tentando fugir da destruição... eu nem liguei (...) 2000, fim de festa, tempo esgotado! Por isso vou festejar como se fosse 1999”. Óbvio que todo aquele climão de “final contdown” tomou conta de toda a população mundial com o medo do que estava por vir.

Naquele mesmo ano ainda teve o temor do bug do milênio, com a corrida para corrigir e atualizar os sistemas operacionais antes que os primeiros fogos implodissem na hora da virada. Na época, eu estava terminando o meu estágio de jornalismo na área de comunicação do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro e eu acreditava que a mudança de 99 para 00 poderia ocasionar uma pane generalizada no sistema aeroviário deixando os controladores de tráfego completamente perdidos, assim como o sistema bancário, que entenderia a mudança na data para um retorno ao ano 1900, fazendo com que os clientes com aplicações financeiras se tornassem devedores e que os boletos com vencimento em janeiro pudessem ser emitidos com o atraso de um século.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Vício: De Férias Com O Ex




Tem mais ou menos um mês que assisti meio que sem querer um episódio de De Férias Com o Ex. Estava mudando de canal e acabei dando uma paradinha na MTV.  E minha vida mudou! Fiquei hipnotizado por um barraco acontecendo na beira da piscina. Era piranha de um lado. Safada do outro. E muita gente torcendo pelo pior acontecer no meio. 

Se você nunca deu oportunidade para essa experiência antropológica ou nem tinha ideia que esse programa existia, meu querido, por favor, assista agora. Para vocês saberem, De Férias Com o Ex é um formato inglês chamado Ex On The Beach. A dinâmica é simples: reunir alguns solteirões em uma casa e, aos poucos, os ex-namorados e namoradas desses "solteiros" irem chegando para colocar tudo em pratos limpos... Afinal, se ex bom é ex morto, imagina conviver com ele(a) e quem ele(a) está pegando em uma casa paradisíaca? Irresistível, não é mesmo?

segunda-feira, 9 de abril de 2018

La Dolce Far Niente





La dolce far niente é uma expressão italiana usada para descrever o ideal da ociosidade despreocupada. É o permitir-se relaxar sem maiores preocupações, curtir o momento sem calcular o depois, viver a preguiça sem culpa. É o procrastinar feliz.

Em tempos de vida acelerada, de afazeres mil e de obrigações que nos afogam, pensar em fazer nada pode ser até uma afronta. Afinal, a vida não pára para que você descanse, recarregue as baterias e esteja pronto para o que vem pela frente. Mas, o nosso problema é exatamente esse: deixar que a vida nos atropele, perdendo qualidade e entrando em uma rotina viciada que em algum momento fomos ensinados que era o aceitável. Pois não, não é.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

O Novo Jardim Das Delícias




Sabe aquelas revistinhas religiosas A Sentinela, publicada pelas Testemunhas de Jeová?  Recentemente descobri que elas existem desde 1879 e são distribuídas em 334 línguas, com tiragem de 70 milhões de exemplares, sendo a revista mais publicada em todo o mundo.   Então vou aproveitar e contar um segredinho pra vocês: eu tinha verdadeiro pavor daquelas capas.  Tinha um medo absurdo. Eu me tremia todo só de imaginar que pudesse existir um mundo tão perfeito com aquelas cores contrastadas... Aquelas paisagens campestres somente com pessoas alegres convivendo com leões e outros animais como pandas e coelhos falantes.

Na minha cabecinha infantil eu já discordava que o mundo não poderia ser assim tão perfeitinho, asséptico e imaculado, sem tristezas ou decepções.  E tampouco gostaria de conviver com elefantes, zebras e rinocerontes no meu quintal, tal qual uma Alice no País das Maravilhas, conversando com lebres e gatos sorridentes.  Ao mesmo tempo que aquilo tinha um lado mágico e surreal, também possuía uma morbidez disfarçada.  Aterrorizante, diria.  Mais tarde, na adolescência, ao descobrir as obras do pintor holandês Hieronymus Bosch, acabei realizando algumas associações com as famosas capas das revistas. 

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Boa Sorte... Vamos Precisar!




Eu queria ser capaz de fazer um texto verborrágico e cheio de pontos sobre o que anda acontecendo nos setores de Justiça deste país. Mas não sou capaz. Me sinto, desde a morte de Marielle, vivendo em uma realidade paralela. Não sei ao certo, mas acredito que o mundo acabou em 2013 e fomos parar em uma versão alternativa de mundo. E aqui todas as maiores ironias possíveis, são reais. Trump é presidente dos Estados Unidos e Bolsonaro franco candidato na corrida presidencial brasileira. 

É muito distópico imaginar que o fanatismo, antes visto no futebol e por fãs de reality show, chegou com peso na política. E pequenas visões acabam querendo renegar todo um passado comprovado historicamente. É como se todo o mal que já foi realizado em nosso país estivesse justificado. Isso me assusta. 

quarta-feira, 4 de abril de 2018

O 2018 de Vocês Já Tem Uma Cara?




O primeiro trimestre do ano já passou e, quando a gente pensa nisso, sempre bate aquela coisa do “parece que foi ontem que estávamos comemorando o réveillon”. No Brasil, ainda há aquela mítica de que o ano só começa após o Carnaval, que foi um mês e meio atrás. Ainda assim, os primeiros 90 dias já se foram e isso é tempo considerável para começar a dar uma identidade a 2018. 

Todo mundo sabe que esse é um ano eleitoral. Se essa promete ser a disputa mais incerta e pulverizada desde a primeira eleição da redemocratização, em 1989, pouco podemos falar de fatores novos nas candidaturas. Mas um fato novo (e muito infeliz) levou para outro nível o debate político num ano tão importante: a morte da vereadora carioca Marielle Franco. Seu assassinato, além de suscitar uma importante discussão sobre direitos humanos, feminismo, racismo e homofobia, evidenciou questões que podem ser decisivas nessas eleições, como a perseguição política, as fake news e a cegueira na polarização antagônica e inegociável entre direita e esquerda (ainda que se tratando da vida de um ser humano).

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Itacoatiara: Um Passeio Pelo Costão e Uma Tarde na Praia





Tenho alguns bons amigos de Niterói, a cidade exatamente do outro lado da baia de Guanabara. Em nossas rotinas, é comum que eles atravessem a baia para nos divertirmos aqui pelo Rio, seja para fazer coisas durante o dia ou em festas quaisquer durante a noite. E nós aqui do Rio, principalmente, nos acomodamos em sair com eles por aqui, já que isso nos é mais cômodo. Mas, já algum tempo, eles vinham nos chamado para passar um dia em Niterói, curtindo uma praia do outro lado da "poça" e, eventualmente, fazendo uma trilha. E foi o que fizemos nesse sabadão de feriado que passou.

Combinamos tudo antecipadamente e, no sábado logo cedinho, estávamos meu amigo Gleison aqui do Rio e eu na estação das Barcas, na Praça XV, para chegar em Niterói antes as nove horas da manhã. A viagem de barca do Rio pra Niteroi é uma delicinha, já que é um trajeto rápido (20 minutos, se contarmos o tempo de atracação) e prático. E, logo ao chegarmos em Niterói, Thiago, nosso amigo e guia, nos pegou de carro na estação e migramos, junto com os outros amigos Marcio e Bruno, para a região oceânica da cidade, rumo a Itacoatiara.